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Nova fase da Compliance Zero: Daniel Vorcaro é preso novamente pela PF
Ministro André Mendonça, do STF, determinou a prisão preventiva do banqueiro e o bloqueio de R$ 22 bilhões; investigação aponta existência de grupo de intimidação denominado “A Turma”.
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 04/03/2026

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira a 3ª fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A ordem partiu do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também autorizou o sequestro e bloqueio de bens em montante de até R$ 22 bilhões.

Esta é a segunda detenção de Vorcaro no âmbito da operação — a primeira ocorrera em novembro de 2025, dias antes da liquidação extrajudicial do Banco Master decretada pelo Banco Central. De acordo com a PF, a nova fase mira não apenas os crimes financeiros, mas também uma estrutura paralela usada para monitoramento e intimidação de desafetos. As investigações apontam que o banqueiro mantinha um grupo chamado “A Turma”, voltado à obtenção ilegal de informações e à prática de atos de coação.

Segundo a decisão do ministro Mendonça, mensagens obtidas pela PF indicam que Vorcaro ordenou ameaças a um jornalista — posteriormente identificado como Lauro Jardim, colunista de O Globo. Em uma das conversas, o banqueiro teria sugerido “quebrar todos os dentes” do profissional durante um suposto assalto simulado. As comunicações também revelam planos de vigilância contra ex-funcionários e concorrentes.

Além de Vorcaro, foram presos preventivamente:

  • Fabiano Zettel (cunhado do banqueiro e pastor) — apontado como operador financeiro e responsável por repasses ao grupo de intimidação;
  • Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão (conhecido como “Sicário”) — coordenador das ações de monitoramento e, segundo a PF, recebia cerca de R$ 1 milhão mensais para gerir “A Turma”;
  • Marilson Roseno da Silva — policial federal aposentado, investigado por auxiliar no levantamento de informações de adversários.

As investigações também atingiram servidores do Banco Central. Dois ex-funcionários de alto escalão da autarquia, Paulo Sérgio Neves de Souza (ex-diretor de Fiscalização) e Belline Santana (ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária), foram afastados de suas funções e deverão usar tornozeleira eletrônica. De acordo com a PF, eles atuavam como “consultores informais” de Vorcaro, revisando minutas de documentos e antecipando movimentos de fiscalização em troca de vantagens, como viagens e contratos simulados.

A Polícia Federal sistematizou a atuação do grupo criminoso em quatro núcleos principais:

  1. Núcleo financeiro — responsável pela emissão fraudulenta de CDBs e pela estruturação das fraudes que levaram à liquidação do banco, com prejuízo bilionário ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
  2. Núcleo de corrupção institucional — voltado à cooptação de funcionários públicos, especialmente do Banco Central, para obter vantagens regulatórias.
  3. Núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro — utilização de empresas de fachada e contas em nome de familiares, como a movimentação de R$ 2,2 bilhões em nome do pai de Vorcaro.
  4. Núcleo de intimidação e obstrução de justiça — composto por “A Turma”, que realizava vigilância clandestina, acesso ilegal a sistemas da PF e do MPF, e planejava ações violentas contra vítimas.

A defesa de Daniel Vorcaro, em nota, afirmou que o empresário “sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”. Os advogados negaram categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e reiteraram confiança no devido processo legal.

A sessão da CPI do Crime Organizado no Senado, na qual Vorcaro prestaria depoimento nesta quarta, foi cancelada após o STF tornar facultativa a presença do banqueiro. O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), criticou a decisão, afirmando que “quem é convocado por uma CPI deveria comparecer justamente para explicar fatos que estão sob investigação”.

Com informações de G1, CNN Brasil, Bloomberg Línea, Agência Pública, Poder360, BBC News Brasil, Consultor Jurídico, ICL Notícias ■

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