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Em meio ao caos deixado pelas fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata mineira, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) se envolveu em mais uma polêmica ao ser flagrado por moradores interrompendo o trabalho de equipes de resgate para gravar vídeos que seriam publicados em suas redes sociais. As imagens, que viralizaram rapidamente, mostram o parlamentar se jogando na lama e em meio a destroços antes de gravar o vídeo, enquanto populares reclamam da interferência.
De acordo com relatos de testemunhas, a passagem do deputado pela cidade de Ubá provocou transtornos logísticos justamente no momento em que equipes do Exército e da Guarda Municipal atuavam na limpeza das vias. Um morador, que preferiu não se identificar, registrou a cena e desabafou: "O trânsito está todo fechado ali por conta do Nikolas, que está aqui fazendo mídia, fazendo vídeo, atrapalhando no meio da obra, fazendo videozinho e atrapalhando o serviço, porque ele tem que vir aqui fazer o TikTok dele".
Em vez de prestar solidariedade ou apresentar propostas para a região, que contabilizava dezenas de mortos e milhares de desabrigados, Nikolas utilizou suas redes sociais para rebater as críticas. O parlamentar resgatou um vídeo do presidente Lula (PT) durante visita às enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 e ironizou: "Quando isso aconteceu, nenhum petista ingrato veio reclamar e fazer videozinho, né? Hahahaha, patéticos". Em transmissão ao vivo no Instagram, voltou a atacar: "Quando foi o Lula lá no Rio Grande do Sul fazendo pose para tirar foto, eu não vi essa galerinha que me gravou lá em Ubá falando que ele atrapalhou".
A postura do deputado gerou reações imediatas. O comediante Danilo Gentili, que já foi aliado do bolsonarismo, fez uma crítica ácida em suas redes: "Nikolas é deputado influencer. Nada fez nada para resolver alguma coisa até agora. Só sabe puxar saco do clã Bolsonaro e fazer vídeo pra ganhar like".
A situação se agravou quando o presidente Lula anunciou que visitaria as áreas atingidas na Zona da Mata. Em resposta, Nikolas voltou a provocar nas redes, questionando se a imprensa "fofoqueira" criticaria a presença do presidente da mesma forma que criticou a sua. A ironia, no entanto, escancarou a diferença de abordagem: enquanto o deputado foi acusado de atrapalhar a limpeza urbana, Lula chegou à região acompanhado de ministros e com anúncios concretos de liberação de recursos emergenciais para as vítimas e reconstrução das cidades.
O presidente, durante sua passagem por Ubá, fez uma crítica indireta a parlamentares que transformam tragédias em palanque digital. Em tom enfático, declarou: "A gente vai provar que fazer pirotecnia através do celular não resolve o problema da sociedade. O cidadão que fica gravando e fazendo meme toda hora, brincando de fazer política, nós vamos desmascarar".
Não é a primeira vez que Nikolas Ferreira se envolve em controvérsias envolvendo desinformação e exploração de pautas sensíveis. Levantamento da Agência Lupa mostrou que, apenas em janeiro de 2026, o deputado esteve no centro de uma onda de fake news sobre o Pix que somou mais de 40 milhões de visualizações. Na ocasião, ele voltou a acusar falsamente o governo federal de planejar a taxação das transferências bancárias.
O deputado também responde a ações judiciais. O Ministério Público Eleitoral de Minas Gerais pediu a cassação de seus direitos políticos por envolvimento em campanha de difamação contra o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD), falecido em 2025. Na ocasião, Nikolas utilizou trechos descontextualizados de um livro escrito por Fuad para associá-lo falsamente à pedofilia, mesmo após determinação judicial de remoção do conteúdo.
Diante da nova polêmica, analistas políticos apontam para um padrão de comportamento que privilegia o engajamento digital em detrimento da atuação parlamentar substantiva. Enquanto isso, os moradores de Ubá e região seguem enfrentando os desafios da reconstrução, com equipes de resgate que, ao menos por alguns instantes, tiveram seu trabalho interrompido para que um vídeo pudesse ser gravado.
Com informações de Correio Braziliense, Estado de Minas, Agência Lupa, Diário do Centro do Mundo, R7, Revista Fórum, Vermelho, VGN Notícias, SINDSEP-PE ■