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Em evento realizado em Brasília nesta sexta-feira (27), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo de Minas Gerais, liderado por Romeu Zema (Novo), não apresentou nenhum projeto de infraestrutura e prevenção de desastres nos últimos três anos para acessar os recursos disponibilizados pela União. A declaração ocorre poucos dias após as fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata mineira, resultando em mais de 60 mortes em cidades como Juiz de Fora e Ubá.
Segundo o ministro das Cidades, Jader Filho, o governo federal destinou R$ 3,5 bilhões para Minas Gerais por meio do Novo PAC, especificamente para obras de contenção de encostas, macrodrenagem e urbanização. No entanto, a contrapartida do Executivo estadual não aconteceu. Questionado pelo presidente sobre quantos projetos haviam sido apresentados, o ministro foi direto: "Até agora nenhum". Lula associou a falta de planejamento ao descaso histórico com as populações vulneráveis. "Isso é resultado do descaso histórico que se tem com o povo pobre do País. Povo não tem como saber que uma área não oferece condições de moradia, que pode deslizar, que pode ter enchente. Mas o prefeito sabe", declarou o presidente.
Enquanto o governo federal afirma ter disponibilizado os recursos, dados do Portal da Transparência do estado, levantados pelo jornal O Globo, mostram uma queda abrupta nos investimentos estaduais na área. O programa de "suporte às ações de combate e resposta aos danos causados pelas chuvas" sofreu uma redução de 96% entre 2023 e 2025. Os números são os seguintes:
Em resposta às críticas, o governador Romeu Zema utilizou as redes sociais para negar a redução, afirmando que os investimentos aumentaram 170% na média anual. No entanto, a declaração foi contestada pelo próprio vice-governador, Mateus Simões, que admitiu que o orçamento para prevenção se restringiu, nos últimos anos, a recursos oriundos de acordos relacionados às tragédias de Mariana e Brumadinho.
A postura do governo mineiro gerou reações. Em nota, o Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente de São Paulo (Sintaema) classificou a situação como uma "escolha política" e reflexo da política de Estado mínimo adotada pela gestão Zema, que corta investimentos justamente nas áreas mais necessárias para a proteção da população.
Por outro lado, o governo de Minas anunciou em fevereiro de 2025 um edital de R$ 400 milhões, por meio do BDMG, para financiar prefeituras em projetos de prevenção à seca e inundações. Apesar do anúncio, o edital representa uma linha de crédito, e não um investimento direto do Tesouro estadual, além de não ter relação com os recursos do Novo PAC citados pelo governo federal.
O presidente Lula confirmou que visitará as cidades atingidas na Zona da Mata neste sábado (28) para acompanhar de perto os trabalhos de resgate e as necessidades locais.
Com informações de CartaCapital, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Globo, Revista Fórum, Portal da Transparência do Estado de Minas Gerais e Agência Estadão Conteúdo ■