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Principal plano da direita não é de governo, e sim de puxar o tapete por vingança
Estratégias paralelas miram a sucessão presidencial enquanto articulações políticas e jurídicas tentam desestabilizar o Supremo e blindar aliados
Artigo
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■   Bernardo Cahue, 26/02/2026

Nos bastidores da política brasileira, um jogo de xadrez de alta voltagem está em curso. Enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ainda se mantém como o nome oficial da legenda mesmo estando inelegível, articulações paralelas desenham cenários para 2026 que envolvem renúncias estratégicas, ataques planejados a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o uso seletivo de delações premiadas. A seguir, os detalhes de um plano que, segundo análises de fontes da imprensa alternativa, busca não apenas garantir a vitória nas urnas, mas também reconfigurar o tabuleiro da Justiça no país.

Plano T: A estratégia Tarcísio para 2026

Nos corredores do poder em Brasília, articuladores da direita desenham um movimento cuidadosamente orquestrado para viabilizar a possibilidade de candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao Palácio do Planalto. Batizado nos bastidores como Plano T, a estratégia prevê que Tarcísio renuncie ao governo paulista até o dia 2 de abril, prazo final imposto pela legislação eleitoral para que autoridades possam disputar outros cargos. A data é estratégica: ao deixar o cargo poucos dias antes do pleito, ele poderia iniciar a campanha presidencial em cheio, capitalizando sua alta aprovação como gestor e o apoio do eleitorado conservador sem desgastar antecipadamente sua administração. A movimentação, no entanto, contrasta com as declarações públicas do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que insiste que "não temos plano B, o nosso plano é Bolsonaro", mas nos bastidores já se prepara para a hipótese de a inelegibilidade do ex-presidente não ser revertida.

Ataques a ministros e o cerco a Moraes

Paralelamente ao plano sucessório, um segundo front foi aberto: o ataque sistemático a ministros do STF, em especial a Alexandre de Moraes. De acordo com fontes com acesso aos autos, Moraes teria reunido provas concretas para indiciar políticos de alta plumagem ligados a facções criminosas que operam no Rio de Janeiro. A informação é a principal causa do pânico instalado nos gabinetes de nomes como o governador Cláudio Castro (PL), o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar (União Brasil).

O cerco envolve ainda um profundo esquema de corrupção na CEPERJ (Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro). A fundação, que deveria ser um órgão técnico, teria sido utilizada como cabide eleitoral e mecanismo de financiamento de campanhas políticas, com desvios de recursos e contratações fantasmas. As apurações apontam que as provas colhidas por Moraes podem respingar em dezenas de parlamentares do PL e do União Brasil, criando uma crise sistêmica nos dois maiores partidos da oposição.

Nesse contexto, a retirada estratégica do ministro Dias Toffoli da relatoria de casos sensíveis, como o escândalo das criptomoedas envolvendo o Banco Master e a supervisão da CPMI do INSS, é vista por analistas como uma manobra para "dar ares de Lava-Jato 2.0" ao processo, agora nas mãos do ministro André Mendonça. Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro e com perfil mais alinhado à direita, poderia conduzir as investigações com um viés menos duro contra os aliados, ou, na visão de críticos, orquestrar um "contragolpe" investigativo.

A conspiração do 'Careca do INSS' e o vazamento seletivo

Um dos capítulos mais sensíveis dessa trama envolve a delação do chamado "careca do INSS". Preso sob a acusação de comandar um esquema bilionário de fraudes previdenciárias, ele permaneceria detento por um motivo específico: aguarda-se o momento político ideal para que ele realize uma delação premiada contra Lulinha, filho do presidente Lula. A estratégia seria usar o impacto midiático de uma acusação grave às vésperas das eleições de 2026 para atacar diretamente o PT, desgastando a imagem do governo e desidratando a candidatura à reeleição.

Para que esse tipo de informação chegue ao grande público, uma estrutura de vazamentos seletivos teria sido montada. Documentos sigilosos de investigações, incluindo os que miram os ministros do STF, são repassados à grande imprensa em clara violação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O principal canal de difusão dessa estratégia, segundo apurações, seria o jornal O Globo, por meio de sua principal jornalista na área de investigação, Malu Gaspar. A prática, além de criminosa, visa criar um ambiente de opinião pública hostil aos magistrados, especialmente àqueles que conduzem processos contra bolsonaristas.

Plano B: O recado a Alexandre de Moraes

Caso o Plano T não vingue por razões jurídicas ou políticas, um Plano B mais agressivo estaria desenhado nos bastidores da direita radical. A estratégia prevê uma mudança de alvo definitiva contra Alexandre de Moraes. A ideia seria transformá-lo em um "exemplo", intensificando os ataques e os pedidos de impeachment a ponto de inviabilizar sua atuação ou, em um cenário mais extremo, forçar seu afastamento. O objetivo final dessa ofensiva seria invalidar a pena de Jair Bolsonaro e anular os processos que o tornaram inelegível. Com Moraes fora de cena ou com sua autoridade moral fragilizada, os aliados do ex-presidente apostam que poderiam reverter as condenações e recolocar Bolsonaro no jogo eleitoral, seja como candidato, seja como principal cabo eleitoral do plano original.

Enquanto isso, a movimentação nos estados também reflete a estratégia nacional. No Rio de Janeiro, o nome do general Braga Netto segue como "plano A" do PL para a prefeitura, usando a bandeira da segurança pública, mas a legenda já tem Alexandre Ramagem como plano B caso o general seja declarado inelegível . A tática de ter um nome de reserva para cada cargo importante mostra que, oficialmente ou não, a direita já opera com a certeza de que precisará de mais de um plano para chegar ao poder em 2026.

Com informações de: O Globo, CNN Brasil ■

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