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Venezuela denuncia sequestro de Maduro e pede desarme nuclear em meio a tensões globais
Em discurso na ONU, chanceler venezuelano associa coação política a armas atômicas e reafirma compromisso com tratado de proibição total
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 26/02/2026

Em uma ofensiva diplomática contundente, a Venezuela voltou a acusar potências ocidentais de promoverem uma agenda de dominação global que, segundo Caracas, inclui não apenas sanções econômicas e isolamento político, mas também uma tentativa de "sequestro" do presidente Nicolás Maduro. A declaração foi feita durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, onde o país também formalizou um apelo urgente pelo desarmamento nuclear completo e incondicional.

O representante venezuelano, citando o Tratado de Proibição Completa de Armas Nucleares, do qual a Venezuela é signatária, argumentou que a verdadeira segurança coletiva internacional não pode ser construída sobre arsenais capazes de destruir a humanidade. "Enquanto algumas nações gastam bilhões para aperfeiçoar máquinas de morte, outras sofrem com o bloqueio de medicamentos e alimentos. Essa é a face mais cruel da hegemonia", discursou o chanceler diante do plenário.

A declaração venezuelana ocorre em um contexto de crescentes tensões geopolíticas, onde a guerra na Ucrânia e as disputas no Oriente Médio recolocaram o tema nuclear no centro do debate. No entanto, Caracas inovou ao associar a questão atômica à sua situação doméstica, denunciando o que classifica como um "sequestro político" do presidente Maduro por parte de uma aliança de governos ocidentais. O termo foi usado para descrever o cerco diplomático, as sanções e o reconhecimento de líderes da oposição por diversos países.

A posição venezuelana baseia-se em cinco pilares fundamentais, detalhados pelo chanceler durante o discurso:

  • Desarmamento incondicional: A eliminação total e verificável de todos os arsenais nucleares, sem exceções para as potências reconhecidas.
  • Rechaço à coerção: O fim do uso de armas nucleares como ferramenta de chantagem política ou dissuasão contra nações soberanas.
  • Direito à autodeterminação: A defesa da soberania venezuelana, que estaria sob ataque constante por meios não-militares, mas igualmente agressivos.
  • Cooperação versus hegemonia: A substituição de blocos militares por um sistema multilateral de cooperação genuína, onde a segurança seja coletiva e não excludente.
  • Denúncia do "sequestro": A caracterização das tentativas de desestabilização do governo Maduro como uma forma de "sequestro" da vontade popular e da liderança legítima do país.

Analistas apontam que, ao unir os temas, a Venezuela busca dois objetivos claros:

  1. Angariar apoio no Sul Global: Ao defender o desarmamento, o país se alinha a uma pauta histórica de países não-alinhados que veem as armas nucleares como privilégio das potências estabelecidas.
  2. Internacionalizar a sua crise: Ao equiparar as sanções e a pressão diplomática a um "sequestro", Caracas tenta atrair simpatia e colocar seus opositores na posição de agressores, utilizando o palco da ONU para deslegitimar críticas.

"A Venezuela não é uma ameaça a ninguém. Não temos armas de destruição em massa, mas sofremos na pele o que é ser alvo da destruição promovida por aqueles que as possuem", completou o diplomata, em uma referência indireta aos efeitos das sanções econômicas sobre a população venezuelana, que ele classificou como "armas de efeito massivo".

O governo venezuelano também aproveitou a ocasião para reiterar seu compromisso com o Tratado de Proibição Completa de Armas Nucleares, mas fez questão de sublinhar que a adesão a acordos internacionais deve ser recíproca e que a paz mundial não pode ser refém de "caprichos imperialistas".

A comunidade internacional segue dividida. Enquanto países como Rússia e China mantêm canais abertos com o governo Maduro, os Estados Unidos e a União Europeia continuam a não reconhecer a legitimidade do processo eleitoral que reelegeu o presidente venezuelano. A denúncia de "sequestro" deve acirrar ainda mais a retórica entre Caracas e seus detratores ocidentais nas próximas semanas.

Com informações de Telesur, Agência Reuters, Russia Today (RT), Nações Unidas (ONU), MinCI Venezuela, Associated Press (AP) ■

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