Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) decidiu reabrir a investigação que apura a prática de "rachadinha" no gabinete do então vereador Carlos Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso, que havia sido arquivado em 2024, ganhou novo fôlego após a Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ) identificar que provas relevantes foram desconsideradas e que pontos cruciais da apuração não foram devidamente esclarecidos.
A nova fase das diligências, determinada em fevereiro de 2026, coloca sob escrutínio não apenas o esquema de desvio de salários de assessores, mas também a origem do dinheiro utilizado por Carlos para custear despesas pessoais ao longo de anos. Os investigadores agora buscam conectar os pontos entre o suposto esquema de corrupção e o patrimônio e estilo de vida do ex-parlamentar.
De acordo com o parecer da assessoria criminal da PGJ, que embasou a reabertura do caso, três pontos específicos chamaram a atenção dos promotores e serão alvo de novas diligências:
Investigações anteriores do Laboratório de Combate à Lavagem de Dinheiro do MP-RJ já haviam revelado que o chefe de gabinete de Carlos, Jorge Luiz Fernandes, pagava sistematicamente contas do vereador, incluindo faturas de cartão de crédito, impostos e até despesas do ex-presidente Jair Bolsonaro e da primeira-dama Michelle Bolsonaro, sem que houvesse registros de compensação financeira por parte deles.
A decisão de reabrir o caso ocorre após a PGJ considerar o arquivamento anterior como "prematuro". Em 2024, o MP-RJ denunciou sete ex-funcionários do gabinete de Carlos por desvio de R$ 1,7 milhão através da prática de rachadinha, mas optou por não incluir o então vereador no polo passivo da denúncia, alegando falta de provas diretas contra ele.
O novo despacho, assinado pelo subprocurador-geral de Justiça, Marcelo Pereira Marques, determinou o encaminhamento dos autos para a 4ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada, que dará prosseguimento às investigações. A decisão leva em conta a "inexistência de prerrogativa de foro" de Carlos, já que ele renunciou ao mandato de vereador em dezembro de 2025 para tentar uma vaga ao Senado por Santa Catarina.
Com a reabertura, os investigadores pretendem aprofundar a análise sobre as movimentações financeiras suspeitas. A estratégia inclui a realização de novas oitivas dos investigados para esclarecer o "padrão de saques realizados após o recebimento de seus vencimentos", uma assinatura clássica do esquema de rachadinha, onde os assessores eram obrigados a devolver parte dos salários em dinheiro vivo ao parlamentar ou a seu chefe de gabinete.
Além de Carlos Bolsonaro, a investigação reaberta atinge outros 25 investigados, incluindo sua ex-madrasta, Ana Cristina Siqueira Valle, que chefiou seu gabinete até 2008 e é apontada como uma potencial "funcionária fantasma" por ter ocupações incompatíveis com a função de assessora parlamentar.
O principal objetivo do MP é agora detalhar como Carlos Bolsonaro pagava suas contas e adquiriu patrimônio, para determinar se há um vínculo direto entre seus gastos pessoais e o dinheiro desviado dos cofres públicos da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
Com informações de: Diário do Centro do Mundo, O Globo, ICL Notícias, BNews, Folha de S.Paulo ■