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Plano de saúde e compra de imóveis: as novas frentes da investigação contra Carlos Bolsonaro
Ministério Público do Rio reconsidera arquivamento e aponta inconsistências em pagamentos de despesas pessoais do "filho 02" que podem indicar uso de dinheiro vivo oriundo de rachadinha
Politica
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■   Bernardo Cahue, 25/02/2026

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) decidiu reabrir a investigação que apura a prática de "rachadinha" no gabinete do então vereador Carlos Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso, que havia sido arquivado em 2024, ganhou novo fôlego após a Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ) identificar que provas relevantes foram desconsideradas e que pontos cruciais da apuração não foram devidamente esclarecidos.

A nova fase das diligências, determinada em fevereiro de 2026, coloca sob escrutínio não apenas o esquema de desvio de salários de assessores, mas também a origem do dinheiro utilizado por Carlos para custear despesas pessoais ao longo de anos. Os investigadores agora buscam conectar os pontos entre o suposto esquema de corrupção e o patrimônio e estilo de vida do ex-parlamentar.

Os três pilares da nova investigação

De acordo com o parecer da assessoria criminal da PGJ, que embasou a reabertura do caso, três pontos específicos chamaram a atenção dos promotores e serão alvo de novas diligências:

  • Pagamento do plano de saúde: O MP aponta um padrão atípico no pagamento das despesas médicas de Carlos. De acordo com os registros, ao longo de nove anos de contratação do serviço, apenas um único boleto teria sido quitado por meio da conta bancária do ex-vereador. A suspeita é que os demais pagamentos tenham sido feitos em espécie, possivelmente com recursos não declarados e de origem ilícita, oriundos do esquema de rachadinha. A PGJ recomendou oficiar as operadoras para que informem os valores, as formas de pagamento e os responsáveis pelas quitações.
  • Compra de imóvel em Copacabana: A aquisição de um apartamento no bairro mais famoso da Zona Sul do Rio de Janeiro, em 2009, também está na mira. O imóvel foi declarado por Carlos por R$ 70 mil, um valor considerado pelos investigadores como "muito abaixo do valor de mercado" para a região na época. A discrepância levanta suspeitas de subfaturamento ou de uso de dinheiro não declarado para a compra, prática comum em esquemas de lavagem de dinheiro.
  • Acessos frequentes a cofre bancário: Outro comportamento que despertou a atenção da Procuradoria foi a rotina de Carlos em relação a um cofre de agência bancária. Segundo os registros, o então vereador realizava "pelo menos um ou mais acessos por mês" ao local. A frequência é considerada atípica, já que esse tipo de serviço é normalmente utilizado para a guarda de joias, documentos ou grandes quantias em dinheiro, sugerindo a possível existência de um "pé-de-meia" com valores não contabilizados.

Investigações anteriores do Laboratório de Combate à Lavagem de Dinheiro do MP-RJ já haviam revelado que o chefe de gabinete de Carlos, Jorge Luiz Fernandes, pagava sistematicamente contas do vereador, incluindo faturas de cartão de crédito, impostos e até despesas do ex-presidente Jair Bolsonaro e da primeira-dama Michelle Bolsonaro, sem que houvesse registros de compensação financeira por parte deles.

Contexto e desdobramentos

A decisão de reabrir o caso ocorre após a PGJ considerar o arquivamento anterior como "prematuro". Em 2024, o MP-RJ denunciou sete ex-funcionários do gabinete de Carlos por desvio de R$ 1,7 milhão através da prática de rachadinha, mas optou por não incluir o então vereador no polo passivo da denúncia, alegando falta de provas diretas contra ele.

O novo despacho, assinado pelo subprocurador-geral de Justiça, Marcelo Pereira Marques, determinou o encaminhamento dos autos para a 4ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada, que dará prosseguimento às investigações. A decisão leva em conta a "inexistência de prerrogativa de foro" de Carlos, já que ele renunciou ao mandato de vereador em dezembro de 2025 para tentar uma vaga ao Senado por Santa Catarina.

Com a reabertura, os investigadores pretendem aprofundar a análise sobre as movimentações financeiras suspeitas. A estratégia inclui a realização de novas oitivas dos investigados para esclarecer o "padrão de saques realizados após o recebimento de seus vencimentos", uma assinatura clássica do esquema de rachadinha, onde os assessores eram obrigados a devolver parte dos salários em dinheiro vivo ao parlamentar ou a seu chefe de gabinete.

Além de Carlos Bolsonaro, a investigação reaberta atinge outros 25 investigados, incluindo sua ex-madrasta, Ana Cristina Siqueira Valle, que chefiou seu gabinete até 2008 e é apontada como uma potencial "funcionária fantasma" por ter ocupações incompatíveis com a função de assessora parlamentar.

O principal objetivo do MP é agora detalhar como Carlos Bolsonaro pagava suas contas e adquiriu patrimônio, para determinar se há um vínculo direto entre seus gastos pessoais e o dinheiro desviado dos cofres públicos da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Com informações de: Diário do Centro do Mundo, O Globo, ICL Notícias, BNews, Folha de S.Paulo ■

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