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A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, a Operação Vassalos, um dos maiores esforços de investigação contra a corrupção no uso de emendas parlamentares dos últimos anos. A ação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem como alvo principal o ex-senador e ex-ministro Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) e dois de seus filhos: o deputado federal Fernando Coelho Filho (União-PE) e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União-PE).
Ao todo, policiais federais cumprem 42 mandados de busca e apreensão nos estados de Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e no Distrito Federal. A investigação corre em sigilo, mas detalhes já revelados pelo material apreendido e por reportagens anteriores mostram a complexidade de um esquema que, segundo a PF, movimentou valores na casa dos bilhões de reais e envolve os crimes de peculato, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
De acordo com a nota oficial da Polícia Federal, as suspeitas se concentram na existência de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados que atuava de forma sistemática para desviar recursos de emendas. O principal mecanismo era o direcionamento de licitações para empresas previamente vinculadas ao grupo. Posteriormente, os valores desviados eram utilizados para pagamento de vantagens indevidas e ocultação do patrimônio adquirido ilegalmente.
Um dos casos emblemáticos sob a lupa da PF é o destino de uma emenda de R$ 22 milhões indicada por Fernando Bezerra Coelho em 2021, quando ainda era senador. O recurso foi destinado à construção da Orla 3 de Petrolina, cidade que era administrada por seu filho, o então prefeito Miguel Coelho. O convênio para a liberação da verba foi assinado entre a prefeitura e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), cujo superintendente local à época, Aurivalter Cordeiro da Silva, é um ex-assessor parlamentar de Bezerra e também se tornou alvo da operação.
O percurso do dinheiro público levanta ainda mais suspeitas devido aos beneficiários indiretos. Parte da obra da Orla 3 foi construída em um terreno de propriedade de uma empresa cujo sócio é irmão de Fernando Bezerra. A prefeitura de Petrolina afirma que o processo de desapropriação da área ainda está em negociação, sem pagamento de indenização até o momento. Paralelamente, o entorno da obra, valorizado pela revitalização, recebeu o lançamento de um condomínio de alto padrão divulgado por Miguel Coelho em suas redes sociais, empreendimento no qual ele possui participação societária.
O núcleo empresarial do esquema, conforme as investigações, tem como peça-chave a construtora Liga Engenharia. Dados do portal da transparência mostram que a empresa recebeu cerca de R$ 74 milhões de emendas parlamentares, especialmente as do chamado "orçamento secreto", entre 2019 e 2024. Os contratos, firmados com a Codevasf e o DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), somam mais de R$ 185 milhões em pagamentos do governo federal.
A relação da empresa com o grupo político é um dos focos centrais da Operação Vassalos. A PF investiga se houve direcionamento das concorrências para que a Liga Engenharia vencesse as licitações. Sobre essa suspeita, pesam dois fatores agravantes:
A Operação Vassalos representa um desdobramento direto do aperto do STF sobre as emendas parlamentares, especialmente após a declaração de inconstitucionalidade do orçamento secreto. A escolha do nome "Vassalos" faz referência à relação de subserviência e lealdade incondicional que, segundo a tese investigativa, existia entre os agentes públicos e privados que operavam o esquema em benefício próprio e do clã político.
Procurados, os advogados de Fernando Bezerra Coelho e Fernando Coelho Filho, André Callegari, afirmaram que ainda não tiveram acesso à decisão do ministro Flávio Dino e que só se manifestarão após analisarem os autos. Até a publicação desta nota, as defesas de Miguel Coelho e da Liga Engenharia não haviam se pronunciado.
Com informações de Veja, CartaCapital, O Globo, UOL, Folha de S.Paulo, InfoMoney, Diário do Centro do Mundo ■