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Banco Master pagou R$ 160 milhões à Globo
Relações entre banco liquidado e conglomerado de mídia são escrutinadas após revelações de contratos e vazamentos seletivos
Politica
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■   Bernardo Cahue, 20/02/2026

Em meio à crise do Banco Master — que culminou com sua liquidação extrajudicial pelo Banco Central em novembro de 2025 e a prisão de seu controlador, Daniel Vorcaro — novos elementos surgem sobre a atuação da grande imprensa. Investigações em curso e reportagens recentes lançam luz sobre uma complexa teia de interesses que envolve contratos milionários, vazamentos de dados sigilosos e uma campanha sistemática contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

O cerne da questão está na relação financeira entre o Banco Master e as Organizações Globo. De acordo com análises publicadas na Revista Fórum e repercutidas em diversos veículos independentes, estima-se que o Master tenha injetado cerca de R$ 160 milhões em publicidade na Globo, principalmente por meio de seu banco digital, o Willbank. Esse volume de patrocínio, considerado atípico pelo mercado, teria garantido ao banco não apenas espaço comercial, mas uma cobertura editorial alinhada aos seus interesses.

O jornalista Luis Nassif, em artigo no Jornal do Brasil, questiona: "qual o interesse das Organizações Globo em detonar Alexandre de Moraes?". A hipótese levantada por analistas é a de que a cobertura agressiva contra Moraes e outros ministros — classificada por alguns como uma "campanha" — seria uma resposta à ameaça real de investigação sobre esses contratos e sobre a participação da Globo no esquema de desinformação que beneficiou o Master.

Entenda o caso:

  • O contrato polêmico: O escritório da esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Barci, firmou um contrato de R$ 129 milhões (R$ 3,6 milhões mensais) com o Banco Master em 2024, revelado por Malu Gaspar.
  • A liquidação: Em novembro de 2025, o BC decretou a liquidação do Master, e Vorcaro foi preso por suspeita de fraude bilionária.
  • Vazamentos seletivos: Informações sigilosas da Receita Federal sobre Moraes e Dias Toffoli foram impressas e vazadas para a imprensa, gerando uma crise. Quatro servidores foram identificados e colocados sob vigilância.
  • Campanha midiática: A colunista Malu Gaspar, d'O Globo, publicou que Moraes teria pressionado o BC em favor do Master, baseando-se em fontes anônimas. Moraes e o presidente do BC, Galípolo, negaram, afirmando que as conversas trataram da Lei Magnitsky.
  • Recuo estratégico: Dias depois, Malu publicou uma nova versão, afirmando que Moraes teria recuado ao saber das fraudes, o que foi interpretado como uma tentativa de suavizar a acusação inicial.

O colunista Demétrio Magnoli, na Folha de S.Paulo, defendeu o trabalho de Malu Gaspar, argumentando que "o que seria apuração jornalística, em tempos menos anormais, tornou-se conspiração imperdoável" e que a exposição de eventuais desvios éticos no STF serve para aperfeiçoar a instituição. Por outro lado, veículos como a Revista Fórum e o Diário do Centro do Mundo criticaram a falta de provas e a metodologia do "ouvi dizer", que remete aos piores momentos da Lava Jato.

O desfecho institucional do caso, até o momento, foi o arquivamento de um pedido de investigação contra Moraes pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O procurador-geral Paulo Gonet justificou a decisão pela "absoluta ausência de lastro probatório mínimo que sustente a acusação", apontando que a narrativa da imprensa permaneceu "no campo das suposições".

Em meio a essas contradições, uma questão permanece: quem financiou a campanha de desinformação? A análise de especialistas aponta que, além dos R$ 160 milhões pagos à Globo, o esquema envolvendo o Banco Master contava com ramificações políticas e financeiras que incluíam grandes doadores de campanhas eleitorais, especialmente ligados ao Centrão e ao bolsonarismo. O principal suspeito de vazar os dados, um servidor da Receita Federal, mora próximo à jornalista Malu Gaspar, e sua conexão com o caso levanta suspeitas sobre uma possível rede organizada para atingir ministros do STF.

O caso expõe as entranhas de um jornalismo que, ao se omitir na apuração de crimes do colarinho branco e na defesa de suas fontes — muitas vezes anônimas e com interesses escusos — acaba por servir a projetos de poder que pouco têm a ver com o interesse público. A liquidação do Banco Master pode ter sido decretada, mas os desdobramentos políticos e midiáticos desse escândalo estão longe de terminar.

O ministro Flávio Dino, do STF, classificou como "lixo jurídico" a investigação da Polícia Federal que mirou Toffoli, enquanto o novo relator do caso, ministro André Mendonça, indicado por Bolsonaro, deu sinais de que pode flexibilizar o acesso da PF aos materiais apreendidos, o que, para críticos, representa um risco de novos vazamentos seletivos.

Ao fim, o que se vê é um confronto entre duas narrativas: de um lado, a defesa do jornalismo profissional baseado em fontes; de outro, a acusação de que a grande mídia atuou como parte interessada, financiada por um banco que agora está liquidado, para desestabilizar o STF e proteger aliados poderosos. Enquanto isso, os 500 mil correntistas do Willbank aguardam o ressarcimento pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), em um rombo estimado em R$ 5 bilhões.

Com informações de UOL Notícias, Jornal de Brasília, Jornal do Brasil, Diário do Centro do Mundo, Estadão, Brasil24Horas, Folha de S.Paulo, Tribuna da Bahia, Revista Fórum, Blog do Silva Lima ■

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