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A batalha judicial em torno do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo (15), ganhou novos capítulos nesta semana. O Partido Liberal (PL) e o partido Missão protocolaram quatro novas representações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) questionando a apresentação, que classificam como propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder político e econômico.
As ações somam-se a pelo menos outras oito que já tramitavam em diferentes esferas judiciais, incluindo pedidos no Ministério Público e no Tribunal de Contas da União (TCU), totalizando mais de dez iniciativas contra a agremiação, que acabou rebaixada no Grupo Especial do carnaval carioca.
O enredo da escola, intitulado "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", narrou a trajetória do presidente desde a infância no Nordeste, passando pela migração para São Paulo, a liderança sindical e a chegada à Presidência. A apresentação incluiu alas com críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, retratado como um palhaço preso, além de referências a promessas de campanha do governo, como o fim da escala 6x1 e a taxação de super-ricos.
As representações foram distribuídas da seguinte forma:
O PL, legenda do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, adotou uma estratégia jurídica calculada para evitar o erro político cometido em 2022, quando pediu e obteve uma liminar que censurou manifestações políticas no festival Lollapalooza, decisão posteriormente revertida sob forte crítica [citation:6]. Desta vez, a sigla faz questão de frisar que não busca restringir a liberdade artística, mas sim investigar o que chama de "engenharia financeira opaca" e o uso da máquina pública para turbinar o desfile.
A ação do PL, assinada pela ex-ministra do TSE Maria Claudia Bucchianeri, não pede a punição imediata de Lula, mas busca "preservar e reunir os elementos probatórios necessários para embasar futura Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE)" — o mesmo tipo de ação que resultou na condenação e inelegibilidade de Jair Bolsonaro por abuso de poder político nas reuniões com embaixadores e nas comemorações do Bicentenário da Independência em 2022.
Os principais pontos solicitados pelo PL na ação incluem:
Na petição, o PL alega que o desfile se converteu em "incontestável peça política de promoção e exaltação pessoal da figura de um pré-candidato" e que houve "transmutação de um desfile carnavalesco em uma apoteótica peça de marketing político-biográfico e de ataque a opositores". O partido também aponta "crítica grosseira" a opositores, citando alegorias que, segundo a legenda, beiraram a "intolerância religiosa" ao retratar a "família tradicional" e figuras ligadas ao conservadorismo na ala "Neoconservadores em Conserva".
O governo federal, por meio do ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, negou qualquer interferência do Planalto na concepção do desfile. Sidônio afirmou que a única orientação dada foi para que ministros evitassem comparecer à Sapucaí a fim de não gerar problemas eleitorais. Sobre as críticas da oposição, o ministro classificou como "oportunismo eleitoral" o impulsionamento de postagens contra o governo nas redes sociais e disse que a resposta jurídica caberá ao PT.
O PT, por sua vez, estuda entrar com uma representação no TSE contra o que considera uso eleitoral das críticas ao desfile. Integrantes da legenda afirmam que estão levantando informações sobre postagens impulsionadas por adversários que, na avaliação do partido, buscam gerar prejuízos à imagem do governo em ano eleitoral.
O TSE ainda não definiu prazo para julgamento das novas representações. Em 12 de fevereiro, ao rejeitar as liminares que pediam a suspensão do desfile, a Corte, por unanimidade, alertou que o carnaval era um "ambiente muito propício à ocorrência de excessos, abusos e ilícitos" e que eventuais condutas poderiam ser analisadas posteriormente — exatamente o que os partidos de oposição buscam agora.
A Acadêmicos de Niterói, que fazia sua estreia no Grupo Especial, amargou o último lugar na apuração de quarta-feira (18) e foi rebaixada, recebendo apenas duas notas 10 ao longo da votação.
Com informações de G1, CNN Brasil, Veja, O Globo, CartaCapital, InfoMoney, Broadcast/Estadão, tmc.com.br, Vero Noticias ■