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Receita afasta de chefia auditor suspeito de acessar ilegalmente dados de enteada de Gilmar Mendes
Ricardo Mansano de Moraes foi dispensado do cargo de chefe da Equipe de Gestão do Crédito Tributário; ele alega que consulta foi um "acidente" e defesa questiona falta de acesso ao processo
Politica
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■   Bernardo Cahue, 19/02/2026

A Receita Federal afastou nesta quinta-feira (19) o auditor fiscal Ricardo Mansano de Moraes do cargo de chefia que ocupava na Delegacia da Receita Federal em Presidente Prudente (SP). A dispensa foi publicada no Diário Oficial da União e atinge o servidor que é alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga o acesso indevido a dados sigilosos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e seus familiares. Mansano era chefe da Equipe de Gestão do Crédito Tributário e do Direito Creditório (Eqrat), setor responsável por análises técnicas de créditos tributários.

A investigação aponta que o auditor teria acessado, sem justificativa funcional, dados fiscais de Maria Carolina Feitosa, enteada do ministro Gilmar Mendes, filha de sua mulher, Guiomar Feitosa. De acordo com relatos de colegas e da própria associação de classe, Mansano teria afirmado que o acesso ocorreu em novembro do ano passado por "acidente" ou "infelicidade", após ler uma reportagem e se deparar com o sobrenome "Feitosa", que ele acreditava ser de um parente de um antigo colega de trabalho de Cuiabá.

O presidente da Unafisco Nacional (associação dos auditores), Kléber Cabral, detalhou que, ao digitar o nome no sistema, o auditor se deparou com um alerta de "pessoa politicamente exposta" e interrompeu a consulta. Segundo Cabral, Mansano não avançou para dados fiscais sensíveis, como declarações de Imposto de Renda, limitando-se a informações cadastrais de uma declaração antiga de 2008, e não há qualquer indício de que tenha havido vazamento das informações. "Fiz burrada", teria dito o auditor a investigadores quando a Polícia Federal cumprindo mandado de busca em sua residência na terça-feira (17).

Em nota, a defesa de Mansano, representado pelas advogadas Marianna e Camilla Chiabrando, afirmou que o servidor tem "reputação ilibada" e "jamais respondeu a qualquer falta funcional" ao longo de 19 anos de carreira. A defesa também ressaltou que ainda não teve acesso integral à investigação e "a necessidade de se evitar julgamentos precipitados ou midiáticos".

Além do afastamento da chefia e das funções públicas, o auditor está proibido de deixar a cidade onde reside, deve cumprir recolhimento domiciliar noturno, teve o passaporte recolhido e usa tornozeleira eletrônica por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, relator do caso no âmbito do inquérito das fake news. A medida gerou reação da categoria. A Unafisco classificou as cautelares como "desproporcionais" e com "objetivo intimidatório", afirmando que os servidores não podem ser transformados em "bodes expiatórios" em meio a conflitos institucionais.

O caso, no entanto, não se restringe a Mansano. Outros três servidores foram alvos da operação da PF: Luiz Antônio Martins Nunes, do Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados); Luciano Pery Santos Nascimento, técnico do seguro social lotado na Bahia; e Ruth Machado dos Santos, também técnica do seguro social, lotada em Santos (SP). Todos tiveram sigilos quebrados e medidas cautelares impostas. A investigação mais ampla busca apurar se houve uma rede de acessos ilícitos a dados de autoridades e posterior vazamento seletivo de informações, o que a Procuradoria-Geral da República classificou como uma tentativa de criar "suspeitas artificiais" contra ministros da Corte.

A Receita Federal informou que não tolera desvios e que abriu uma auditoria interna para mapear consultas a dados de ministros, familiares e outras autoridades nos últimos três anos, já tendo concluído processos que resultaram em demissões. O relatório final da investigação interna deverá ser encaminhado ao STF nos próximos dias.

Com informações de G1, UOL, O Globo, SBT News, TV Pampa / O Sul, Tribuna do Norte, Folha de Pernambuco, R7, O Antagonista ■

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