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A greve geral convocada na Argentina para esta quinta-feira (19) contra a reforma trabalhista do presidente Javier Milei provocou um apagão aéreo no país, com reflexos diretos e imediatos na conectividade com o Brasil. Dezenas de voos que ligam os dois países foram cancelados, afetando milhares de passageiros em plena temporada de verão no Cone Sul.
A paralisação de 24 horas, a quarta desde o início do governo Milei, foi convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) e coincide com o dia em que a Câmara dos Deputados debate o projeto de reforma trabalhista, já aprovado no Senado na semana passada. A adesão de pilotos, funcionários aeronáuticos e, crucialmente, dos trabalhadores da Intercargo – empresa responsável pelos serviços de rampa em todos os aeroportos do país – inviabilizou as operações regulares.
Números do impacto na aviação
O cancelamento de voos atinge a totalidade das operações em diversos aeroportos argentinos. O principal deles, o Aeroparque Jorge Newbery, em Buenos Aires, bem como o Aeroporto Internacional de Ezeiza, tiveram todas as suas atividades suspensas. O impacto por companhia é o seguinte:
Caos em Guarulhos e direitos dos passageiros
O Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, o principal hub de conexão com a Argentina, amanheceu com dezenas de voos cancelados. Segundo o painel de informações do aeroporto, pelo menos 21 voos de partida e chegada de Buenos Aires e Mendoza foram suspensos até o início da manhã. Passageiros das companhias Aerolíneas Argentinas, Latam, Gol, Delta, Air France, KLM e Ethiopian Airlines estão entre os afetados.
Diante do cenário, as empresas aéreas estão colocando em prática políticas especiais para os passageiros com bilhetes para esta quinta-feira. Em geral, os viajantes podem:
A recomendação unânime das companhias é que os passageiros não se dirijam aos aeroportos sem antes verificar o status do voo nos sites ou aplicativos oficiais.
Contexto: a reforma que parou o país
A greve geral é uma resposta ao projeto de reforma trabalhista enviado pelo governo ultraliberal de Javier Milei ao Congresso. O texto, que será debatido pelos deputados nesta quinta-feira, é considerado pelos sindicatos como "regressivo" e um aprofundamento da precarização do trabalho. Entre os pontos mais polêmicos estão:
A paralisação ocorre em um contexto econômico recessivo, com o fechamento de mais de 21 mil empresas e a perda de cerca de 300 mil postos de trabalho formal nos últimos dois anos, segundo fontes sindicais. O anúncio recente do fechamento da fábrica de pneus Fate, que demitirá mais de 900 trabalhadores, acirrou ainda mais os ânimos. Na semana passada, durante a votação do projeto no Senado, manifestações terminaram em confrontos com a polícia, deixando cerca de 30 detidos.
Com informações de UOL, AFP, Metrópoles, Pontos pra Voar, OneFootball, Coluna do Fla, Diário do Grande ABC, Reuters