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Greve geral na Argentina paralisa ponte aérea e cancela voos com o Brasil
Paralisação de 24 horas contra a reforma trabalhista de Javier Milei afeta mais de 30 mil passageiros; companhias aéreas cancelam dezenas de voos e orientam passageiros a buscarem remarcação ou reembolso
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 19/02/2026

A greve geral convocada na Argentina para esta quinta-feira (19) contra a reforma trabalhista do presidente Javier Milei provocou um apagão aéreo no país, com reflexos diretos e imediatos na conectividade com o Brasil. Dezenas de voos que ligam os dois países foram cancelados, afetando milhares de passageiros em plena temporada de verão no Cone Sul.

A paralisação de 24 horas, a quarta desde o início do governo Milei, foi convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) e coincide com o dia em que a Câmara dos Deputados debate o projeto de reforma trabalhista, já aprovado no Senado na semana passada. A adesão de pilotos, funcionários aeronáuticos e, crucialmente, dos trabalhadores da Intercargo – empresa responsável pelos serviços de rampa em todos os aeroportos do país – inviabilizou as operações regulares.

Números do impacto na aviação

O cancelamento de voos atinge a totalidade das operações em diversos aeroportos argentinos. O principal deles, o Aeroparque Jorge Newbery, em Buenos Aires, bem como o Aeroporto Internacional de Ezeiza, tiveram todas as suas atividades suspensas. O impacto por companhia é o seguinte:

  • Aerolíneas Argentinas: A estatal cancelou 255 voos em toda a sua malha aérea, incluindo 21 rotas de e para o Brasil. A empresa estima que 31 mil passageiros serão impactados, com um prejuízo econômico calculado em US$ 3 milhões.
  • Gol Linhas Aéreas: A companhia brasileira cancelou todos os voos programados para esta quinta-feira com destino a Buenos Aires, Córdoba, Mendoza e Rosário, cidades onde as operações aeroportuárias estão impossibilitadas.
  • LATAM Airlines: O Grupo LATAM informou que precisou alterar sua operação de e para a Argentina devido à notificação formal de adesão dos sindicatos da Intercargo. Alguns voos podem operar com alteração de horário, mas a orientação é que os passageiros verifiquem o status online.
  • JetSMART Airlines: A companhia de baixo custo cancelou a totalidade de seus voos domésticos na Argentina e os internacionais, impactando cerca de 96 voos e 17 mil passageiros.
  • Flybondi: Diferentemente das demais, a Flybondi transferiu suas operações do Aeroparque para o Aeroporto de Ezeiza e informou que seus voos internacionais, incluindo os para o Brasil, não foram cancelados.

Caos em Guarulhos e direitos dos passageiros

O Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, o principal hub de conexão com a Argentina, amanheceu com dezenas de voos cancelados. Segundo o painel de informações do aeroporto, pelo menos 21 voos de partida e chegada de Buenos Aires e Mendoza foram suspensos até o início da manhã. Passageiros das companhias Aerolíneas Argentinas, Latam, Gol, Delta, Air France, KLM e Ethiopian Airlines estão entre os afetados.

Diante do cenário, as empresas aéreas estão colocando em prática políticas especiais para os passageiros com bilhetes para esta quinta-feira. Em geral, os viajantes podem:

  1. Remarcar a viagem sem custo adicional para uma nova data, num prazo que varia de 15 dias a um ano, dependendo da companhia.
  2. Solicitar o reembolso integral do valor pago pela passagem.
  3. No caso da Gol, a empresa programou 10 voos extras para os dias 11 e 12 de abril para acomodar os passageiros afetados.

A recomendação unânime das companhias é que os passageiros não se dirijam aos aeroportos sem antes verificar o status do voo nos sites ou aplicativos oficiais.

Contexto: a reforma que parou o país

A greve geral é uma resposta ao projeto de reforma trabalhista enviado pelo governo ultraliberal de Javier Milei ao Congresso. O texto, que será debatido pelos deputados nesta quinta-feira, é considerado pelos sindicatos como "regressivo" e um aprofundamento da precarização do trabalho. Entre os pontos mais polêmicos estão:

  • Redução das indenizações por demissão e possibilidade de parcelamento do pagamento.
  • Extensão da jornada de trabalho para até 12 horas, mediante acordo.
  • Limitação do direito de greve em setores considerados essenciais.
  • Pagamento de salários em bens ou serviços (espécie).

A paralisação ocorre em um contexto econômico recessivo, com o fechamento de mais de 21 mil empresas e a perda de cerca de 300 mil postos de trabalho formal nos últimos dois anos, segundo fontes sindicais. O anúncio recente do fechamento da fábrica de pneus Fate, que demitirá mais de 900 trabalhadores, acirrou ainda mais os ânimos. Na semana passada, durante a votação do projeto no Senado, manifestações terminaram em confrontos com a polícia, deixando cerca de 30 detidos.

Com informações de UOL, AFP, Metrópoles, Pontos pra Voar, OneFootball, Coluna do Fla, Diário do Grande ABC, Reuters ■

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