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A Argentina amanheceu paralisada nesta quinta-feira (19) com a quarta greve geral contra o governo do presidente ultraliberal Javier Milei. A paralisação de 24 horas, convocada pela principal central sindical do país, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), ocorre no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados inicia o debate e a votação do polêmico projeto de reforma trabalhista, que já recebeu aprovação do Senado na semana passada.
A medida de força, que começou à meia-noite (horário de Brasília), promete ser mais contundente que as anteriores, com adesão massiva do setor de transportes. A CGT decidiu por uma greve "sem mobilização", mas diversos sindicatos e agrupações políticas de esquerda convocaram manifestações diante do Congresso Nacional, elevando a tensão nas imediações do parlamento.
Impactos e adesão
Os efeitos da paralisação são sentidos em toda a economia argentina. A adesão atinge setores cruciais da infraestrutura do país:
O governo respondeu à paralisação anunciando que aplicará o princípio de "dia não trabalhado, dia não pago" para os servidores públicos federais que aderirem à greve, incluindo o desconto proporcional do adicional por assiduidade.
O projeto em debate: modernização ou perda de direitos?
A reforma trabalhista em discussão é considerada a mais ampla desde a redemocratização argentina e revisa normas que datam majoritariamente dos anos 1970. O governo Milei defende que o texto é uma "modernização" necessária para reduzir a informalidade, que atinge mais de 40% do mercado de trabalho, e para estimular a criação de empregos formais ao diminuir os custos de contratação e a litigiosidade.
Entre os principais pontos do projeto, estão:
Para garantir a aprovação no Senado, o governo recuou em pontos polêmicos, como o artigo que reduzia o salário durante licenças médicas para 50% ou 75% e o que permitia o pagamento de salários em moeda estrangeira ou por carteiras digitais.
Cenário de tensão e crise econômica
A greve geral ocorre em um contexto econômico recessivo. Segundo fontes sindicais e empresariais, mais de 21 mil empresas fecharam nos últimos dois anos, resultando na perda de cerca de 300 mil postos de trabalho formal. O anúncio recente do fechamento da fábrica de pneus Fate, que demitirá mais de 900 trabalhadores, acirrou ainda mais os ânimos. Para os sindicatos, a crise do emprego não é causada pela legislação, mas pela abertura indiscriminada das importações promovida pelo governo.
Diante do risco de confrontos, o Ministério da Segurança argentino emitiu um comunicado incomum estabelecendo uma "zona exclusiva" para a imprensa e alertando os jornalistas para que evitem se posicionar entre manifestantes e as forças de segurança. "Diante de fatos de violência, nossas forças atuarão", diz o texto, que gerou preocupação na Associação de Correspondentes Estrangeiros. A lembrança dos violentos confrontos durante a votação no Senado, que deixaram cerca de 30 detidos, aumenta a apreensão para a sessão de hoje.
Enquanto isso, a expectativa do governo é concluir a votação na Câmara e promulgar a lei até 1º de março, quando Milei abrirá o período de sessões ordinárias do Congresso.
Com informações de UOL, AFP, RTP, AP News, Agência Brasil, Reuters, G1, Infobae, Perfil ■