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Rombo bilionário no FGC ultrapassa R$ 51 bilhões com liquidações de Master, Will Bank e Pleno
Fundo Garantidor de Créditos enfrenta o maior desembolso de sua história para cobrir perdas de oito instituições ligadas ao mesmo conglomerado financeiro; plano de recomposição inclui antecipação de contribuições dos bancos
Politica
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■   Bernardo Cahue, 18/02/2026

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) deverá desembolsar aproximadamente R$ 51,8 bilhões para cobrir as garantias de clientes e investidores afetados pelas liquidações extrajudiciais dos bancos Master, Will Bank e Banco Pleno, decretadas pelo Banco Central entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026. O valor, confirmado pelo próprio fundo, representa o maior rombo da história da entidade privada e equivale a quase metade do lucro dos quatro maiores bancos do país (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander) em 2025.

As liquidações atingiram, ao todo, oito instituições com vínculos diretos ou indiretos com o conglomerado do Banco Master, gerando um efeito dominó no sistema financeiro. A decomposição dos valores por instituição é a seguinte:

  • Banco Master e conglomerado: representa a maior fatia do rombo, com estimativa de R$ 40,6 bilhões em garantias a serem pagas. Até a semana passada, o FGC já havia desembolsado cerca de R$ 37 bilhões desse total.
  • Will Bank (Will Financeira): com liquidação decretada em janeiro de 2026, o banco digital deve gerar um pagamento de R$ 6,3 bilhões pelo FGC, valor que ainda pode ser ajustado após o fechamento da lista de credores.
  • Banco Pleno (ex-Voiter): a mais recente liquidação, anunciada em 18 de fevereiro, adicionou R$ 4,9 bilhões à conta. O banco, que foi vendido em 2025 ao ex-sócio do Master Augusto Lima, possui cerca de 160 mil credores elegíveis ao pagamento da garantia.

De acordo com o Banco Central, a medida extrema foi motivada pelo "comprometimento da situação econômico-financeira" das instituições, com "deterioração da situação de liquidez" e descumprimento de normas. No caso do Master e do Will Bank, houve ainda a identificação de "créditos podres" e operações fraudulentas que levaram à quebra do conglomerado. A aprovação da venda do Banco Pleno (à época Voiter) ao ex-sócio do Master, em julho de 2025, ocorreu em meio a indícios de irregularidades, o que gerou debates sobre a atuação do regulador.

Para fazer frente ao rombo, o FGC, que possui um patrimônio estimado em R$ 160 bilhões (sendo R$ 125 bilhões de liquidez imediata), aprovou um plano emergencial de recomposição de caixa com seus bancos associados. As medidas acordadas incluem:

  1. Antecipação de contribuições: os bancos vão adiantar o equivalente a cinco anos de contribuições futuras, divididas em três parcelas mensais. Novas antecipações de 12 meses estão previstas para 2027 e 2028, totalizando até sete anos de repasses adiantados.
  2. Aumento das alíquotas: haverá uma elevação extraordinária de 30% a 60% no valor pago mensalmente pelas instituições ao fundo, com vigência mínima de cinco anos.
  3. Discussão sobre compulsório: os bancos pleiteiam o uso de parte dos recursos do depósito compulsório no Banco Central para reforçar o FGC, proposta que ainda depende de aval da autoridade monetária.

Para os credores das três instituições, o FGC já iniciou os procedimentos de pagamento. No caso do Banco Pleno, o liquidante nomeado pelo BC está consolidando a lista de beneficiários. Pessoas físicas devem solicitar a garantia pelo aplicativo do FGC (disponível para Android e iOS), enquanto pessoas jurídicas utilizam o site do fundo. O pagamento é realizado em até 48 horas úteis após a assinatura digital do termo de solicitação. É importante destacar que o valor por CPF ou CNPJ está limitado a R$ 250 mil por instituição ou conglomerado financeiro. Valores acima desse teto permanecem sujeitos ao processo de liquidação, sem garantia de recebimento.

Com informações de: G1, CNN Brasil, InfoMoney, Poder360, IstoÉ Dinheiro, Agência Brasil ■

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