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Comando Sul confirma ataques a três embarcações; onze mortos em operação no Pacífico e Caribe
Campanha militar dos EUA contra o narcotráfico marítimo deixa rastro de mortos e acirra debate sobre legalidade das ações em águas internacionais
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 17/02/2026

O Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos (SOUTHCOM) confirmou na noite desta segunda-feira (16) a realização de três ataques cinéticos letais contra embarcações que navegavam no Oceano Pacífico e no Mar do Caribe. A ação, executada pela Força-Tarefa Conjunta Southern Spear, resultou na morte de 11 homens, segundo o comunicado oficial divulgado nas redes sociais pelo órgão.

De acordo com o detalhamento do ataque, as forças americanas atingiram:

  • Duas embarcaç?es no Pacífico Oriental: A primeira ação deixou quatro mortos; a segunda, outras quatro vítimas fatais.
  • Uma embarcação no Caribe: O terceiro ataque do dia resultou na morte de três tripulantes.

Em publicação no X (antigo Twitter), o Comando Sul afirmou que as embarcações estavam "transitando por rotas conhecidas de narcotráfico" e eram operadas por "Organizações Terroristas Designadas". A nota oficial garantiu ainda que não houve nenhum ferido entre os militares norte-americanos durante as operações.

Contexto da ofensiva

Os ataques de 16 de fevereiro representam a continuidade de uma campanha militar iniciada em setembro de 2025. Desde então, as Forças Armadas dos EUA intensificaram significativamente as interceptações e bombardeios contra embarcações suspeitas de transportar drogas da América do Sul em direção à América Central e aos Estados Unidos. Segundo dados compilados pela imprensa, este foi o 41º ataque do tipo, elevando o número de mortos na região para pelo menos 144 pessoas.

A ofensiva faz parte da Operação Southern Spear, que combina monitoramento aéreo, inteligência e ações letais para desarticular rotas marítimas do narcotráfico. A operação ganhou ainda mais repercussão após a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro, em uma ação que os EUA também justificaram como parte do combate ao que chamam de "narcoterrorismo".

Falta de transparência e críticas internacionais

Apesar da precisão cirúrgica dos vídeos divulgados pelo SOUTHCOM — que mostram embarcações sendo atingidas, algumas imóveis e outras em alta velocidade —, o governo norte-americano não forneceu detalhes substanciais que comprovem a ligação das vítimas com o tráfico de drogas. Até o momento, não foram apresentadas provas definitivas, como a apreensão de cargas ilícitas ou a identificação das organizações criminosas envolvidas.

Os principais pontos de controvérsia incluem:

  1. Nacionalidade das vítimas: O Comando Sul não divulgou a origem dos 11 homens mortos, nem se havia civis ou pescadores entre eles.
  2. Localização exata: As coordenadas precisas dos ataques em águas internacionais não foram reveladas, dificultando a verificação por parte de países da região.
  3. Legalidade das ações: Especialistas em direito internacional e organizações como a ONU questionam se os bombardeios não configuram execuções extrajudiciais, uma vez que os alvos não representavam uma ameaça iminente e estavam em embarcações civis.

Em fevereiro, familiares de duas vítimas de Trinidad e Tobago, mortas em um ataque anterior, entraram com uma ação judicial contra o governo dos EUA por "morte por negligência", o primeiro caso do tipo desde o início da campanha.

Reação e cenário geopolítico

O governo do presidente Donald Trump sustenta que as operações são essenciais para a segurança nacional e que os grupos atacados atuam em parceria com cartéis mexicanos e redes de tráfico que abastecem o mercado americano de drogas. No entanto, a ampliação da presença militar no Caribe também serviu a outros propósitos estratégicos, como o bloqueio petrolífero à Venezuela e a captura de Maduro, gerando desconfiança entre os governos latino-americanos.

Enquanto isso, o porta-aviões USS Gerald R. Ford, que era a peça central da flotilha na região, foi recentemente redesignado para o Oriente Médio, levantando questões sobre a redistribuição das forças navais e o futuro da Operação Southern Spear.

Com informações de UOL, G1, Veja, GZH, Correio Braziliense, Metrópoles, Euronews, Tnsul ■

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