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O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou, nesta sexta-feira (13), o julgamento que pode redefinir o alcance da Lei da Anistia (Lei 6.683/79) em relação aos crimes cometidos durante a ditadura militar (1964-1985). O relator do caso, ministro Flávio Dino, votou por afastar a aplicação da anistia aos chamados "crimes permanentes", como a ocultação de cadáver e o sequestro, cujos efeitos se prolongaram no tempo e persistiram após o período abrangido pelo perdão legal. O julgamento, no entanto, foi imediatamente suspenso por um pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes.
Em seu voto, Dino argumentou que a Lei da Anistia concedeu perdão para crimes políticos e conexos cometidos em um período específico, entre 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979. Para o ministro, a lei não pode ser interpretada como um "salvo-conduto" para delitos que continuaram a ser praticados após a sua vigência. A tese proposta pelo relator é a de que:
A decisão do STF, que terá repercussão geral, ou seja, valerá para todos os processos similares na Justiça brasileira, responde a dois recursos específicos que chegaram à Corte:
O julgamento ocorria em plenário virtual, onde os ministros depositam seus votos eletronicamente. Após o voto de Dino, o ministro Alexandre de Moraes pediu vista, solicitando mais tempo para analisar o processo. Com isso, a análise fica suspensa por até 90 dias, e o caso voltará à pauta após esse período. Mesmo com a suspensão, os demais ministros podem antecipar seus votos até a data inicialmente prevista para o fim do julgamento, 24 de fevereiro.
Para entidades de direitos humanos, a decisão do STF é aguardada com expectativa. O advogado Marcelo Uchôa, conselheiro da Comissão de Anistia, defendeu a punição, afirmando que a medida teria um caráter pedagógico e poderia desestimular novos ataques à democracia, como o de 8 de janeiro de 2023. "Se os militares que participaram desses crimes tivessem sido punidos na época, eu acho muito difícil que eles tivessem tentado dar um outro golpe no dia 8 de janeiro", declarou.
Com informações de: Agência Brasil, TV Pampa, SBT News, Folha de S.Paulo, R7 ■