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Um levantamento oficial recente trouxe à tona uma realidade cada vez mais visível nas ruas da capital argentina: a população em situação de rua cresceu alarmantes 57% nos últimos dois anos. O dado não reflete apenas uma piora econômica pontual, mas aponta para a consolidação de um drama social complexo, onde, como relatam assistentes sociais, "já há gerações inteiras que não conhecem outra coisa que a vida na calle".
O aumento, que supera em muito os índices gerais de pobreza no país, é atribuído a uma conjunção de fatores estruturais e conjunturais:
O fenômeno das "gerações inteiras" na rua é um dos aspectos mais graves. Ele significa que crianças e adolescentes estão crescendo nesse ambiente, sem referências de um lar estável, o que naturaliza a situação e dificulta enormemente sua reintegração. As consequências são profundas:
Enquanto organizações da sociedade civil pressionam por um plano nacional de inclusão com foco em moradia, o governo local tem ampliado a rede de abrigos noturnos. No entanto, para muitos especialistas, a solução vai além de um teto temporário: é necessário um sistema de acompanhamento social contínuo que ataque as causas que levaram a pessoa à rua, oferecendo suporte psicológico, formação laboral e, principalmente, uma chave de uma casa própria.
Com informações de: Agência Oficial de Estatísticas da Cidade de Buenos Aires, Observatório Social da Universidade de Buenos Aires, Coletivo de Direitos Humanos "Xumek" ■