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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) intensificou sua projeção no cenário internacional como parte da estratégia de pré-campanha à Presidência da República. Com viagens ao Oriente Médio e planos de visitar os Estados Unidos, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro se apresenta a líderes conservadores globais prometendo uma revisão profunda da política externa brasileira, ao mesmo tempo em que experimenta um crescimento consistente nas pesquisas de intenção de voto.
Na última semana de janeiro, Flávio Bolsonaro cumpriu agenda no Bahrein, onde foi recebido com protocolos reservados a chefes de Estado. Junto com seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, ele participou de um jantar privado no palácio do príncipe Sheikh Khaled bin Hamad Al Khalifa, uma das principais lideranças do país. Durante a visita, que incluiu também passagem por Israel, o pré-candidato criticou a condução da política externa do governo Lula e defendeu um "reset" nas relações do Brasil, com foco na reaproximação com nações árabes e parceiros estratégicos. A comitiva também contou com deputados federais aliados e blogueiros bolsonaristas.
O giro internacional é uma peça-chave para construir credibilidade e alinhamento geopolítico. Antes do Bahrein, Flávio esteve em Israel, onde se encontrou com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e discursou no Knesset, o Parlamento local. Na ocasião, ele acusou o presidente Lula de promover um "discurso de ódio contra os judeus". A agenda reflete uma tentativa de se cacifar junto a figuras internacionais conservadoras e religiosas, repetindo uma tática utilizada por Jair Bolsonaro durante sua campanha em 2018.
A movimentação ocorre em um momento de ascensão eleitoral. Pesquisas recentes mostram Flávio consolidando-se como o principal nome da oposição:
A candidatura de Flávio foi formalmente sacramentada em dezembro de 2025, através de uma carta escrita à mão por Jair Bolsonaro, lida pelo filho às vésperas de uma cirurgia do ex-presidente. No documento, Bolsonaro, que cumpre pena de mais de 27 anos por tentativa de golpe de Estado e está inelegível, declara: "Entrego o que há de mais importante na vida de um pai: o próprio filho, para resgatar o nosso Brasil". A indicação busca transferir o capital político e a base eleitoral do pai para o herdeiro político, num movimento de continuidade dinástica do projeto bolsonarista.
Entretanto, a tentativa de unificação da direita sob a bandeira de Flávio enfrenta divergências e tensões internas. A relação com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), oscila entre a necessidade de aliança e o desconforto com a hesitação do aliado em aderir formalmente à pré-campanha. Ruídos também ocorrem dentro do próprio PL, como a saída do ex-ministro Gilson Machado e desentendimentos sobre alianças estaduais, inclusive envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Analistas notam que o perfil e a estratégia de Flávio diferem em aspectos importantes do modelo do pai. Diferentemente de Jair Bolsonaro, que desde a pré-campanha de 2018 propagandeava um governo com "generais cinco estrelas", Flávio tem priorizado a articulação com a classe política e o convencimento do mercado financeiro, deixando uma aproximação com a esfera militar para um momento posterior. Seu entorno econômico inclui nomes como o empresário Filipe Sabará, encarregado de dialogar com o mercado, e ex-integrantes do governo Bolsonaro como Adolfo Sachsida.
Com cerca de oito meses para as eleições, o cenário aponta para uma nova polarização familiar. Enquanto Lula mantém liderança, mas parece encontrar um teto próximo aos 45% no segundo turno, Flávio Bolsonaro tenta transformar o capital do sobrenome e a insurgência internacional em um projeto de governo factível, capaz de unificar a direita e atrair o eleitorado indeciso. O sucesso dessa empreitada dependerá não apenas dos apoios externos, mas da capacidade de resolver as fissuras internas que desafiam sua campanha desde o início.
Com informações de: Folha de S.Paulo, G1, Poder360, CNN Brasil, Veja, Terra, TMC, Metrópoles, Jornal GGN ■