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O governo venezuelano, sob a presidência interina de Delcy Rodríguez, instalou oficialmente um Comitê de Atenção às Vítimas do ataque militar realizado pelos Estados Unidos em 3 de janeiro de 2026. O comité, que integra autoridades e familiares dos afetados, tem como objetivo fornecer assistência integral e acompanhamento jurídico às famílias. A criação do órgão foi orientada pela própria Rodríguez e o juramento dos integrantes foi conduzido pelo procurador-geral da República, Tarek William Saab, que os descreveu como "guardiões da memória e a voz daqueles que o terrorismo pretendeu silenciar" .
A iniciativa anda lado a lado com uma decisão simbólica do Parlamento venezuelano, que por unanimidade declarou "heróis e mártires" as pessoas mortas durante o ataque . O governo também anunciou planos para construir um monumento nacional em homenagem às vítimas .
O ataque, denominado pelos EUA como "Operação Resolução Absoluta", ocorreu nas primeiras horas da madrugada do dia 3 de janeiro e resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que foram transportados para Nova York para enfrentar acusações de narcoterrorismo . A ação foi executada pela unidade de elite Delta Force com apoio aéreo .
O saldo de vítimas do ataque varia conforme as fontes e inclui militares e civis:
A ação militar americana gerou forte condenação internacional e debates sobre sua legalidade. A Anistia Internacional emitiu um comunicado classificando a operação como um "ato de agressão" e uma violação clara da Carta das Nações Unidas, que proíbe o uso da força contra a integridade territorial de um Estado . A organização destacou que, mesmo que a justificativa de combate ao narcotráfico fosse aceita, o procedimento seria ilegal por violar a soberania venezuelana .
Internamente, o cenário é complexo. Enquanto homenageia as vítimas do ataque, o governo interino de Delcy Rodríguez também anunciou medidas como uma lei de anistia para pessoas acusadas de crimes desde 1999 e a libertação de centenas de presos políticos . No entanto, a Anistia Internacional adverte que a máquina de repressão estatal permanece intacta e que as libertações, por si só, não representam justiça ou garantias de não repetição para as vítimas de crimes contra a humanidade cometidos sob o governo Maduro .
O ataque também expôs questões sobre os protocolos militares americanos. O Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM) aparentemente não possuía um mecanismo estruturado para receber e processar relatos de baixas civis decorrentes da operação na Venezuela, obrigando o próprio Pentágono a assumir essa função . Especialistas em direito humanitário veem isso como um sinal preocupante do desmonte de políticas de proteção civil .
O comitê de vítimas surge, portanto, em um contexto de luto nacional, busca por reparação e complexas disputas políticas e jurídicas, tanto no plano interno quanto internacional. Sua formação é um esforço para institucionalizar a assistência e manter viva a memória do que o governo venezuelano e seus aliados denominam uma agressão ilegal e um crime internacional .
Com informações de: Telesur, Amnesty International, CNN Español, El País, Swissinfo (via EFE), Sputnik, CCTV, The Intercept, Wikipedia ■