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Venezuela instala comitê para vítimas de ataque e classifica mortos como heróis e mártires
Governo de Caracas busca reparação e memória após operação militar dos EUA que capturou Maduro. Anistia Internacional condena ação como "ato de agressão" que viola direito internacional
America do Sul
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRl7JaYnJ_GjP54NWLCZVaYp6ta8_rztyramg&s
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■   Bernardo Cahue, 08/02/2026

O governo venezuelano, sob a presidência interina de Delcy Rodríguez, instalou oficialmente um Comitê de Atenção às Vítimas do ataque militar realizado pelos Estados Unidos em 3 de janeiro de 2026. O comité, que integra autoridades e familiares dos afetados, tem como objetivo fornecer assistência integral e acompanhamento jurídico às famílias. A criação do órgão foi orientada pela própria Rodríguez e o juramento dos integrantes foi conduzido pelo procurador-geral da República, Tarek William Saab, que os descreveu como "guardiões da memória e a voz daqueles que o terrorismo pretendeu silenciar" .

A iniciativa anda lado a lado com uma decisão simbólica do Parlamento venezuelano, que por unanimidade declarou "heróis e mártires" as pessoas mortas durante o ataque . O governo também anunciou planos para construir um monumento nacional em homenagem às vítimas .

O ataque, denominado pelos EUA como "Operação Resolução Absoluta", ocorreu nas primeiras horas da madrugada do dia 3 de janeiro e resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que foram transportados para Nova York para enfrentar acusações de narcoterrorismo . A ação foi executada pela unidade de elite Delta Force com apoio aéreo .

O saldo de vítimas do ataque varia conforme as fontes e inclui militares e civis:

  • Vítimas militares: O Ministério da Defesa venezuelano inicialmente confirmou a morte de 24 soldados, número posteriormente revisado para 47 pelo ministro da Defesa, Vladimir Padrino López . O governo cubano informou que 32 agentes militares e de segurança cubanos, que atuavam em missão de cooperação na Venezuela, também foram mortos .
  • Vítimas civis: O ministro do Interior, Diosdado Cabello, afirmou que o ataque deixou pelo menos 100 mortos e um número similar de feridos, incluindo civis que "nada tinham a ver com o conflito" . A imprensa internacional documentou casos específicos, como o de Rosa Elena González, uma advogada de 78 anos que morreu após uma explosão derrubar a parede de seu quarto, e de Yohana Rodríguez, uma vendedora colombiana de 45 anos . Estima-se que cerca de 500 casas tenham sido destruídas .
  • Baixas americanas: O governo dos EUA confirmou que nenhum de seus soldados morreu, mas que sete militares ficaram feridos durante a operação .

A ação militar americana gerou forte condenação internacional e debates sobre sua legalidade. A Anistia Internacional emitiu um comunicado classificando a operação como um "ato de agressão" e uma violação clara da Carta das Nações Unidas, que proíbe o uso da força contra a integridade territorial de um Estado . A organização destacou que, mesmo que a justificativa de combate ao narcotráfico fosse aceita, o procedimento seria ilegal por violar a soberania venezuelana .

Internamente, o cenário é complexo. Enquanto homenageia as vítimas do ataque, o governo interino de Delcy Rodríguez também anunciou medidas como uma lei de anistia para pessoas acusadas de crimes desde 1999 e a libertação de centenas de presos políticos . No entanto, a Anistia Internacional adverte que a máquina de repressão estatal permanece intacta e que as libertações, por si só, não representam justiça ou garantias de não repetição para as vítimas de crimes contra a humanidade cometidos sob o governo Maduro .

O ataque também expôs questões sobre os protocolos militares americanos. O Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM) aparentemente não possuía um mecanismo estruturado para receber e processar relatos de baixas civis decorrentes da operação na Venezuela, obrigando o próprio Pentágono a assumir essa função . Especialistas em direito humanitário veem isso como um sinal preocupante do desmonte de políticas de proteção civil .

O comitê de vítimas surge, portanto, em um contexto de luto nacional, busca por reparação e complexas disputas políticas e jurídicas, tanto no plano interno quanto internacional. Sua formação é um esforço para institucionalizar a assistência e manter viva a memória do que o governo venezuelano e seus aliados denominam uma agressão ilegal e um crime internacional .

Com informações de: Telesur, Amnesty International, CNN Español, El País, Swissinfo (via EFE), Sputnik, CCTV, The Intercept, Wikipedia ■

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