Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
Brasil e Rússia firmam compromissos estratégicos em reunião de alto nível
Encontro entre autoridades em Brasília resulta em declaração conjunta que prevê expansão da cooperação em áreas como comércio, energia nuclear, tecnologia espacial e segurança alimentar, reforçando parceria estratégica bilateral
Politica
Foto: https://noticiainfoco.com.br/wp-content/uploads/2026/02/ec8107da30c4ca32547b674d65f0a515.jpeg
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 06/02/2026

O Palácio do Itamaraty foi palco, na quinta-feira (5), de uma movimentada agenda diplomática entre Brasil e Rússia. O ponto central foi a VIII Reunião da Comissão Brasileiro-Russa de Alto Nível de Cooperação (CAN), copresidida pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin. Após os trabalhos da comissão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu Mishustin para um encontro que tratou de temas bilaterais e da agenda global. O resultado foi uma declaração conjunta que confirma o compromisso de ambos os países com o "contínuo fortalecimento da parceria estratégica".

A declaração, assinada por Alckmin e Mishustin, serve como um roteiro abrangente para a relação bilateral. Ela enfatiza a importância do encontro entre Lula e o presidente russo, Vladimir Putin, realizado em Moscou em maio de 2025, como um impulso decisivo para a cooperação . Os principais pilares acordados incluem:

  • Ampliação da Base Econômica: Compromisso de diversificar o comércio bilateral, aumentando a participação de produtos de alto valor agregado.
  • Cooperação Técnica e Científica de Ponta: Intenção de realizar projetos conjuntos em áreas como inteligência artificial, tecnologias quânticas, energia nuclear pacífica e ciências espaciais.
  • Fortalecimento Institucional: Decisão de realizar a XIII reunião da Comissão Intergovernamental de Cooperação Econômica (CIC) ainda em 2026 e de manter ativa a Comissão para Assuntos Políticos.

Potencial econômico versus realidade comercial

Durante os discursos, tanto Alckmin quanto Mishustin reconheceram que o volume atual de comércio não reflete o pleno potencial das duas economias. Em 2025, o fluxo comercial bilateral atingiu US$ 10,9 bilhões, com um perfil marcadamente assimétrico: as exportações brasileiras somaram US$ 1,5 bilhão, enquanto as importações da Rússia alcançaram US$ 9,4 bilhões. Mishustin destacou que o Brasil é o principal parceiro comercial russo na América Latina, responsável por cerca de metade do volume comercial regional, sendo um fornecedor líder de carne e café.

Para alterar esta equação, o Fórum Empresarial Brasil-Rússia, realizado em paralelo à CAN, reuniu dezenas de empresas dos dois países. O fórum debateu a superação de obstáculos logísticos e a ampliação do uso de moedas nacionais nas transações, um tema caro a ambos os governos diante do cenário geopolítico internacional .

Segurança alimentar e fertilizantes: uma parceria crítica

Um dos temas de maior convergência prática é a segurança alimentar global. Mishustin afirmou que a cooperação bilateral permite uma contribuição conjunta para esta meta . O Brasil, como potência agroexportadora, e a Rússia, como fornecedor global crítico de fertilizantes, têm uma relação de complementaridade vital. A Rússia atende a quase um quarto da demanda brasileira por fertilizantes minerais. As autoridades concordaram em acelerar a comunicação entre agências sanitárias e promover investimentos para o desenvolvimento conjunto da produção e da infraestrutura logística deste insumo estratégico.

Agenda de cooperação técnica abrange setores estratégicos

O documento detalha uma extensa lista de áreas para colaboração futura, sinalizando a vontade de ir muito além do comércio de commodities:

  1. Energia e Nuclear Pacífico: As partes manifestaram satisfação com a cooperação em energia nuclear para fins pacíficos e interesse em expandir projetos conjuntos de geração de energia e no ciclo do combustível nuclear .
  2. Espaço e Tecnologias de Ponta: Foi ressaltada a intensa cooperação em navegação por satélite, monitoramento espacial e sensoriamento remoto, com planos de explorar novas frentes no setor . A declaração também menciona projetos conjuntos em instalações científicas "Megascience" e tecnologias quânticas .
  3. Indústria e Saúde: Identificou-se grande potencial na indústria química e farmacêutica. Mishustin pediu pessoalmente a Alckmin que agilizasse a aprovação regulatória de medicamentos russos contra câncer e diabetes no Brasil, apontando isso como crucial para novos investimentos .
  4. Meio Ambiente e Ação Multilateral: Os países se comprometeram a cooperar em proteção ambiental e a trabalhar juntos nas negociações para um acordo global legalmente vinculante sobre poluição por plásticos na ONU. Também concordaram em continuar as tratativas conjuntas sobre a Convenção da ONU sobre Cooperação Tributária Internacional .

Contexto geopolítico e defesa do multilateralismo

O encontro ocorreu em um momento de defesa explícita, por parte do Brasil, de um multilateralismo fortalecido. Segundo o Palácio do Planalto, Lula ressaltou em sua reunião com Mishustin a urgência de ações nesse sentido. A postura ecoa na declaração conjunta, que evoca os princípios de "não intervenção" e "respeito mútuo" como bases da parceria . Do lado russo, Mishustin transmitiu saudações de Putin e reiterou que Brasil e Rússia, como membros fundadores do BRICS, compartilham uma visão comum sobre a construção de uma "ordem mundial multipolar verdadeiramente equitativa".

A VIII Reunião da CAN estabeleceu marcos concretos e uma agenda ambiciosa, demonstrando que, apesar das turbulências internacionais, Brasil e Rússia optaram por aprofundar e institucionalizar sua parceria estratégica em um leque amplo de setores considerados vitais para seus projetos nacionais de desenvolvimento.

Com informações de Agência Brasil, Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Declaração Conjunta), Website do Governo da Federação Russa, CartaCapital , Brasil 247, Diplomacia Business, Agência de Notícias TASS e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) ■

Mais Notícias