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Bitcoin atinge menor patamar pós-eleição de Trump em queda que apaga "efeito" regulatório
Queda de quase 50% desde o recorde histórico, perda de US$ 2 trilhões no mercado e estagnação de projeto de lei nos EUA marcam momento de forte pressão sobre as criptomoedas
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■   Bernardo Cahue, 06/02/2026

O bitcoin registrou nesta quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, sua queda mais acentuada desde outubro de 2024, atingindo o menor valor desde a eleição do presidente americano Donald Trump. A criptomoeda chegou a ser negociada abaixo de US$ 66,7 mil (cerca de R$ 348,5 mil), uma desvalorização de quase 50% em relação ao recorde histórico de US$ 126.251,31 alcançado em outubro de 2025 . Este movimento apagou todos os ganhos acumulados após a vitória eleitoral de Trump, que havia impulsionado o mercado com promessas de um ambiente regulatório favorável . O mercado global de criptomoedas perdeu aproximadamente US$ 2 trilhões em valor desde o pico de outubro, com cerca de US$ 800 bilhões evaporando apenas no último mês .

A queda surpreende pelo seu momento, uma vez que ocorre em um período de apoio político declarado da Casa Branca. Trump, que já afirmou querer tornar os EUA a "capital mundial das criptomoedas", assinou ordens executivas para criar um marco federal para o setor e instituir uma Reserva Estratégica de Bitcoin. No entanto, a desconexão entre a retórica oficial e o desempenho do mercado evidencia que fatores econômicos e de investimento estão se sobrepondo ao otimismo político.

Analistas apontam uma combinação de fatores para a liquidação severa:

  • Nomeação de Kevin Warsh para o Federal Reserve: A indicação do próximo presidente do banco central dos EUA, vista pelo mercado como uma escolha "hawk" (agressiva no controle da inflação), gerou expectativas de que as taxas de juros podem se manter altas por mais tempo, reduzindo o apetite por ativos especulativos como o bitcoin.
  • Retiradas massivas de ETFs: Fundos de investimento em bitcoin (ETFs) registraram saídas bilionárias de capital. Apenas em janeiro, os ETFs de bitcoin à vista nos EUA tiveram saídas superiores a US$ 3 bilhões, sinalizando que investidores institucionais estão reduzindo a exposição.
  • Estagnação regulatória: O projeto de lei chamado Lei CLARITY, que visa estabelecer regras claras para o mercado de ativos digitais nos EUA, está parado no Senado, frustrando as expectativas do setor por um marco legal seguro.
  • Venda generalizada em ativos de risco: O bitcoin foi arrastado por um clima de pessimismo que também atingiu ações de tecnologia e metais preciosos, como ouro e prata, indicando uma fuga generalizada para ativos mais seguros.

A reversão de fortuna foi drástica. Após a eleição de novembro de 2024, o bitcoin iniciou uma trajetória de alta, superando a marca de US$ 100 mil pela primeira vez em dezembro daquele ano e atingindo o ápice histórico meses depois . O otimismo era alimentado pelas promessas de Trump de uma regulação mais branda, em contraste com a postura mais cética da administração anterior.

O declínio atual teve impactos diretos e significativos em empresas ligadas ao ecossistema cripto:

  • A Strategy (antiga MicroStrategy), maior detentora corporativa de bitcoin, viu o valor de suas reservas ficar abaixo do preço médio de compra. Suas participações, avaliadas em cerca de US$ 47,8 bilhões, custaram aproximadamente US$ 54,3 bilhões.
  • Corretoras como Coinbase Global e Robinhood Markets tiveram quedas acentuadas em suas ações.
  • Ativos pessoalmente ligados à família Trump também despencaram. A moeda $TRUMP caiu de cerca de US$ 45 para menos de US$ 4, e o valor de mercado do token da World Liberty Financial, empresa da família Trump, foi reduzido à metade desde setembro.

Especialistas divergem sobre os próximos passos. Alguns, como o Deutsche Bank, acreditam que a venda constante sinaliza que investidores tradicionais estão perdendo o interesse e que o bitcoin está em transição de um ativo puramente especulativo para um que precisa encontrar uma utilidade real. Outros soam o alarme: o investidor Michael Burry, famoso por prever a crise de 2008, alertou que a queda pode desencadear uma "espiral da morte" para empresas superexpostas. Enquanto isso, a empresa de investimentos Stifel chegou a projetar uma queda potencial do bitcoin para até US$ 38 mil.

Com informações de: G1, Associated Press, Forbes, Al Jazeera, Reuters via Terra, Swissinfo.ch, ABC News, CNN Brasil ■

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