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PF investiga Grupo Fictor por quatro crimes financeiros
Grupo que anunciou compra do Banco Master por R$ 3 bi tem dívida de R$ 4,3 bilhões e alega que crise reputacional gerada pelo episódio causou sua crise de liquidez
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 05/02/2026

A Polícia Federal abriu um inquérito nesta quarta-feira (4) para investigar o Grupo Fictor por crimes contra o sistema financeiro nacional. A investigação formal ocorre dias após o grupo, que no final do ano passado anunciou uma proposta de R$ 3 bilhões para comprar o Banco Master, entrar com um pedido de recuperação judicial alegando dívidas de R$ 4,3 bilhões.

De acordo com as investigações, o Fictor é alvo de apuração por quatro crimes específicos :

  • Gestão Fraudulenta
  • Apropriação indébita financeira
  • Emissão de títulos sem lastro, equiparados a valor mobiliário
  • Operar instituição financeira sem autorização

A PF já realizava investigações preliminares contra o grupo e decidiu pela abertura formal do inquérito após a identificação de indícios considerados suficientes para aprofundar as apurações.

Recuperação Judicial e Dívida Bilionária

No último domingo (1º), o Grupo Fictor protocolou um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo . O processo, que atinge as empresas Fictor Holding e Fictor Invest, busca reequilibrar as operações e assegurar o pagamento de compromissos financeiros.

Na segunda-feira (2), um juiz da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo concedeu uma liminar que suspende por 30 dias todas as ações de execução e cobrança contra as duas companhias. O magistrado ordenou um laudo pericial para avaliar as "reais condições de funcionamento" das empresas, a regularidade da documentação e alegações de existência de "pirâmide financeira" e inconsistências patrimoniais.

O grupo alega que sua crise de liquidez foi deflagrada diretamente pela tentativa frustrada de adquirir o Banco Master. Segundo a Fictor, a decretação da liquidação do banco pelo Banco Central um dia após o anúncio da aquisição atingiu sua reputação no mercado, gerando um grande volume de notícias negativas e, consequentemente, uma corrida de resgates por parte de seus "sócios participantes". O grupo informa que, desde o episódio em novembro até 30 de janeiro, os pedidos de retirada de dinheiro alcançaram cerca de 71% dos aproximadamente R$ 3 bilhões que tinha em aportes.

Quem é o Grupo Fictor

O Grupo Fictor é uma holding de investimentos fundada em 2007, com sede em São Paulo e escritórios em Miami (EUA) e Lisboa (Portugal). O grupo atua em três frentes principais:

  1. Indústria alimentícia: por meio da Fictor Alimentos, com operações em proteína animal.
  2. Serviços financeiros: atuação em crédito, meios de pagamento e gestão de fundos.
  3. Infraestrutura e energia: investimentos em logística, armazenagem e geração de energia.

A liderança do grupo inclui o fundador e CEO Rafael Góis, além dos sócios Rafael Paixão e Phillippe Rubini.

A Oferta pelo Banco Master e a "Cortina de Fumaça"

No dia 17 de novembro de 2025, o Grupo Fictor anunciou publicamente uma proposta para adquirir o controle do Banco Master, que enfrentava uma grave crise. O grupo afirmou que faria um aporte inicial de R$ 3 bilhões e que o negócio contaria com a participação de um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos, cujos nomes nunca foram divulgados.

Documentos apontam que, no mesmo dia do anúncio, sócios do Fictor registraram um aumento de capital de R$ 3 bilhões em uma empresa chamada Giuseppe Holding (posteriormente renomeada RPR Capital), elevando seu capital social de R$ 1.000 para R$ 3 bilhões. No entanto, os recursos não foram integralizados de imediato, com prazo até 2031. Dezoito dias depois, em 5 de dezembro, o aumento de capital foi cancelado, com a justificativa de que as ações "não foram integralizadas".

As autoridades receberam o anúncio com ceticismo. O Banco Central classificou a negociação como uma "cortina de fumaça", argumentando que o Grupo Fictor não teria condições reais de comprar o banco e que a divulgação teria o objetivo de desviar o foco da crise do Master e postergar ações de fiscalização. Na noite do dia 17, o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal ao tentar deixar o país, e na manhã do dia 18, o BC decretou a liquidação extrajudicial do banco.

Repercussões e Próximos Passos

A crise do Grupo Fictor começa a ter reflexos além de seus negócios financeiros. O Palmeiras, clube de futebol que tem um contrato de patrocínio de três anos com o grupo no valor de R$ 30 milhões anuais, informou que sua assessoria jurídica está analisando o caso para "tomar as medidas cabíveis" após o pedido de recuperação judicial.

Enquanto isso, as investigações da Polícia Federal seguem em curso, e o juiz responsável pela recuperação judicial aguarda o laudo pericial que deve detalhar a real situação financeira e operacional das empresas Fictor Holding e Fictor Invest antes de decidir sobre a concessão definitiva do processo de recuperação, que prevê uma suspensão de 180 dias das ações de cobrança.

Com informações de G1, Valor International, CNN Brasil, ND+, OneFootball e Folha de S.Paulo ■

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