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CPI do Banco Master: amplo apoio governista esbarra em fila regimental e disputa política
Comissão para investigar fraude de até R$ 17 bilhões tem assinaturas necessárias, mas sua instalação enfrenta incertezas devido à ordem cronológica de pedidos e à resistência de setores do Congresso
Politica
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■   Bernardo Cahue, 04/02/2026

A proposta de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados para investigar o caso do Banco Master, liquidado sob suspeita de uma fraude bilionária, reúne o apoio necessário de parlamentares, mas seu futuro é incerto. O pedido, protocolado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), conta com mais de 200 assinaturas, incluindo um apoio massivo da bancada do PT. No entanto, a decisão final depende do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que já sinalizou que respeitará a ordem cronológica de uma fila com cerca de 15 pedidos de CPI.

A movimentação ocorre em paralelo à criação de uma subcomissão no Senado Federal para acompanhar o caso, considerada pelo seu coordenador, senador Renan Calheiros (MDB-AL), "a maior fraude bancária da história brasileira", com valores que podem chegar a R$ 17 bilhões.

Apoio político e estratégias divergentes

O cenário político em torno das investigações parlamentares é fragmentado:

  • Apoio Petista: A bancada do PT tornou-se a maior apoiadora da CPI na Câmara, com 45 de seus 68 deputados assinando o requerimento de Rollemberg. A decisão é vista internamente como uma forma de buscar controle sobre o tema, diante do risco de o caso atingir figuras ligadas ao governo.
  • Neutralidade Governamental: Apesar do apoio do partido, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que o "governo não tem posição sobre CPIs" e que "vai enfrentar a situação que vier", deixando a decisão a cargo do Congresso.
  • Resistência à CPMI da Oposição: Paralelamente, partidos de oposição, liderados pelo PL, articulam uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), de escopo mais amplo. O PT e aliados se recusam a apoiá-la, alegando que o objetivo é "politizar" o caso e criar um "palanque eleitoral".
  • Acusações de Estratégia: Líderes da oposição acusam os governistas de apoiar a CPI de Rollemberg por saberem que ela tem "dificuldades de avançar" devido à fila regimental, chamando o apoio de "para inglês ver".

As múltiplas frentes de investigação

O caso Banco Master é investigado por várias frentes, que uma eventual CPI buscaria complementar ou sobrepor:

  1. Subcomissão do Senado (CAE): Instalada em 4 de fevereiro e presidida por Renan Calheiros, tem poder para propor quebras de sigilo, convocar autoridades e acompanhar as apurações. Seu foco inclui a atuação do Banco Central e a tentativa de venda do Master ao BRB.
  2. Investigações Judiciais e Policiais: A Polícia Federal conduz um inquérito sob sigilo no STF, com depoimentos de ex-executivos do Master e do ex-presidente do BRB marcados para janeiro e fevereiro. O esquema suspeito envolve a emissão de até R$ 12,2 bilhões em títulos de crédito sem lastro.
  3. Papel do Banco Central: O BC, que decretou a liquidação do Master em novembro de 2025, é alvo de críticas por suposta demora na intervenção e também de uma inspeção determinada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), contra a qual a autarquia recorreu.

Próximos capítulos e desafios

Os próximos passos dependem de decisões políticas e regimentais:

  • Decisão da Presidência da Câmara: O presidente Hugo Motta tem a palavra final sobre quando pautar a CPI. Ele afirmou que o fará "no momento oportuno", respeitando a fila cronológica.
  • Foco na Tentativa BRB-Master: A CPI proposta por Rollemberg teria escopo restrito para investigar as negociações entre o Banco Master e o BRB, um banco público do Distrito Federal, que podem ter causado um prejuízo de ao menos R$ 5 bilhões aos cofres públicos.
  • Pressão por Respostas: A dimensão do escândalo, com suspeitas de envolvimento de figuras políticas e do Judiciário, aumenta a pressão por uma investigação parlamentar, ainda que especialistas alertem para o risco de uma CPI "atrapalhar mais do que ajudar" a coordenação entre as autoridades competentes.

Com informações de: CNN Brasil, Valor International, Agência Brasil, Agência Senado, Valor Econômico, O Globo, Portal da Capital ■

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