Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
Segundo apartamento escondido levam à prisão de ex-presidente da Rioprevidência
Descoberta de imóvel alugado no mesmo prédio e remoção de malas após batida policial foram decisivas para a Justiça decretar a prisão temporária de Deivis Marcon Antunes
America do Sul
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRr-1ziTjiEhny2_jFFsldmW7VpzpD66ULOzQ&s
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 04/02/2026

A prisão temporária do ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, na terça-feira (3), foi diretamente motivada pela descoberta de um segundo apartamento alugado por ele no mesmo prédio onde residia, em Botafogo, Zona Sul do Rio. Após a primeira fase da Operação Barco de Papel, em 23 de janeiro, investigadores da Polícia Federal (PF) identificaram que um homem entrou nesse imóvel não inicialmente localizado e retirou malas do local. As imagens das câmeras de segurança do prédio que poderiam registrar a movimentação foram apagadas, levantando fortes suspeitas de destruição de provas.

Diante desses novos indícios, a PF solicitou e a Justiça autorizou a prisão preventiva de Deivis, além de outras duas pessoas, e nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Santa Catarina. A 6ª Vara Federal Criminal do Rio expediu os mandados com base no risco concreto de obstrução das investigações.

Versão da defesa e prisão de aliados

Em depoimento à PF, Deivis Antunes apresentou sua defesa. Ele afirmou que mantinha o segundo apartamento para receber parentes e amigos de Santa Catarina, seu estado natal. Sobre as malas, declarou que foram retiradas por um amigo de infância, identificado como Rodrigo, e que continham apenas pertences pessoais dele. O ex-presidente também negou ter apagado ou ordenado a exclusão das imagens de segurança.

A polícia, no entanto, prendeu na mesma noite, em Itapema (SC), o próprio Rodrigo e o irmão dele, Rafael. Contra os dois também pesavam mandados de prisão temporária, pois são apontados como responsáveis pela retirada de objetos do apartamento após a operação inicial.

Contexto: as aplicações bilionárias e de alto risco no Banco Master

A Operação Barco de Papel investiga graves irregularidades na gestão do Rioprevidência, o fundo de previdência dos servidores do estado do Rio. O foco são aplicações de aproximadamente R$ 970 milhões em letras financeiras do Banco Master, realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024. Esses títulos são considerados de alto risco por não terem a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

  • Risco ao patrimônio: As aplicações colocaram em risco os recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores estaduais e seus dependentes.
  • Crimes investigados: A PF apura crimes como gestão fraudulenta, desvio de recursos públicos, associação criminosa e corrupção passiva.

Falhas de governança e alertas ignorados

Um mês antes da operação, em 10 de dezembro, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) já havia recomendado por unanimidade o afastamento imediato de Deivis Antunes e de outros dois integrantes da cúpula do Rioprevidência. A recomendação foi baseada em uma auditoria que apontou graves omissões, como a falta de análise técnica para os investimentos no Banco Master e a concentração excessiva de recursos em um único emissor em crise.

Apesar disso, Deivis só deixou o cargo em 23 de janeiro, horas após ser alvo da primeira fase da operação. Documentos mostram que a exoneração partiu de um pedido dele, embora o governador Cláudio Castro tenha divulgado nota afirmando que determinou o afastamento.

Como e onde ocorreu a prisão

Deivis Marcon Antunes foi preso na manhã de terça-feira (3) na altura de Itatiaia, no Sul Fluminense. Ele retornava de uma viagem aos Estados Unidos: havia desembarcado no Aeroporto de Guarulhos (SP) e seguia de carro alugado para o Rio quando foi interceptado por uma ação conjunta da PF e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Após a prisão, foi conduzido à Superintendência da PF no Rio e, em seguida, encaminhado ao presídio de Benfica. Sua audiência de custódia está prevista para esta quarta-feira (4).

O que acontece agora?

  1. Audiência de custódia: Deivis Antunes deve ser apresentado à Justiça para que um juiz avalie a legalidade de sua prisão e decrete, ou não, sua prisão preventiva.
  2. Continuação das investigações: A PF segue com as análises dos itens apreendidos nas duas fases da operação para detalhar as suspeitas de gestão fraudulenta e obstrução da justiça.
  3. Desdobramentos políticos e administrativos: O caso deve pressionar por explicações sobre por que as recomendações do TCE-RJ para afastar os gestores não foram seguidas imediatamente.

Com informações de: CBN, G1, Deutsche Welle (DW), Correio Braziliense, Metrópoles, Agência Brasil, InfoMoney, Revista Fórum, BandNews TV ■

Mais Notícias