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O Ministério Público Militar (MPM) protocolou nesta terça-feira (3) no Superior Tribunal Militar (STM) um pedido para que o ex-presidente Jair Bolsonaro seja declarado indigno para o oficialato e, consequentemente, perca seu posto e patente de capitão reformado do Exército. A ação é um desdobramento direto da condenação definitiva de Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes como golpe de Estado e organização criminosa, com pena de 27 anos e três meses de prisão .
Em uma representação de 19 páginas, o procurador-geral da Justiça Militar, Clauro Roberto de Bortolli, afirmou que o ex-presidente "organizou um golpe contra as instituições" e agiu com "descaso" para com os "preceitos éticos mais básicos" da carreira militar . Bortolli sustenta que Bolsonaro usou sua patente e a estrutura do Estado para, por pelo menos um ano e meio, voltar-se "através de grave ameaça e violência, contra o funcionamento regular dos Poderes Constitucionais" .
O pedido se baseia no artigo 142 da Constituição, que prevê a perda de posto e patente para o militar condenado, com trânsito em julgado (sem possibilidade de recurso), a pena privativa de liberdade superior a dois anos . Além de Bolsonaro, também são alvos de representações idênticas o almirante Almir Garnier Santos e os generais da reserva Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto, igualmente condenados na ação da trama golpista no STF .
As oito violações éticas listadas pelo MPMO procurador-geral elencou oito deveres fundamentais previstos no Estatuto dos Militares que teriam sido frontalmente desrespeitados por Bolsonaro :
Bortolli foi enfático ao concluir que "são incontroversas... a gravidade dos delitos cometidos e a violação dos preceitos éticos militares" e que a intensidade delas "aponta para a declaração de indignidade" .
Julgamento inédito e tramitação no STMO caso é considerado inédito, pois o STM jamais analisou a expulsão de militares por crimes contra a democracia, muito menos de oficiais da mais alta patente . A corte não reabrirá o mérito da condenação criminal, já transitada em julgado, mas avaliará exclusivamente se as condutas pelos quais os militares foram condenados os tornam indignos de permanecer nos quadros das Forças Armadas .
A presidente do STM, ministra Maria Elizabeth Rocha, afirmou que os processos serão colocados em pauta para julgamento assim que os relatores prepararem seus votos, prometendo celeridade . Diferentemente do processo no STF, cada um dos cinco militares terá seu caso analisado por um relator diferente no STM . Os designados foram:
Há expectativa de que o julgamento possa ocorrer ainda em 2026, embora não haja prazo definido. A corte é composta por 15 ministros: 10 militares (do Exército, Marinha e Aeronáutica) e 5 civis . Em caso de empate no plenário, a presidente Maria Elizabeth Rocha tem o voto de minerva, que por regimento deve ser favorável ao réu .
Contexto e possíveis implicaçõesNos últimos oito anos, o STM acolheu mais de 90% dos pedidos de expulsão feitos pelo MPM, mas esses casos geralmente envolviam crimes como estelionato, peculato e corrupção . O processo contra os condenados pela trama golpista é o primeiro por crimes contra a democracia.
Se o STM declarar a indignidade, a medida representa a expulsão das Forças Armadas. O militar perde o posto, a patente e todos os vencimentos, podendo apenas haver direito a pensão para cônjuge ou filhos em determinadas condições . Além disso, ele pode ser transferido para o sistema prisional comum, deixando de ter a possibilidade de cumprir pena em presídio militar .
As defesas dos militares já começaram a se manifestar. O advogado de Braga Netto, por exemplo, afirmou que a perda da patente "tornaria essa injustiça ainda mais grave", enquanto a defesa de Heleno disse que atuará para demonstrar que ele é "exemplo de dedicação, disciplina e serviço ao país" . A CNN Brasil informou que procurou a defesa de Bolsonaro e aguarda posição .
Com informações de: G1, CNN Brasil, Estadão, Brasil 247, BBC News Brasil, Folha de S.Paulo, Valor Econômico ■