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Nesta terça-feira, 3 de fevereiro, milhares de colombianos devem sair às ruas em diversas praças do país em uma jornada de mobilização convocada para expressar apoio ao presidente Gustavo Petro, defender a soberanía nacional, o salário vital e a participação democrática. Os atos ocorrem no mesmo dia em que o mandatário de esquerda se reúne com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em um encontro crucial para destravar as tensas relações bilaterais.
Os protestos têm como base três eixos principais:
A coincidência de datas não é acidental e adiciona uma camada de complexidade política ao dia. O encontro com Trump busca resolver graves atritos, incluindo ameaças anteriores de intervenção militar feitas por Washington, sanções financeiras contra Petro e sua família, e o cancelamento do visto do presidente colombiano. Como gesto de reaproximação, o governo colombiano retomou na semana passada os voos de deportação de cidadãos do país a partir dos EUA, após oito meses de suspensão. Petro espera apresentar dados sobre o combate ao narcotráfico para modificar a percepção negativa de Trump.
As mobilizações ocorrem em um contexto eleitoral sensível, com eleições presidenciais marcadas para maio, nas quais Petro é constitucionalmente proibido de concorrer à reeleição. Seu sucessor natural na coalizão de esquerda Pacto Histórico é o senador Iván Cepeda, que lidera algumas pesquisas, embora com a oposição crescendo. A aprovação do governo Petro permanece baixa, em torno de 35%, segundo pesquisa de janeiro de 2026. Internamente, setores do movimento popular criticam o governo por considerar que ele “se pautou pela direita” e não enfrentou suficientemente o poder do grande empresariado.
As marchas de hoje representam, portanto, um duplo movimento político: são ao mesmo tempo uma demonstração de força da base petrista em um momento de tensão internacional e uma mensagem interna de que, apesar das críticas e das alianças pragmáticas, existe um setor disposto a defender seu projeto de “agenda de mudanças” nos últimos meses de governo. O sucesso da convocatória será medido não apenas pelo número de pessoas nas praças, mas pelo seu impacto na correlação de forças internas e na capacidade de negociação de Petro com os Estados Unidos.
Com informações de: CNN Brasil, Congresso em Foco, Latin America Reports, Folha de S.Paulo, Brasil de Fato, The Hindu, Observador
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