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Completa-se nesta segunda-feira, 3 de fevereiro, um mês da operação militar norte-americana que resultou na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e da primeira-dama, Cilia Flores. Em resposta, centenas de partidários do chavismo realizaram uma vigília na Avenida Urdaneta, em Caracas, exigindo a libertação do casal, que está detido em Nova York sob acusações de narcoterrorismo .
O ataque, ocorrido em 3 de janeiro de 2026, causou, segundo fontes oficiais venezuelanas, cerca de 100 mortos e um número similar de feridos . A operação, descrita pelo governo dos Estados Unidos como uma ação de aplicação da lei com base em acusações federais de 2020, foi amplamente condenada internacionalmente como uma violação grave da soberania e do direito internacional .
Especialistas em direito internacional contestam veementemente a base legal apresentada por Washington. Margaret Satterthwaite, relatora especial da ONU, afirmou que um país "não pode aplicar sua lei no território de outro Estado" sem consentimento, mesmo que exista um indiciamento . Professores consultados pela Al Jazeera classificaram a ação como "claramente ilegal" e uma derrubada de governo por meio de força militar .
Apesar disso, o governo Trump defende sua posição. O vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio, invocaram os indiciamentos por narcoterrorismo como justificativa, com Rubio afirmando que a ação visava "proteger e defender" os agentes que cumpriam o mandado . Analistas apontam que, internamente, tribunais norte-americanos podem reivindicar jurisdição com base na Doutrina Ker-Frisbie, que prevê jurisdição independentemente de como o réu foi capturado, um precedente usado no caso do ex-líder panamenho Manuel Noriega .
Internamente, a Venezuela vive um período de mudanças aceleradas e incerteza sob o governo interino de Delcy Rodríguez, que assumiu após uma decisão do Tribunal Supremo de Justiça que citou a "ausência forzosa" de Maduro .
As transformações mais significativas incluem:
Para muitos venezuelanos, o clima é de ambivalência. "É uma mudança importante, certamente, mas tudo está igual, tudo", refletiu um aposentado de 74 anos em Caracas . Enquanto simpatizantes do chavismo realizam vigílias, um misto de esperança por melhorias econômicas e medo de represálias ou de nova violência predomina na população .
A ação dos EUA gerou uma onda de repúdio entre governos e movimentos sociais, especialmente no Sul Global. Vigílias semelhantes à de Caracas ocorreram em frente à embajada venezuelana em San Vicente e Granadinas . Líderes regionais condenaram o ato:
Analistas políticos enxergam no episódio um exemplo do que chamam de "hiperimperialismo", onde os EUA, diante da erosão de sua dominância econômica, recorrem de forma mais explícita ao seu poderio militar unilateral para garantir interesses estratégicos, como o acesso a recursos naturais .
O futuro imediato da Venezuela parece atado a um delicado e contraditório jogo diplomático. Enquanto o governo interino negocia a reabertura de embaixadas e novas leis com Washington, seus partidários marcham nas ruas para exigir a libertação de seu líder. O desfecho deste embate definirá não apenas o destino de Maduro, mas os limites da soberania na política internacional contemporânea .
Com informações de: teleSUR, Ministerio del Poder Popular para Relaciones Exteriores de Venezuela (MPPRE), Al Jazeera, Swissinfo, ABC News, Efecto Cocuyo, Venezuelanalysis, UCLA Newsroom, JD Supra ■