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O estado de São Paulo registrou 834 mortes em decorrência de ações policiais ao longo de 2025, conforme dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) . Este é o terceiro aumento anual consecutivo no indicador desde que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) assumiu o cargo, e representa o maior patamar da série recente . O número inclui intervenções de policiais civis e militares, tanto em serviço quanto de folga, e significa um acréscimo de 21 mortes em relação a 2024 .
Do total de vítimas de 2025, a esmagadora maioria, 700 casos, envolveu agentes em serviço . O perfil das vítimas é majoritariamente masculino (823), com predominância de pessoas identificadas como pardas (419) e brancas (262) .
A trajetória de crescimento da letalidade na gestão atual reverte uma tendência de queda observada anteriormente. A escalada foi contínua desde a posse de Tarcísio:
Em 2024, o cenário foi marcado por operações de grande impacto, como a Operação Verão na Baixada Santista, que sozinha resultou em 56 mortes e foi considerada a ação mais letal da PM paulista desde o Massacre do Carandiru em 1992 . O aumento em 2025 chama a atenção por ter ocorrido mesmo na ausência de uma megaoperação com essas características . O último trimestre de 2025 (outubro a dezembro) foi o mais letal já registrado, com 276 mortes, uma média de três vítimas por dia .
O ano de 2025 foi marcado por uma mudança significativa na política de uso de câmeras corporais pela Polícia Militar. A partir de junho, começou a implantação de um novo modelo de equipamentos que, diferentemente do sistema anterior, não realiza gravação ininterrupta . A alteração seguiu um acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após o governo ter determinado, no início do mandato, a retirada dos dispositivos .
O acordo no STF prevê diretrizes como a elaboração de normas operacionais, mecanismos de fiscalização e a publicação de relatórios periódicos . Entidades de controle, no entanto, manifestam preocupação. A Conectas, que participou do acordo, critica a falta de transparência e argumenta que o fim da gravação contínua pode ter reduzido o "efeito inibitório" que induz à prevenção da violência . O ouvidor das polícias de São Paulo, Mauro Caseri, também questiona a cobertura real, estimando que apenas 12,5% dos policiais em atividade por turno estão com câmeras, e defende mais investimento em armas não letais .
Os dados mostram que o aumento das mortes por PMs em serviço foi mais acentuado justamente no segundo semestre de 2025, após o início da nova política: 306 mortes no primeiro semestre contra 366 no segundo .
Especialistas apontam que o problema vai além do modelo técnico das câmeras. Para Rafael Alcadipani, professor da FGV e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o aumento reflete a ausência de uma política consistente de comando, supervisão e responsabilização . Ele afirma que discursos das autoridades no início da gestão, contrários às políticas de mitigação de força, podem ter passado à tropa a mensagem de que excessos seriam tolerados .
"Vários discursos do governador e do secretário batiam de frente com as políticas de mitigação do uso da força. Os policiais entenderam que houve uma mudança de postura institucional, e agiram em cima disso", analisa Leonardo Silva, pesquisador sênior do Fórum Brasileiro de Segurança Pública . Para ele, a alta letalidade indica a necessidade de uma repactuação das ações do Executivo e de medidas mais efetivas no controle externo da atividade policial .
O aumento da letalidade policial contrasta com a trajetória de outros indicadores de crimes contra a vida no estado. Pelo terceiro ano consecutivo, São Paulo registrou a menor taxa de homicídios dolosos da série histórica iniciada em 2001: 5,46 por 100 mil habitantes, com 2.527 vítimas no total (queda de 3,9% frente a 2024) . No interior do estado, a redução foi ainda mais expressiva, de quase 8% .
Entretanto, a cidade de São Paulo contrariou a tendência estadual e viu os homicídios aumentarem 6,4% em 2025, interrompendo uma sequência de quatro anos de quedas .
Outro dado que avança na contramão da queda geral dos assassinatos é o de feminicídios, que bateu recorde histórico. No estado, foram 270 vítimas em 2025 (alta de 6,7%), e na capital, 60 mortes (alta de 22,4%) .
A Secretaria de Segurança Pública (SSP), em respostas oficiais, afirmou que todas as ocorrências com mortes decorrentes de intervenção policial são rigorosamente investigadas pelas polícias, com acompanhamento das corregedorias, Ministério Público e Poder Judiciário . A pasta também destacou que, desde 2023, mais de 1,2 mil agentes foram presos, demitidos ou expulsos por desvios de conduta .
Em nota, a SSP buscou fazer uma comparação com a gestão anterior, afirmando que, somados os três primeiros anos do governo Tarcísio, houve uma redução de aproximadamente 5% nos números de mortes em confrontos com policiais na comparação com os três primeiros anos da administração passada . O secretário Osvaldo Nico Gonçalves atribuiu a queda nos roubos e outros crimes ao fortalecimento das ações de segurança pública e ao uso integrado de inteligência e tecnologia .
Com informações de: G1, Brasil de Fato, CNN Brasil, Agência SP, Brasil 247, Folha de S.Paulo ■