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Trump ordena reabertura do espaço aéreo à Venezuela
Medida anunciada após conversa telefônica entre os líderes contrasta com encontro reservado com a opositora María Corina Machado e sinaliza preferência por transição controlada em Caracas
America do Sul
Foto: https://www.otempo.com.br/content/dam/otempo/editorias/mundo/2026/1/29/mundo-donald_trump-venezuela-espaco_aereo-1769725138.jpg
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■   Bernardo Cahue, 30/01/2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (29) a reabertura do espaço aéreo comercial sobre a Venezuela para voos internacionais, uma medida concreta no processo de normalização das relações com o governo interino de Delcy Rodríguez. O anúncio foi feito na Casa Branca após uma conversa telefônica entre os dois líderes. Trump afirmou ter instruído o secretário de Transportes, Sean Duffy, e autoridades militares para que a abertura fosse efetivada "até o final do dia".

"Acabo de falar com a presidenta da Venezuela e a informei que vamos abrir todo o espaço aéreo comercial sobre a Venezuela", declarou Trump. "Os cidadãos americanos poderão ir muito em breve à Venezuela e estarão seguros lá". A última aerolínea norte-americana a operar rotas comerciais diretas foi a American Airlines, que suspendeu seus voos em 2019, após a ruptura de relações diplomáticas. Fontes do setor indicam que a companhia já prepara planos para retomar suas operações no país, pendentes de aprovações governamentais e avaliações de segurança.

Este gesto ocorre em um momento de redefinição da política externa norte-americana para a Venezuela, que inclui:

  • Reconhecimento de Delcy Rodríguez: Trump tem se referido publicamente à mandatária chavista como uma "pessoa estupenda", com quem os EUA "trabalham muito bem", um contraste radical com a retórica anterior contra o regime de Nicolás Maduro.
  • Reabertura gradual da embaixada: O Departamento de Estado notificou o Congresso sobre a intenção de retomar, de forma faseada, as operações da embaixada norte-americana em Caracas, com o envio de funcionários temporários para funções diplomáticas selecionadas.
  • Encontro discreto com a oposição: Horas antes do anúncio sobre o espaço aéreo, Trump recebeu em um almoço reservado a líder opositora e Nobel da Paz, María Corina Machado. O encontro, sem a pompa usual, reforçou a percepção de que Washington a coloca em um plano secundário na transição.

O reposicionamento segue a operação militar de 3 de janeiro, que resultou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, agora detidos nos EUA. Desde então, a Casa Branca tem tratado Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente de Maduro, como sua principal interlocutora legítima no país.

Paralelamente à abertura aérea, avançam os entendimentos na área econômica. Pouco após o telefonema de Trump, o governo de Delcy Rodríguez sancionou uma reforma abrangente da lei de hidrocarbonetos, reduzindo impostos e ampliando a autonomia para produtores privados. A medida, que reverte políticas de nacionalização vigentes por duas décadas, visa atrair investimentos estrangeiros para a indústria petrolífera, alinhando-se a um plano de reconstrução do setor proposto pelos EUA. Trump vinculou abertamente a abertura do espaço aéreo a esta perspectiva econômica: "Temos as grandes companhias petrolíferas a caminho da Venezuela... vão trazer de volta uma riqueza tremenda para a Venezuela e para os Estados Unidos".

Apesar da cooperação, sinais de tensão aparecem. No último final de semana, Delcy Rodríguez declarou publicamente que "ya basta de las órdenes de Washington sobre políticos en Venezuela". Questionado sobre o comentário, Trump respondeu: "Bueno, no sé exactamente qué está pasando allí, pero no he escuchado eso en absoluto", minimizando publicamente o atrito.

Para a oposição venezuelana tradicional, a sequência de eventos — elogios a Rodríguez, reunião discreta com Machado e agora a reabertura aérea — confirma uma estratégia de Washington que marginaliza suas demandas por uma mudança de regime imediata. Apesar de ter entregado a Trump sua medalha do Nobel da Paz em gesto de agradecimento, Machado não obteve um endosso público à sua liderança. A portavoz da Casa Branca, Karoline Leavitt, chegou a afirmar que o presidente "segue duvidando da capacidade de Machado para suceder a Maduro".

Com informações de: BBC, ABC, Observador, CNN Brasil, El País, Tercera Información, El Comercio, ECO, SwissInfo ■

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