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A corrida presidencial de 2026 já tem seu primeiro “bate cabeça” interno. O PSD, partido do ministro Gilberto Kassab, tornou-se palco de uma disputa surda entre três governadores - Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Júnior (PR) e Eduardo Leite (RS) - que brigam pela atenção do líder para se tornar o nome do partido ao Planalto. Enquanto isso, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que poderia ser um natural articulador desse campo, optou por correr por fora e se alinhar ao bolsonarismo, um movimento que, segundo análises, "apequenou" seu protagonismo político. O racha no campo oposicionista fica completo com a candidatura própria de Flávio Bolsonaro (PL), que não dá trégua aos rivais e busca seus próprios aliados.
A definição de quem será o candidato do PSD está prevista para meados de abril, após o prazo de desincompatibilização dos governadores. Diferentemente de processos como as prévias do PSDB em 2021, o partido descartou a realização de uma consulta formal com a militância. A escolha será feita por "diálogo e discussão interna", segundo Eduardo Leite, que comparou o método ao caminho adotado anteriormente por seu ex-partido. Os três pré-candidatos firmaram um compromisso público de que os dois não escolhidos apoiarão integralmente a campanha do terceiro, embora não haja acordo sobre a vaga de vice-presidente. Ratinho Júnior chegou a afirmar que o partido tem quadros para lançar uma chapa "puro-sangue", ou seja, composta apenas por filiados, sem a necessidade imediata de alianças externas.
Paralelamente, a figura que poderia unificar esse espectro, Tarcísio de Freitas, seguiu o caminho oposto. Após visitar Jair Bolsonaro na Papudinha, acompanhado do vereador Carlos Bolsonaro, o governador de São Paulo deixou claro seu alinhamento ao núcleo duro do bolsonarismo. Para aliados do PSD, Tarcísio sinalizou que buscará a reeleição em São Paulo, abrindo espaço para a competição interna no partido de Kassab. Analistas interpretam que, ao fazer essa escolha, Tarcísio abriu mão de liderar uma "direita democrática" e se isolou na extrema-direita, tornando-se um "apêndice do clã" sob vigilância política. Ele próprio declarou que Bolsonaro vê com bons olhos a candidatura de Caiado, pois no final todos estariam unidos contra o PT.
A estratégia do PSD é se apresentar como uma alternativa de centro-direita no "pós-bolsonarismo", fugindo da polarização Lula-Bolsonaro, que, segundo Ratinho Júnior, faz o Brasil "andar de lado". No entanto, o projeto esbarra em um obstáculo concreto: a falta de apoio nos maiores colégios eleitorais do país.
O racha no campo oposicionista é visto de forma diferente pelos principais contendores. Aliados de Flávio Bolsonaro apostam que uma pulverização de candidaturas no primeiro turno pode beneficiá-lo, concentrando o voto bolsonarista e permitindo que ele angarie apoios no segundo turno. Já a cúpula do PT avalia que a divisão na direita abre um flanco para explorar divergências entre os candidatos. Enquanto isso, o PSD busca ampliar seu arco de alianças com partidos do centrão, como MDB, PP e Republicanos. A tendência entre essas legendas, no entanto, é a neutralidade, para preservar alianças regionais diversas e focar nas eleições para o Congresso.
Com informações de: G1, Folha de S.Paulo, Poder360, Plató, CNN Brasil, InfoMoney ■