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Brasil e França condenam em uníssono ataque dos EUA à Venezuela e defendem ordem internacional
Em telefonema, Lula e Macron classificam intervenção militar como violação do direito internacional e alertam para risco ao multilateralismo
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 28/01/2026

Em uma demonstração de alinhamento diplomático, os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da França, Emmanuel Macron, condenaram conjuntamente a ação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Durante um telefonema de aproximadamente uma hora na terça-feira (27), os dois líderes classificaram a operação, ocorrida em 3 de janeiro, como uma violação flagrante ao direito internacional e defenderam o fortalecimento das Nações Unidas.

A posição conjunta marca uma evolução nas declarações de ambos os líderes. Pouco após o ataque, Macron havia celebrado no X (antigo Twitter) que a Venezuela estava "livre da ditadura" e apoiado uma transição sob o opositor Edmundo González. Já o governo brasileiro, em seus primeiros comunicados, expressou preocupação, mas foi criticado por uma postura excessivamente neutra. O telefonema parece consolidar uma frente diplomática crítica à forma da intervenção.

Contexto da Operação e Reações Imediatas

A ação militar norte-americana foi anunciada pelo presidente Donald Trump como uma operação que capturou Nicolás Maduro e sua esposa, Cília Flores. O governo dos EUA justificou o ato como uma "operação policial cirúrgica" para aplicar a lei e prender um "traficante de drogas". Trump afirmou que os EUA assumiriam temporariamente a administração do país, gerando imediata rejeição da vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, que assumiu interinamente e denunciou a violação da soberania.

A comunidade internacional reagiu de forma dividida:

  • Condenação: China, Rússia, Cuba, Irã e a maioria dos países latino-americanos, como México, Chile e Colômbia, repudiaram o ataque.
  • Apoio: A Argentina, sob Javier Milei, e Trinidad e Tobago defenderam a operação como um avanço contra o narcoterrorismo.
  • Preocupação Institucional: O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse estar "profundamente alarmado", e a União Europeia defendeu uma transição pacífica e democrática.

A Firmação da Posição Brasileira

A postura do Brasil se intensificou com o passar dos dias. Na reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU em 5 de janeiro, o embaixador Sérgio Danese foi enfático ao declarar que o Brasil "rechaça a intervenção americana". Ele argumentou que os ataques e a captura de Maduro "ultrapassam um limite inaceitável" e constituem "uma grave afronta à soberania", criando um "precedente extremamente perigoso".

Em artigo de opinião publicado no *The New York Times* em 18 de janeiro, o presidente Lula aprofundou a crítica, contextualizando-a como parte de uma erosão da ordem multilateral. "Não seremos subservientes a iniciativas hegemônicas", escreveu Lula, destacando que esta seria a primeira vez em mais de 200 anos que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos EUA. Finalmente, em 27 de janeiro, durante evento do MST na Bahia, Lula nomeou Maduro pela primeira vez, declarando-se "indignado" e questionando: "como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país?".

Além da Venezuela: A Defesa do Sistema Multilateral

O telefonema entre Lula e Macron abordou outra questão sensível: a proposta norte-americana de criar um "Conselho de Paz", encabeçado por Trump, que seria uma alternativa paralela à ONU. Ambos os presidentes defenderam o fortalecimento das Nações Unidas, concordando que qualquer iniciativa em matéria de paz e segurança deve estar alinhada aos mandatos do Conselho de Segurança e à Carta da ONU.

O embaixador Danese já havia ligado os eventos na Venezuela a um cenário global de enfraquecimento da governança internacional, citando inclusive a crise humanitária em Gaza. Para o Brasil, a defesa de princípios como a não-intervenção, a solução pacífica de controvérsias e a autodeterminação dos povos é vista como vital para a estabilidade global, especialmente em uma região que se declara, como lembrou Lula, um "território de paz".

Além do tema Venezuela, Lula e Macron discutiram a aceleração das negociações do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, visto por ambos como um pilar do multilateralismo e do comércio baseado em regras.

Com informações de BBC News Brasil, Diário de Pernambuco, G1, Brasil de Fato, Poder360, TMC, Estadão e Agência Brasil ■

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