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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu publicamente, nesta terça-feira (27), que a solução para a crise na Venezuela deve ser encontrada exclusivamente pelo seu povo, em declarações feitas durante o Fórum Económico Internacional da América Latina e Caribe 2026, no Panamá. “Quem vai encontrar uma solução para o povo da Venezuela é o próprio povo venezuelano. Não vai ser o Brasil, não vão ser os EUA, vai ser a Venezuela”, afirmou Lula, reiterando seu posicionamento contrário a intervenções externas.
As declarações ocorrem em um contexto de alta tensão após a intervenção militar ordenada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no início de janeiro. O ataque resultou na captura do então presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores, e deixou mais de 100 mortos, conforme condenado publicamente por Lula. O governo brasileiro, juntamente com outros países, classificou a ação como uma “violação flagrante ao direito internacional”.
A posição brasileira tem se equilibrado entre a defesa intransigente da soberania e a prudência diplomática. Fontes do Itamaraty indicam que o governo mantém distância para não interferir, mas monitora atentamente a situação com o objetivo de evitar uma escalada para o caos político e social na Venezuela. O Brasil reconheceu a presidente interina, Delcy Rodríguez – que assumiu após a captura de Maduro –, e Lula confirmou ter mantido duas conversas com ela, esperando poder falar novamente em breve.
Paralelamente, o Palácio do Planalto mantém canais abertos com Washington. Na segunda-feira (26), Lula e Trump conversaram por 50 minutos por telefone. De acordo com o governo brasileiro, Lula ressaltou “a importância de preservar a paz e a estabilidade da região e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano”. Os dois presidentes também celebraram a melhora na relação bilateral, que resultou na redução de tarifas para produtos brasileiros, e acertaram uma visita de Lula a Washington para março.
A abordagem de Lula reflete uma tentativa de mediação complexa. Internamente, o governo avalia que o comando de Maduro se tornou “quase radioativo” e é indefensável, motivo pelo qual Lula se afastou do líder venezuelano em meados de 2024, ao não reconhecer o resultado das eleições daquele ano. Em outubro de 2024, o Brasil ainda vetou a entrada da Venezuela no bloco dos BRICS, um movimento considerado hostil por Caracas. Agora, diante da intervenção militar, a diplomacia brasileira busca reposicionar-se como um ator conciliador, defendendo a autonomia regional.
Este reposicionamento fica claro na ação multilateral. Junto com Espanha, Chile, Colômbia, México e Uruguai, o Brasil assinou um comunicado conjunto expressando “profunda preocupação e rechaço” pelas ações militares unilaterais em território venezuelano. O documento reafirma que a América Latina e o Caribe são uma “zona de paz” e que a situação no país deve ser resolvida por “vias pacíficas”, sem ingerências externas.
Com informações de: teleSUR, UOL, Swissinfo, Yahoo Noticias, Globovisión, CartaCapital, La Moncloa ■