Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
EUA pressionam Bolívia a expulsar iranianos e endurecer postura contra militantes
Segundo fontes, Washington também quer que La Paz designe Guarda Revolucionária, Hezbollah e Hamas como organizações terroristas; iniciativa faz parte de esforço mais amplo para conter influência iraniana na América Latina
America do Sul
Foto: https://media.gazetadopovo.com.br/2025/11/09141603/rodrigo-paz-discurso-posse-bolivia-540x304.jpg.webp
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 24/01/2026

O governo dos Estados Unidos está pressionando a Bolívia a expulsar supostos espiões iranianos de seu território e a adotar uma postura mais dura contra grupos militantes considerados aliados do Irã, de acordo com informações exclusivas da agência Reuters divulgadas nesta sexta-feira (24/01).

A pressão diplomática, conduzida de forma reservada, inclui pedidos específicos para que o governo boliviano:

  • Expulse elementos iranianos suspeitos de atividades de inteligência;
  • Classifique a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) como organização terrorista;
  • Designe o grupo armado libanês Hezbollah e o palestino Hamas como organizações terroristas.

As fontes, que pediram anonimato por tratar-se de conversas sensíveis, afirmam que a iniciativa integra uma campanha mais ampla dos EUA para ampliar sua influência geopolítica na América Latina e diminuir a de adversários, principalmente o Irã.

Contexto geopolítico e importância da Bolívia

A Bolívia, um país sem saída para o mar com 12 milhões de habitantes, tornou-se um ponto estratégico para as operações diplomáticas e de inteligência do Irã no continente. Especialistas apontam que o “clima político permissivo, a fiscalização mais branda e a localização central” do país o tornam um hub atraente para Teerã e seus aliados.

Rick de la Torre, ex-alto oficial da CIA, explicou que, enquanto a Venezuela é a principal base iraniana na região, a Bolívia e a Nicarágua funcionam como “nodos secundários”. A presença do Hezbollah na região, inclusive com alegações de tentativas de ataque em países vizinhos, preocupa as autoridades americanas.

Mudança no cenário político boliviano

Os EUA enxergam uma janela de oportunidade com a eleição do presidente centrista Rodrigo Paz, em outubro de 2025, que pôs fim a quase duas décadas de governos de esquerda. Seu governo, que herdou uma grave turbulência econômica, tem buscado recompor os laços com Washington e atrair investimentos privados.

Em dezembro de 2025, os EUA tornaram a Bolívia elegível para recursos de subvenção da Millennium Challenge Corporation, um sinal do desejo de reaproximação. Essa mudança contrasta com os governos anteriores de Evo Morales e Luis Arce, que aprofundaram os laços com o Irã em nome da luta contra o “imperialismo americano”.

Campanha regional dos EUA

A ofensiva na Bolívia não é um caso isolado. Os Estados Unidos têm advogado pela designação de grupos ligados ao Irã como terroristas em outros países da região:

  • No Equador, em setembro de 2025, a IRGC, o Hamas e o Hezbollah foram classificados como terroristas.
  • Na Argentina, a Força Quds (braço exterior da IRGC) foi designada como grupo terrorista na semana passada.
  • Fontes indicam que os EUA também avaliam iniciativas semelhantes no Chile, Peru e Panamá.

Além disso, após a operação para capturar o presidente venezuelano Nicolás Maduro no início de janeiro, os EUA pressionaram o governo interino de Delcy Rodríguez a reduzir a cooperação econômica e de segurança entre Caracas e Teerã.

Reações e próximos passos

Até o momento, o governo boliviano não tomou uma decisão definitiva. O Ministério das Relações Exteriores da Bolívia afirmou que “ainda não há uma posição completamente definida sobre esse assunto”. O Departamento de Estado dos EUA e a missão iraniana na ONU se recusaram a comentar.

A delegação americana, que incluiu funcionários do Departamento de Estado e da inteligência, esteve em La Paz neste mês para discutir as designações terroristas. A resposta final da Bolívia dependerá de cálculos políticos internos e da avaliação dos benefícios de uma relação mais estreita com Washington.

Com informações de: Reuters, UOL Notícias, G1, TMC ■

Mais Notícias