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O governo dos Estados Unidos está pressionando a Bolívia a expulsar supostos espiões iranianos de seu território e a adotar uma postura mais dura contra grupos militantes considerados aliados do Irã, de acordo com informações exclusivas da agência Reuters divulgadas nesta sexta-feira (24/01).
A pressão diplomática, conduzida de forma reservada, inclui pedidos específicos para que o governo boliviano:
As fontes, que pediram anonimato por tratar-se de conversas sensíveis, afirmam que a iniciativa integra uma campanha mais ampla dos EUA para ampliar sua influência geopolítica na América Latina e diminuir a de adversários, principalmente o Irã.
A Bolívia, um país sem saída para o mar com 12 milhões de habitantes, tornou-se um ponto estratégico para as operações diplomáticas e de inteligência do Irã no continente. Especialistas apontam que o “clima político permissivo, a fiscalização mais branda e a localização central” do país o tornam um hub atraente para Teerã e seus aliados.
Rick de la Torre, ex-alto oficial da CIA, explicou que, enquanto a Venezuela é a principal base iraniana na região, a Bolívia e a Nicarágua funcionam como “nodos secundários”. A presença do Hezbollah na região, inclusive com alegações de tentativas de ataque em países vizinhos, preocupa as autoridades americanas.
Os EUA enxergam uma janela de oportunidade com a eleição do presidente centrista Rodrigo Paz, em outubro de 2025, que pôs fim a quase duas décadas de governos de esquerda. Seu governo, que herdou uma grave turbulência econômica, tem buscado recompor os laços com Washington e atrair investimentos privados.
Em dezembro de 2025, os EUA tornaram a Bolívia elegível para recursos de subvenção da Millennium Challenge Corporation, um sinal do desejo de reaproximação. Essa mudança contrasta com os governos anteriores de Evo Morales e Luis Arce, que aprofundaram os laços com o Irã em nome da luta contra o “imperialismo americano”.
A ofensiva na Bolívia não é um caso isolado. Os Estados Unidos têm advogado pela designação de grupos ligados ao Irã como terroristas em outros países da região:
Além disso, após a operação para capturar o presidente venezuelano Nicolás Maduro no início de janeiro, os EUA pressionaram o governo interino de Delcy Rodríguez a reduzir a cooperação econômica e de segurança entre Caracas e Teerã.
Até o momento, o governo boliviano não tomou uma decisão definitiva. O Ministério das Relações Exteriores da Bolívia afirmou que “ainda não há uma posição completamente definida sobre esse assunto”. O Departamento de Estado dos EUA e a missão iraniana na ONU se recusaram a comentar.
A delegação americana, que incluiu funcionários do Departamento de Estado e da inteligência, esteve em La Paz neste mês para discutir as designações terroristas. A resposta final da Bolívia dependerá de cálculos políticos internos e da avaliação dos benefícios de uma relação mais estreita com Washington.
Com informações de: Reuters, UOL Notícias, G1, TMC ■