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Brasil e China alinham posições para fortalecer sul global e reformar a ONU
Declaração conjunta na cúpula do bloco reforça compromisso com ordem internacional mais representativa e justa, com foco em reformas multilaterais e financiamento climático
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 23/01/2026

Contexto Estratégico do Diálogo

O recente diálogo entre os presidentes do Brasil e da China ocorre em um momento estratégico, com o Brasil exercendo a presidência do BRICS em 2025 e a presidência da COP 30, e a China consolidando seu papel de liderança no bloco ampliado. A conversa reiterou compromissos assumidos na 17ª Cúpula do BRICS, realizada no Rio de Janeiro em julho de 2025, cujo tema foi justamente "Fortalecer a Cooperação do Sul Global para uma Governança Mais Inclusiva e Sustentável". Este alinhamento bilateral é um motor central para a agenda coletiva do grupo, que agora inclui novas potências emergentes.

Compromisso com uma Ordem Internacional Mais Representativa

O cerne do entendimento entre os dois líderes gira em torno da defesa de reformas profundas nas estruturas de governança global. Eles endossaram a Declaração do Rio de Janeiro, documento que clama por uma adaptação da arquitetura internacional para "melhor refletir as realidades contemporâneas". Os pontos principais incluem:

  • Reforma da ONU: Há um "forte apelo por reformas" nos principais órgãos das Nações Unidas, buscando maior representatividade para países em desenvolvimento.
  • Reforma das Instituições Financeiras: Defesa urgente da modernização do FMI e do Banco Mundial (instituições de Bretton Woods) para torná-las "mais eficazes, críveis, inclusivas e responsáveis".
  • Maior Participação: Compromisso com a garantia de "participação maior e mais significativa" de economias emergentes, países em desenvolvimento e nações menos desenvolvidas, especialmente da África e da América Latina, nos processos decisórios globais.

O BRICS Ampliado: Um Novo Panorama Geopolítico

A cooperação Brasil-China se dá no contexto de um BRICS significativamente expandido, que aumentou seu peso geopolítico e econômico. O bloco histórico (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul) agora integra oficialmente:

  1. Egito
  2. Etiópia
  3. Indonésia
  4. Irã
  5. Arábia Saudita
  6. Emirados Árabes Unidos (EAU)

Além disso, nações como Belarus, Bolívia, Cuba, Cazaquistão, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã têm status de países parceiros do BRICS. Essa expansão reforça a capacidade do bloco de atuar como uma voz coletiva do Sul Global.

Ação Conjunta em Mudança Climática e Inovações Financeiras

O combate às mudanças climáticas é uma área de convergência prática entre Brasília e Pequim. Ambos os países se comprometeram a trabalhar pelo sucesso da COP 30, que será realizada em Belém, Brasil, no final de 2025. Uma iniciativa destacada é o apoio ao mecanismo Tropical Forest Forever Facility (TFFF), que deve ser lançado na conferência. Este fundo inovador visa mobilizar "financiamento de longo prazo baseado em resultados para a conservação das florestas tropicais", com os dois líderes encorajando contribuições de países doadores potenciais.

Agenda Ampliada: IA, Saúde e Governança Digital

O diálogo também abrangeu temas da nova agenda global, refletindo acordos mais amplos do BRICS. Para além da declaração principal, os líderes do bloco adotaram:

  • A Declaração de Estrutura dos Líderes do BRICS sobre Financiamento Climático.
  • O Comunicado dos Líderes do BRICS sobre a Governança Global da Inteligência Artificial (IA).
  • O lançamento da Parceria BRICS para a Eliminação de Doenças Socialmente Determinadas.

Esses documentos mostram que a parceria estratégica vai muito além da retórica, materializando-se em ações concretas em setores críticos para o desenvolvimento futuro.

Próximos Passos e Liderança Rotativa

O Brasil, como presidente do BRICS em 2025, tem a tarefa de implementar os compromissos ambiciosos da Declaração do Rio de Janeiro e preparar o terreno para a COP 30. Em 2026, a presidência do bloco passará para a Índia, que sediará a 18ª Cúpula do BRICS e já tem sua candidatura para sediar a COP 33 em 2028 aprovada pelo grupo. Essa transição coordenada entre membros fundadores assegura continuidade na agenda de reformas e fortalece a cooperação Sul-Sul como um contrapeso na governança mundial.

Com informações de: sdg.iisd.org ■

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