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O Banco Central (BC) decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A., popularmente conhecida como Will Bank, encerrando definitivamente as atividades do banco digital que atendia mais de 12 milhões de clientes. A decisão, consequência direta do colapso do conglomerado Master, desencadeia o maior processo de ressarcimento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) desde a liquidação do Banco Master, com uma estimativa de desembolso de R$ 6,3 bilhões para proteger os correntistas e investidores.
Com a decisão publicada em 21 de janeiro de 2026, todas as operações do Will Bank foram imediatamente interrompidas. Os clientes perderam o acesso a serviços como transferências, Pix e a funcionalidade do cartão de crédito, já que a Mastercard havia bloqueado a aceitação dos cartões da instituição dias antes devido a inadimplência. O aplicativo do banco foi substituído por um aviso sobre a liquidação, gerando uma onda de reclamações nas redes sociais de usuários que não conseguiram mover seus recursos.
O BC nomeou a mesma empresa responsável pela liquidação do Banco Master, a EFB Regimes Especiais de Empresas Ltda., como liquidante da Will Financeira. Como medida padrão em processos do tipo, a autoridade monetária determinou também o bloqueio dos bens dos controladores e ex-administradores da instituição. Entre os nomes listados estão Daniel Vorcaro, Armando Miguel Gallo Neto, Felipe Wallace Simonsen e as holdinges financeiras do grupo.
O Will Bank possuía um perfil de cliente majoritariamente das classes C, D e E, focando em inclusão financeira. Com o fim das atividades, a grande preocupação é o destino dos valores aplicados. A garantia do FGC cobre os seguintes produtos, até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, considerando o conjunto de instituições do conglomerado Master:
Um ponto crucial é a consolidação de limites. Clientes que já foram ressarcidos em até R$ 250 mil na liquidação do Banco Master ou de outras instituições do mesmo conglomerado não terão direito a valores adicionais pela quebra do Will Bank. Para valores totais superiores a R$ 250 mil, o excedente não tem a garantia do FGC e seu eventual recebimento dependerá do longo processo de liquidação judicial da massa falida.
O pagamento pelo FGC não é automático. Os correntistas e investidores precisam solicitar ativamente a garantia. O processo, que será totalmente digital, segue as seguintes etapas:
A liquidação do Will Bank é um capítulo seguinte à falência do seu controlador, o Banco Master, liquidado em novembro de 2025. Naquele momento, o BC tentou preservar o Will Bank colocando-o sob um Regime de Administração Especial Temporária (RAET), na expectativa de encontrar um comprador. Houve negociações com um investidor árabe, mas elas não prosperaram.
O estopim final ocorreu em 19 de janeiro, quando a Will Financeira não honrou pagamentos devidos à Mastercard. A bandeira, então, bloqueou sua participação no arranjo de pagamentos, tornando os cartões inúteis e tornando insustentável a continuidade das operações. Dados do BC de setembro de 2025 já mostravam a gravidade da situação: a instituição tinha R$ 14,2 bilhões em passivos e um patrimônio líquido negativo de R$ 76 milhões.
A liquidação do Will Bank testa novamente os mecanismos de proteção do sistema financeiro brasileiro em um curto espaço de tempo. Enquanto o FGC se mobiliza para outro gigantesco processo de ressarcimento, milhões de clientes, muitos de baixa renda, enfrentam a incerteza e a inconveniência de ter seus recursos temporariamente travados. O caso evidencia os riscos de concentrar aplicações acima do limite garantido em uma única instituição ou conglomerado e coloca sob os holofotes a eficácia da regulação em momentos de crise sistêmica dentro de um grupo financeiro.
Com informações de: G1, FinSiders Brasil, CNN Brasil, R7, Sou de Palmas, Metrópoles, InfoMoney ■