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Ex-primeira-dama busca intercessão de Gilmar Mendes por domiciliar de Bolsonaro
Alegações da defesa relatam preocupação com a saúde do ex-Presidente, buscando acompanhamento médico ostensivo e permanente
Politica
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■   Bernardo Cahue, 16/01/2026

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro realizou uma reunião nesta semana com o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), para pedir que ele interceda pela concessão de prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente Jair Bolsonaro . O encontro, confirmado por fontes ao G1 e ao Metrópoles, faz parte de uma série de esforços da família e de aliados para alterar o regime de prisão de Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos por tentativa de golpe de Estado .

Argumentos da defesa e preocupações com a saúde

Michelle relatou a Gilmar Mendes as condições de saúde do marido, preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, e buscou uma sensibilização por razões humanitárias . Os argumentos principais da família e da defesa são:

  • Episódios de saúde: A defesa cita o estado de saúde do ex-presidente, incluindo uma queda dentro da cela no dia 6 de janeiro, que teria causado um traumatismo craniano leve, crises de soluço, tonturas e alucinações .
  • Medicações: A queda e os episódios de confusão mental são atribuídos, segundo médicos e pela defesa, a efeitos colaterais de medicamentos, como a pregabalina, que interage com outros remédios de uso contínuo .
  • Receio de emergência: Michelle afirmou não saber o horário exato da queda do ex-presidente, o que, na visão dela, indicaria que a PF "não está preparada para socorrê-lo, em caso de emergência" .

Resposta do STF: transferência para a Papuda e negativas reiteradas

Em resposta aos pedidos, o ministro relator do caso, Alexandre de Moraes, tomou duas decisões principais na quinta-feira (15): negou um novo pedido de prisão domiciliar e determinou a transferência de Bolsonaro para uma sala no Complexo Penitenciário da Papuda, conhecida como "Papudinha" .

Na decisão, Moraes foi enfático ao negar o domiciliar. Ele citou:

  • Ausência de requisitos legais para a concessão .
  • Risco concreto de fuga, lembrando os reiterados descumprimentos de medidas cautelares e o episódio em que Bolsonaro tentou romper sua tornozeleira eletrônica com um ferro de solda .
  • Que as condições da cela na PF já eram "absolutamente excepcionais e privilegiadas" .

A nova cela na Papuda tem cerca de 65 m², com quarto, sala, cozinha, banheiro, área externa e direito a cinco refeições diárias. Moraes determinou ainda que uma junta médica da PF avalie o estado de saúde do ex-presidente em até 10 dias .

Movimentação política nos bastidores

A reunião de Michelle com Gilmar Mendes não é um esforço isolado. Há uma movimentação política em andamento:

  • O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) também teria feito contato com pelo menos quatro ministros do STF para tratar do assunto, apelando para o estado de saúde de Bolsonaro .
  • Michelle demonstra disposição para "falar com qualquer ministro que queira ouvir seus argumentos" .
  • Um grupo de 145 deputados federais assinou uma petição ao STF pedindo a prisão domiciliar, fato que foi publicamente agradecido por Michelle nas redes sociais .

Analistas apontam que, nos bastidores, há um cálculo político de que um agravamento do estado de saúde de Bolsonaro na prisão poderia deteriorar a imagem do STF e validar narrativas de perseguição entre seus apoiadores . No entanto, o risco de fuga continua sendo considerado o maior obstáculo para qualquer concessão .

O que esperar nos próximos dias

O caso segue com os seguintes desdobramentos imediatos:

  1. Bolsonaro deve ser transferido para as novas instalações na Papudinha .
  2. Uma junta médica da Polícia Federal tem até 10 dias para realizar uma perícia e avaliar o quadro clínico do ex-presidente e as condições do novo local .
  3. O ministro Alexandre de Moraes analisará o laudo médico e, com base nele, poderá reavaliar – mas não necessariamente conceder – o pedido de prisão domiciliar .

Enquanto isso, a pressão política da família e de aliados sobre o Supremo Tribunal Federal deve continuar, embora as decisões até o momento indiquem manutenção da postura rigorosa do relator, Alexandre de Moraes .

Com informações de: Metrópoles, CNN Brasil, ICL Notícias, Agência Brasil - EBC, Folha de S.Paulo, Jovem Pan, G1, UOL ■

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