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EUA apreendem petroleiro "Veronica" no Caribe
Navio estava com bandeira da Guiana quando foi interceptado por soldados norte-americanos
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 15/01/2026

Nesta quinta-feira (15/01), forças militares dos Estados Unidos apreenderam o petroleiro Veronica no Mar do Caribe. A embarcação, que navegava com a bandeira da Guiana, é acusada de fazer parte da chamada "frota fantasma" utilizada pelo regime venezuelano para burlar sanções internacionais, sendo o sexto navio-tanque interceptado pelos EUA em semanas recentes.

A operação, batizada de "Southern Spear", foi conduzida antes do amanhecer por fuzileiros navais e marinheiros que partiram do porta-aviões USS Gerald R. Ford. Segundo o Comando Sul dos EUA, a abordagem ocorreu "sem incidentes". A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, divulgou um vídeo que mostra tropas descendo de helicóptero por cordas até o convés do petroleiro. Em suas redes sociais, Noem afirmou que a ação prova mais uma vez que "não há como fugir ou escapar da justiça.

Contexto de uma Ofensiva Abrangente

A apreensão do Veronica não é um evento isolado. Ela faz parte de uma campanha militar e diplomática mais ampla da administração do presidente Donald Trump para assumir o controle do petróleo venezuelano. Essa ofensiva intensificou-se drasticamente após a captura e remoção para os EUA do presidente venezuelano Nicolás Maduro, no início deste mês.

O objetivo declarado é impor um "bloqueio total" ou quarentena contra navios sancionados que tentam entrar ou sair da Venezuela. Para os oficiais americanos, a "frota fantasma" é uma rede de embarcações que utilizam práticas obscuras para transportar petróleo venezuelano e iraniano, financiando regimes sancionados.

Operação Southern Spear: Uma Cronologia de Apreensões

A campanha de interceptação começou em dezembro de 2025 e já registra várias ações significativas:

  • 10 de Dezembro de 2025: Apreensão do petroleiro Skipper (ex-Adisa) no Caribe. O navio estava sob sanções dos EUA por supostamente financiar o Corpo da Guarda Revolucionária Iraniana e o Hezbollah.
  • 20 de Dezembro de 2025: Interceptação do petroleiro Centuries, de bandeira panamenha.
  • 07 de Janeiro de 2026: Um dia de grande atividade, com duas apreensões em diferentes oceanos:
    1. O petroleiro Marinera (ex-Bella 1) foi capturado no Atlântico Norte, perto da Islândia, após uma perseguição épica de 19 dias. O navio havia uma bandeira russa no casco, e gerou uma crise diplomática.
    2. No mesmo dia, no Caribe, foi apreendido o petroleiro M/T Sophia, que carregava cerca de 2 milhões de barris de petróleo venezuelano.
  • 15 de Janeiro de 2026: Apreensão do petroleiro Veronica, a sexta captura confirmada.

A Tensão Geopolítica com a Rússia

A perseguição e captura do Marinera/Bella 1 elevou a tensão entre Washington e Moscou a um novo patamar. A Rússia, aliada chave de Maduro, reagiu com veemência à apreensão de um navio que passara a hastear sua bandeira.

  • Posicionamento Russo: O Ministério dos Transportes russo declarou que "nenhum Estado tem o direito de usar força contra embarcações" de outras jurisdições e que as comunicações com o navio foram perdidas. O Ministério das Relações Exteriores exigiu tratamento humano para a tripulação russa e chamou a ação americana de "violação grosseira" do direito marítimo internacional.
  • Posicionamento Americano: A Casa Branca declarou que o Marinera foi considerado um navio "sem bandeira" por hastear uma bandeira falsa, justificando a ação. A secretária de imprensa, Karoline Leavitt, afirmou que a tripulação seria levada aos EUA para possível processo judicial.
  • Envolvimento Britânico: O Reino Unido forneceu apoio logístico e de vigilância aérea para a interceptação do Marinera, argumentando que o navio estava envolvido em atividades ilegais que financiam o terrorismo global.

Os Objetivos Econômicos e o Futuro do Petróleo Venezuelano

Para além da aplicação de sanções, a administração Trump tem um claro objetivo econômico: redirecionar o fluxo do petróleo venezuelano. Na semana passada, o presidente anunciou um acordo para que a Venezuela entregue entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos, um volume que pode valer cerca de US$ 2 bilhões.

O plano de longo prazo é ainda mais ambicioso. Trump já se reuniu com executivos do setor petrolífero para discutir um investimento de US$ 100 bilhões para reparar e modernizar a deteriorada infraestrutura de produção e distribuição de petróleo da Venezuela. As apreensões de navios, portanto, servem tanto como um meio de pressionar o novo governo interino venezuelano a cooperar, quanto de bloquear rotas alternativas de exportação que não passem pelo controle americano.

Questionamentos no Direito Internacional

As ações dos EUA no Atlântico Norte e no Caribe levantam debates complexos sobre a governança dos mares. Especialistas apontam que, embora os navios devam estar sob a proteção do país cuja bandeira hasteiam, a prática de mudar de bandeira e nome durante uma viagem é, em si, uma violação do direito marítimo internacional.

Analistas de inteligência marítima, como Dimitris Ampatzidis da Kpler, explicam que a ação dos EUA é motivada pela identidade subjacente do navio (seu número IMO) e seu histórico de sanções, não pela bandeira que apresenta no momento. Assim, uma mudança de registro pode causar atritos diplomáticos, mas não impediria necessariamente uma ação de fiscalização com base em mandados judiciais americanos.

Com informações de: G1, BBC, The Guardian, Estadão, NBC News, Associated Press, Público ■

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