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Nesta quinta-feira (15/01), forças militares dos Estados Unidos apreenderam o petroleiro Veronica no Mar do Caribe. A embarcação, que navegava com a bandeira da Guiana, é acusada de fazer parte da chamada "frota fantasma" utilizada pelo regime venezuelano para burlar sanções internacionais, sendo o sexto navio-tanque interceptado pelos EUA em semanas recentes.
A operação, batizada de "Southern Spear", foi conduzida antes do amanhecer por fuzileiros navais e marinheiros que partiram do porta-aviões USS Gerald R. Ford. Segundo o Comando Sul dos EUA, a abordagem ocorreu "sem incidentes". A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, divulgou um vídeo que mostra tropas descendo de helicóptero por cordas até o convés do petroleiro. Em suas redes sociais, Noem afirmou que a ação prova mais uma vez que "não há como fugir ou escapar da justiça.
A apreensão do Veronica não é um evento isolado. Ela faz parte de uma campanha militar e diplomática mais ampla da administração do presidente Donald Trump para assumir o controle do petróleo venezuelano. Essa ofensiva intensificou-se drasticamente após a captura e remoção para os EUA do presidente venezuelano Nicolás Maduro, no início deste mês.
O objetivo declarado é impor um "bloqueio total" ou quarentena contra navios sancionados que tentam entrar ou sair da Venezuela. Para os oficiais americanos, a "frota fantasma" é uma rede de embarcações que utilizam práticas obscuras para transportar petróleo venezuelano e iraniano, financiando regimes sancionados.
A campanha de interceptação começou em dezembro de 2025 e já registra várias ações significativas:
A perseguição e captura do Marinera/Bella 1 elevou a tensão entre Washington e Moscou a um novo patamar. A Rússia, aliada chave de Maduro, reagiu com veemência à apreensão de um navio que passara a hastear sua bandeira.
Para além da aplicação de sanções, a administração Trump tem um claro objetivo econômico: redirecionar o fluxo do petróleo venezuelano. Na semana passada, o presidente anunciou um acordo para que a Venezuela entregue entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos, um volume que pode valer cerca de US$ 2 bilhões.
O plano de longo prazo é ainda mais ambicioso. Trump já se reuniu com executivos do setor petrolífero para discutir um investimento de US$ 100 bilhões para reparar e modernizar a deteriorada infraestrutura de produção e distribuição de petróleo da Venezuela. As apreensões de navios, portanto, servem tanto como um meio de pressionar o novo governo interino venezuelano a cooperar, quanto de bloquear rotas alternativas de exportação que não passem pelo controle americano.
As ações dos EUA no Atlântico Norte e no Caribe levantam debates complexos sobre a governança dos mares. Especialistas apontam que, embora os navios devam estar sob a proteção do país cuja bandeira hasteiam, a prática de mudar de bandeira e nome durante uma viagem é, em si, uma violação do direito marítimo internacional.
Analistas de inteligência marítima, como Dimitris Ampatzidis da Kpler, explicam que a ação dos EUA é motivada pela identidade subjacente do navio (seu número IMO) e seu histórico de sanções, não pela bandeira que apresenta no momento. Assim, uma mudança de registro pode causar atritos diplomáticos, mas não impediria necessariamente uma ação de fiscalização com base em mandados judiciais americanos.
Com informações de: G1, BBC, The Guardian, Estadão, NBC News, Associated Press, Público ■