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Presidentes do Brasil e Rússia alinham posições sobre a Venezuela
Contato telefônico entre Lula e Putin buscar coordenação de esforços para redução das tensões norte-americanas na região
Politica
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■   Bernardo Cahue, 14/01/2026

Em uma conversa telefônica realizada na manhã desta quarta-feira (14), os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Vladimir Putin discutiram a crise na Venezuela e concordaram em coordenar esforços para reduzir a tensão na região. A ligação, confirmada pelo Palácio do Planalto, foi a primeira conversa internacional oficial do presidente russo em 2026.

Segundo comunicado divulgado pelo Kremlin, os líderes trocaram opiniões sobre questões internacionais, com foco na situação na Venezuela. Ambos reafirmaram o apoio à soberania e aos interesses nacionais do país sul-americano. Ficou acordado que a coordenação conjunta aconteceria em fóruns multilaterais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e o grupo BRICS.

Pano de fundo: a operação americana e a queda de Maduro

A conversa ocorre em meio às reverberações da operação militar conduzida pelos Estados Unidos em 3 de janeiro, que resultou na captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. A ação, descrita pelo governo Trump como policial, tinha como base acusações de narcoterrorismo contra Maduro, que foi levado para Nova York.

O governo americano oferecia uma recompensa por informações que levassem à prisão de Maduro, valor que escalou de US$ 15 milhões em 2020 para US$ 50 milhões em agosto de 2025. A intervenção direta marcou um ponto de inflexão em anos de tensão entre Washington e Caracas.

A posição russa: do tratado estratégico à resposta contida

A reação inicial da Rússia à queda de seu aliado foi notavelmente contida. Apenas expressou "preocupação" e pediu a libertação de Maduro. Esta cautela surpreendeu muitos observadores, considerando que, em maio de 2025, Putin e Maduro haviam assinado um Tratado de Parceria Estratégica e Cooperação em Moscou.

Analistas ouvidos pela DW apontam que a guerra na Ucrânia é um fator central para a postura reservada do Kremlin. Com o retorno de Donald Trump à Casa Branca e uma mudança do papel dos EUA de parceiro de Kyiv para mediador, a Rússia estaria interessada em evitar críticas duras a Washington.

  • "Rússia não está em posição de desafiar o desdobramento de forças dos EUA na região vizinha", avaliou Neil Melvin, do Royal United Services Institute.
  • "O apoio da Rússia à Venezuela tem sido mais simbólico do que prático", complementou o especialista.

Os caminhos da coordenação: ONU e BRICS

Lula e Putin decidiram que a coordenação de esforços para desescalar o conflito passaria por duas vias principais:

  1. Nações Unidas (ONU): tradicional arena para debates e resoluções sobre conflitos internacionais.
  2. BRICS: bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, e no qual ambos os países buscam ampliar sua influência na governança global.

Essa decisão reforça a tendência de atores não-ocidentais utilizarem plataformas alternativas para lidar com crises geopolíticas.

Implicações para a América Latina e a ordem global

O telefonema acontece em um momento de fragmentação da liderança global. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, comentou nesta quarta-feira que a operação dos EUA na Venezuela é um exemplo de como Washington estaria "destruindo o sistema internacional que ajudou a construir".

Para o Brasil, a conversa com Putin reflete a postura diplomática adotada pelo governo Lula, que busca um papel de mediador em conflitos internacionais e defende a soberania nacional como princípio inegociável. A crise venezuelana, agora com a intervenção militar americana, coloca à prova essa estratégia e a capacidade do país de influenciar o desfecho de uma crise complexa em seu próprio continente.

Com informações de: G1 - Globo.com, UOL, CNN Brasil, DW, Investing.com, News.az, Investimentos e Notícias, InfoMoney, Kremlin.ru ■

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