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China condena ataque dos EUA à Venezuela como "Violação Grave do Direito Internacional"
Governo chinês classifica operação militar que capturou presidente Maduro como "comportamento hegemônico" que ameaça a paz regional; comunidade internacional reage com alarme
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 03/01/2026

O Ministério das Relações Exteriores da China emitiu um comunicado neste sábado (3) condenando veementemente os ataques militares realizados pelos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultaram na captura do presidente Nicolás Maduro. A China se disse "profundamente chocada" e afirmou que a ação americana "viola seriamente o direito internacional e a soberania da Venezuela".

A operação, descrita pelo presidente Donald Trump como um "ataque de grande escala", utilizou equipes da Força Delta – a tropa de elite de operações especiais do Exército americano – para capturar Maduro e sua esposa, Cilia Flores, e retirá-los do país por via aérea. A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, anunciou que Maduro será julgado em um tribunal de Nova York por acusações associadas ao narcoterrorismo.

Detalhes da Operação Militar e a Resposta Venezuelana

A ação militar começou nas primeiras horas da madrugada de sábado, com fortes explosões sendo reportadas em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Alvos incluíram o complexo militar de Fuerte Tiuna e a base aérea de La Carlota.

Em resposta, o governo venezuelano declarou estado de comoção exterior e ativou seu sistema de defesa integral. A vice-presidente Delcy Rodríguez, em comunicado exibido pela TV estatal, afirmou não saber o paradeiro de Maduro ou de sua esposa e exigiu uma "prova de vida imediata" de ambos. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, declarou: "Não vão nos derrotar".

A Posição Formal da China e o Chamado à ONU

Em uma coletiva de imprensa em Pequim, um porta-voz da chancelaria chinesa deixou clara a posição do país:

  • Condenou o "uso flagrante da força contra um Estado soberano".
  • Classificou a ação como um "ato hegemônico" dos EUA que "ameaça a paz e a segurança da América Latina e do Caribe".
  • Exortou os EUA a "respeitarem o direito internacional e os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas".

A agência de notícias estatal Xinhua publicou um comentário reforçando a posição oficial, argumentando que a ação dos EUA "viola claramente o Artigo 2(4) da Carta da ONU", que proíbe o uso da força contra a integridade territorial de um Estado. O texto ainda traçou um paralelo histórico com intervenções anteriores dos EUA no Panamá, Iraque e Líbia.

Reações da Comunidade Internacional

A condenação chinesa se soma a outras vozes internacionais que expressaram grave preocupação:

  • ONU: O secretário-geral António Guterres está "profundamente alarmado" e alertou que os ataques abrem um "precedente perigoso".
  • Brasil: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a ação como uma "flagrante violação do direito internacional" que "lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina".
  • Rússia: Também condenou o ataque e pediu esclarecimentos imediatos sobre o paradeiro de Maduro.
  • União Europeia: A chefe da diplomacia, Kaja Kallas, pediu moderação e respeito ao direito internacional, embora tenha reiterado que o bloco considera que Maduro "carece de legitimidade".

Dentro da Venezuela, a líder oposicionista e Prêmio Nobel da Paz de 2025, María Corina Machado, comemorou a queda de Maduro, declarando que "chegou a hora da liberdade" e defendendo que Edmundo Gonzáles Urritia – candidato apoiado pela oposição nas eleições de 2024 – assuma a Presidência.

Capacidade de Reação Venezuelana e Contexto Militar

Especialistas questionam a capacidade das Forças Armadas venezuelanas de reagir de forma eficaz à maior potência militar do mundo. Análises indicam que, embora a Venezuela possua alguns equipamentos modernos, como:

  • Caças Sukhoi (Rússia) e alguns F-16 (EUA).
  • Sistemas de mísseis antiaéreos Igla-S e Buk (Rússia).
  • Drones armados de fabricação local (derivados de modelos iranianos).

...seus militares enfrentam problemas crônicos de manutenção, deserção e falta de treinamento regular. O analista Andrei Serbin Pont avalia que grande parte da rede de defesa antiaérea pode ser "facilmente neutralizada" com tecnologia norte-americana ou já se encontra fora de serviço.

A estratégia venezuelana, segundo analistas, parece ser menos de confronto convencional e mais de sinalizar uma possível guerra prolongada ou de guerrilha, dispersando equipamentos para criar um cenário de instabilidade que dificulte uma ocupação ou transição.

Próximos Passos e Consequências Regionais

Trump afirmou que os EUA terão um "forte envolvimento com a indústria petrolífera da Venezuela" no pós-Maduro. A situação gerou uma crise diplomática de grandes proporções, com o governo brasileiro marcando uma reunião de emergência no Itamaraty para discutir o caso.

A China, por sua vez, emitiu um alerta de segurança para seus cidadãos na Venezuela, recomendando que evitem sair de casa "a não ser que absolutamente necessário" e que se afastem de zonas de conflito. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, já havia afirmado anteriormente que o país se opõe a qualquer interferência de forças externas nos assuntos internos da Venezuela.

Com informações de: CNN Brasil, G1, Brasil de Fato, Deutsche Welle, Macau Business, Forbes, BBC, Facebook/Xinhua News, Xinhua, InfoMoney ■

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