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Lula condena ataque dos EUA e sequestro de Maduro: "Cruzaram uma linha inaceitável"
Presidente brasileiro convoca reunião de emergência e alerta para risco de volta à "lei do mais forte" nas relações internacionais; Venezuela decreta estado de comoção e exige prova de vida de Maduro
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 03/01/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva emitiu uma dura condenação aos bombardeios realizados pelos Estados Unidos na Venezuela e à subsequente captura do presidente Nicolás Maduro na madrugada deste sábado (3). Em declarações nas redes sociais, Lula classificou os atos como uma "afronta gravíssima à soberania" venezuelana e afirmou que Washington "cruzou uma linha inaceitável".

Lula argumentou que atacar países constitui uma violação flagrante do direito internacional e representa o primeiro passo para um mundo de violência e caos, "onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo". Ele ainda alertou que a ação "recorda os piores momentos de ingerência na política latino-americana" e ameaça a preservação da região como zona de paz.

O governo brasileiro convocou uma reunião de emergência para analisar a crise e suas implicações para a segurança regional, com a participação de representantes das Forças Armadas e do Ministério da Defesa. A Secretária-Geral do Itamaraty, Maria Laura da Rocha, conduz os trabalhos na ausência do chanceler Mauro Vieira.

Detalhes do Ataque Militar e a Captura

O ataque começou por volta das 2h da madrugada (hora local) em Caracas, com explosões registradas em múltiplos pontos por pelo menos duas horas. Segundo informações do presidente colombiano, Gustavo Petro, e de veículos de mídia, os alvos incluíram:

  • O Cuartel de la Montaña, base militar que abriga o mausoléu de Hugo Chávez.
  • Fuerte Tiuna, principal complexo militar da capital e sede do Ministério da Defesa.
  • A Base Aérea Generalísimo Francisco de Miranda (La Carlota).
  • O Palacio Federal Legislativo e o porto de La Guaira.

O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou em sua rede social a realização de um "ataque a grande escala" e anunciou que o presidente Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram saquestrados e trasladados para fora da Venezuela. A operação teria envolvido um grande desdobramento de helicópteros e unidades de forças especiais como os Delta Force.

Acusações Formais e Reação Venezuelana

Poucas horas depois, a fiscal geral dos EUA, Pam Bondi, anunciou que Maduro e Flores foram formalmente acusados perante um tribunal do Distrito Sul de Nova York. As acusações contra Maduro incluem:

  • Conspiração para narcoterrorismo.
  • Conspiração para importar cocaína.
  • Posse de armas e dispositivos destrutivos contra os EUA.

Em resposta, o governo venezuelano decretou estado de comoção exterior e ativou todos os planos de defesa nacional. A vice-presidente Delcy Rodríguez exigiu uma "prova de vida imediata" de Maduro e de sua esposa, cujo paradeiro permanece desconhecido pelas autoridades do país. O chanceler Yván Gil exigiu a devolução "imediata" do presidente, afirmando que sua captura viola a imunidade dos chefes de Estado e estabelece um precedente perigoso.

Reações Internacionais Divididas

A ação militar dos EUA gerou uma resposta imediata nas respostas internacionais:

  • Condenação: Além do Brasil, México condenou energicamente a operação, classificando-a como violação da Carta da ONU. Colômbia condenou a agressão, reforçou a segurança na fronteira e pediu uma reunião urgente da ONU. Cuba e a Rússia também condenaram o ataque.
  • Apoio: O presidente da Argentina, Javier Milei, celebrou o ataque com a frase: "A liberdade avança. Viva a liberdade, carajo".
  • Cautela: A União Europeia pediu respeito à legalidade internacional e à Carta da ONU, mas evitou uma condenação direta, reiterando que não reconhece Maduro como presidente legítimo. O Reino Unido afirmou não ter participado e também se limitou a pedir respeito ao direito internacional.

Contexto e Antecedentes

A intervenção ocorre após meses de tensão crescente. Em agosto de 2025, os EUA aumentaram a presença naval no Caribe com o objetivo declarado de combater o narcotráfico. O governo Trump acusa Maduro e altos funcionários de facilitar o tráfico de drogas, designando o chamado Cartel dos Soles como organização terrorista. Em outubro, Trump já havia autorizado a CIA a operar dentro da Venezuela para reprimir fluxos de drogas e migrantes.

Com informações de: Pagina12, BBC Mundo, El País, teleSUR, CNN Español, El Mundo, Prensa Latina, Wikipedia, La Nación, El Periódico ■

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