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O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou, nesta quarta-feira (31), um novo conjunto de sanções visando diretamente o coração da economia venezuelana: o setor petrolífero. As medidas bloqueiam quatro empresas e quatro petroleiros acusados de integrar uma "frota sombra" global que permite ao governo do presidente Nicolás Maduro burlar sanções internacionais e gerar receita. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que a ação dá continuidade à campanha de pressão do presidente Donald Trump, declarando: "Não permitiremos que o regime ilegítimo de Maduro lucre com a exportação de petróleo enquanto inunda os Estados Unidos com drogas letais".
O anúncio ocorre em um momento de escalada militar e diplomática. Nas últimas semanas, os EUA apreenderam dois petroleiros com carregamento venezuelano, anunciaram um "bloqueio total" a navios sancionados nas águas venezuelanas e realizaram um ataque a uma área portuária no país, supostamente ligada ao narcotráfico. O governo Trump sustenta que Maduro lidera um "regime narcoterrorista", acusação veementemente negada por Caracas.
As sanções recaem sobre empresas com sede na China e em Hong Kong, e sobre os petroleiros por elas operados. Segundo o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), essas embarcações são propriedades bloqueadas.
Os navios operavam sob bandeiras do Panamá, Guiné e Hong Kong. Rastreamento de embarcações indicava, no momento do anúncio, o Della navegando no Atlântico Sul em direção à Ásia e o Valiant em armazenamento flutuante próximo a Cingapura.
A designação como "propriedade bloqueada" pelos EUA implica que:
O Tesouro advertiu que "os envolvidos no comércio de petróleo venezuelano continuam a enfrentar riscos significativos de sanções". O objetivo declarado, conforme o departamento, não é punir, mas "promover uma mudança positiva de comportamento".
Apesar do cerco, petroleiros continuam chegando à Venezuela. Fontes do setor e serviços de monitoramento apontam que a estatal PDVSA ampliou o uso de armazenamento flutuante e mantém acordos, principalmente com a China, onde o pagamento por serviços ou dívida é feito com o próprio petróleo bruto. Parte dos navios que se aproximam do país não estão sob sanções e integram essa rede de trocas comerciais diretas.
Este mecanismo é vital para um país cujas exportações de petróleo caíram para cerca da metade em dezembro, comparado a novembro, após o anúncio do bloqueio naval pelos EUA. Atualmente, cerca de 16 milhões de barris de petróleo estariam retidos em navios próximos ao principal porto de exportação venezuelano, aguardando destino. Os únicos carregamentos que partem regularmente são os autorizados da petrolífera norte-americana Chevron, que opera no país sob licença especial de Washington.
As sanções são mais um capítulo em uma campanha de pressão multifacetada. Críticos da administração Trump, citados pela Al Jazeera, acusam Washington de buscar, no fundo, controlar as vastas reservas de petróleo da Venezuela. Essas suspeitas foram alimentadas por declarações de conselheiros de Trump, como Stephen Miller, que em dezembro afirmou que os EUA "criaram a indústria do petróleo na Venezuela" e insinuou que o recurso teria sido "roubado" do país.
Paralelamente, os EUA têm conduzido uma operação militar na região do Caribe desde setembro, com dezenas de ataques aéreos contra alegadas embarcações de narcotráfico em águas internacionais, que resultaram em mais de uma centena de mortes, segundo a Al Jazeera. O ataque a uma "área de docas" na Venezuela, reivindicado por Trump, marcou uma perigosa escalada ao ser o primeiro desse tipo em solo venezuelano.
Do lado venezuelano, a resposta tem sido de alerta máximo. A vice-presidente Delcy Rodríguez pediu aos trabalhadores do setor petrolífero que intensifiquem a vigilância contra atos de "sabotagem", enquanto a Força Armada anunciou a proteção reforçada de grandes complexos de refino e petroquímicos.
Com informações de: G1, CNN Brasil, Revista Oeste, Al Jazeera, R7, Argus Media, CBS News, Terra, RTP ■