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Novo salário mínimo de R$ 1.621 entra em vigor nesta quinta-feira
Reajuste de 6,79% impacta aposentadorias, benefícios sociais e injeta R$ 81,7 bilhões na economia. Entenda a regra de cálculo e as mudanças
Politica
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■   Bernardo Cahue, 01/01/2026

O novo salário mínimo nacional de R$ 1.621 começa a valer a partir desta quinta-feira, 1º de janeiro de 2026. O valor, oficializado por decreto presidencial, representa um aumento de R$ 103 (ou 6,79%) em relação ao piso de 2025, que era de R$ 1.518. O reajuste segue a política de valorização e impacta diretamente a renda de cerca de 61,9 milhões de brasileiros que têm seus vencimentos ou benefícios atrelados ao piso nacional.

Segundo estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), essa valorização deve injetar aproximadamente R$ 81,7 bilhões na economia ao longo do ano, considerando os efeitos sobre o consumo e a arrecadação. Desse total, cerca de R$ 39,1 bilhões correspondem ao impacto adicional sobre a folha de benefícios da Previdência Social.

Como foi calculado o novo valor

A regra de reajuste, vigente desde 2024, determina a correção do salário mínimo com base em dois componentes:

  1. Inflação do período anterior: medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado nos 12 meses até novembro de 2025, que ficou em 4,18%.
  2. Crescimento da economia: é considerado o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Para 2026, entrou o crescimento de 3,4% registrado em 2024.

No entanto, o arcabouço fiscal (regra que controla os gastos públicos) estabelece um limite para o ganho real (acima da inflação) entre 0,6% e 2,5% ao ano. Por essa razão, a incorporação integral do crescimento de 3,4% do PIB não foi possível, sendo limitada a 2,5%. O cálculo final (4,18% + 2,5%) resultou no reajuste de 6,79%. Sem esse teto, o salário mínimo chegaria a R$ 1.636.

O que muda com o novo piso

O salário mínimo serve de referência para uma série de benefícios e obrigações. Com o novo valor, as principais alterações são:

  • Aposentadorias, pensões e auxílios do INSS: Os benefícios pagos no valor de um salário mínimo (cerca de 70% do total) são reajustados para R$ 1.621. O pagamento com o novo piso começa conforme o calendário do INSS a partir do fim de janeiro.
  • Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas): O auxílio pago a idosos com 65 anos ou mais e pessoas com deficiência de baixa renda também sobe para R$ 1.621 mensais.
  • Abono Salarial PIS/Pasep: O valor máximo do benefício passa a ser de um salário mínimo (R$ 1.621). O valor recebido por cada trabalhador varia conforme os meses trabalhados no ano-base de 2024.
  • Seguro-desemprego: O valor mínimo das parcelas a que o trabalhador demitido sem justa causa tem direito é reajustado para R$ 1.621.
  • Contribuição do MEI: A contribuição previdenciária mensal do Microempreendedor Individual sobe para R$ 81,05, equivalente a 5% do novo salário mínimo.
  • Limites em Juizados: Os valores de causas nos Juizados Especiais são corrigidos. Nos Juizados Especiais Cíveis, o limite sobe para R$ 64.840 (40 salários mínimos). Nos Juizados Especiais Federais, o limite para pagamento via Requisição de Pequeno Valor (RPV) vai a R$ 97.260 (60 salários mínimos).

Poder de compra e valor necessário

Embora o novo mínimo represente um ganho real para o trabalhador, estudos do Dieese mostram que o valor necessário para sustentar adequadamente uma família de quatro pessoas seria de R$ 7.067,18, evidenciando a distância entre o piso legal e o custo real da cesta básica e despesas essenciais. Em contrapartida, a relação entre o salário mínimo e o custo da cesta básica melhorou, alcançando em janeiro de 2026 a capacidade de compra de 1,93 cestas básicas na cidade de São Paulo, o maior índice desde 2019.

Com informações de: Agência Brasil, R7, Folha de S.Paulo, BBC News Brasil, Senado Federal ■

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