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Em uma escalada da campanha militar contra o narcotráfico, as forças dos Estados Unidos realizaram uma série de ataques a embarcações suspeitas nos últimos dias de 2025, resultando em pelo menos oito mortes e deixando um número indeterminado de sobreviventes à deriva no mar, em uma operação de busca e resgate conduzida pela Guarda Costeira americana.
O Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM) anunciou que no dia 30 de dezembro, ataques a um comboio de três barcos em águas internacionais resultaram na morte de três pessoas na primeira embarcação atingida. Os ocupantes das outras duas embarcações abandonaram os barcos, jogando-se ao mar antes que os veículos fossem afundados por "confrontos subsequentes". No dia seguinte, 31 de dezembro, novos ataques atingiram mais duas embarcações, matando cinco pessoas.
O governo americano não especificou a localização exata dos ataques, mas operações anteriores ocorreram no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico Oriental. As autoridades alegam que as embarcações eram operadas por "Organizações Terroristas Designadas" e que a inteligência confirmou que estavam "transitando por rotas conhecidas de narcotráfico" e haviam transferido drogas entre si antes dos ataques. No entanto, nenhuma prova pública concreta foi apresentada para corroborar essas alegações.
Um aspecto notável dos ataques de 30 de dezembro foi o acionamento da Guarda Costeira dos EUA para ativar protocolos de busca e salvamento dos indivíduos que pularam ao mar. Segundo comunicado, uma aeronave C-130 foi destacada para a missão.
Essa medida representa uma mudança após o intenso escrutínio internacional sofrido pelo Exército americano em setembro, quando forças dos EUA realizaram um "ataque subsequente" contra uma embarcação já incapacitada, matando dois sobreviventes do primeiro ataque. Esse episódio anterior foi classificado por especialistas em direito internacional e parlamentares democratas como um possível crime de guerra ou execução extrajudicial. O Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos já instou os EUA a investigarem a legalidade dessas operações.
Os ataques marítimos ocorrem no contexto de uma ampla campanha de pressão da administração Trump contra o governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Os EUA acusam Maduro de liderar um "cartel de drogas" e de usar a receita do petróleo para financiar o "narcoterrorismo".
Esta ofensiva inclui:
Em resposta, a Venezuela aprovou uma lei que prevê penas de até 20 anos de prisão para quem apoiar "pirataria" ou "bloqueios", e Maduro acusou os EUA de uma campanha de "terrorismo psicológico".
Desde o início de setembro de 2025, os Estados Unidos já realizaram um grande número de ataques similares. Os números totais variam ligeiramente entre as fontes, mas apontam para uma campanha extensa e letal:
O presidente Donald Trump justifica a escalada como uma medida necessária em um "conflito armado" contra os cartéis de drogas, com o objetivo de impedir o fluxo de narcóticos para os Estados Unidos. Entretanto, a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, sugeriu que os ataques também têm um objetivo político, afirmando em entrevista à Vanity Fair que Trump quer continuar atingindo os barcos até que Maduro "grite 'basta'".
Enquanto isso, o destino dos sobreviventes dos últimos ataques permanece incerto, e a campanha militar continua a gerar debate acalorado sobre sua legalidade, eficácia e reais motivações geopolíticas.
Com informações de: G1, NPR, CNN Brasil, ABC News, UOL, NBC News, O Globo, CNN, Folha de S.Paulo, Fox 11 ■