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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que forças americanas atacaram e destruíram uma "grande instalação" em território venezuelano, em uma acusação que, se confirmada, representaria uma significativa e perigosa escalada militar. No entanto, nenhuma prova foi apresentada sobre a operação, nem a Casa Branca ou agências como o Pentágono e a CIA a confirmaram oficialmente. O governo de Nicolás Maduro também não se pronunciou sobre o suposto ataque.
Trump fez a declaração inicial em uma entrevista à rádio WABC na sexta-feira (26), referindo-se a um evento que teria ocorrido "duas noites" antes. Posteriormente, na segunda-feira (29), ele deu mais detalhes vagos a jornalistas, dizendo: "Houve uma grande explosão na área de um cais onde carregam as embarcações com drogas... Atacamos todas as embarcações e agora atacamos a zona [de atraque]… e já não existe". Ele se recusou a especificar se foi uma operação militar ou da CIA, apenas afirmando: "Sei exatamente quem foi, mas não quero dizer quem foi. Mas sabem que foi na costa".
A afirmação sobre um ataque terrestre não é isolada, mas sim o ponto mais recente em uma campanha de meses de ameaças retóricas e ações militares em águas internacionais. De acordo com uma análise da CNN, desde meados de setembro, Trump prometeu publicamente ou insinuou uma ação militar dos EUA em solo venezuelano pelo menos 17 vezes. Ele consistentemente descreveu ataques terrestres como um passo lógico e "muito mais fácil" do que as operações no mar.
Essa retórica tem sido acompanhada por uma massiva demonstração de força. Os EUA posicionaram aproximadamente 15.000 militares, um grupo de ataque de porta-aviões liderado pelo USS Gerald R. Ford (o maior do mundo), caças F-35 e embarcações da Guarda Costeira no Caribe e no Golfo do México. A operação, inicialmente justificada como combate ao narcotráfico, evoluiu para uma "quarentena marítima" e um bloqueio naval destinado a interromper as exportações de petróleo da Venezuela, principal fonte de receita do país.
Assim como nos supostos ataques terrestres, a campanha marítima dos EUA tem sido marcada pela falta de transparência e provas públicas:
Esta ausência de provas e a natureza das operações suscitaram fortes críticas. Especialistas em direito internacional e da Organização das Nações Unidas (ONU) sustentam que os ataques provavelmente constituem execuções extrajudiciais e violações do direito à vida. Em um comunicado conjunto, quatro relatores especiais da ONU foram além e condenaram o bloqueio naval à Venezuela como um ato de "agressão armada ilegal" que viola a Carta das Nações Unidas. Os especialistas pediram ao Congresso dos EUA que intervenha para impedir novos ataques e suspender o bloqueio.
Analistas e as próprias declarações de autoridades americanas sugerem que a campanha vai muito além do combate às drogas. Susie Wiles, secretária-geral da Casa Branca, afirmou que o verdadeiro objetivo da administração Trump é a saída do presidente Nicolás Maduro do poder.
A retórica de Trump confirma essa ampliação de objetivos. Ele acusou a Venezuela de usar o petróleo para financiar o "narcoterrorismo" e, em publicações nas redes sociais, exigiu que o país devolvesse aos EUA "todo o petróleo, as terras e demais bens que nos roubaram". Trump também vinculou a pressão militar a uma reivindicação infundada, repetida em discursos, de que a Venezuela "roubou" petróleo e terras dos Estados Unidos.
Enquanto os governos trocam acusações, para a população venezuelana, a maior preocupação imediata é a sobrevivência diária em meio a uma crise econômica profunda. A inflação no país é projetada para fechar 2025 em 548% e pode chegar a 629% em 2026, a maior do continente. Um quilo de frango pode custar o equivalente a quatro salários mínimos mensais.
Em meio a esta realidade, a ameaça de um conflito aberto é recebida com um misto de ceticismo, medo e resignação:
As declarações de Trump sobre um ataque terrestre na Venezuela, embora não comprovadas, elevam o conflito retórico a um novo patamar. Sem transparência, sem provas e diante de condenações internacionais por violações do direito, a estratégia dos EUA parece menos focada em um inimigo específico como o narcotráfico e mais em uma campanha de coerção máxima que coloca em risco a estabilidade regional e a vida de civis.
Com informações de: Agence France-Presse (via UOL), Univision, VEJA, CNN Español, InfoMoney, Al Jazeera, BBC, Gizmodo Brasil ■