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Em uma cúpula marcada por desalinhamentos, o Brasil optou por não assinar um comunicado do Mercosul sobre a Venezuela durante a 67ª Reunião de Chefes de Estado, realizada neste sábado (20) em Foz do Iguaçu. A decisão ocorreu em um contexto de profunda divisão no bloco sobre como responder à crescente pressão militar dos Estados Unidos sobre o governo de Nicolás Maduro e à nova postura de Washington na região, que inclui um acordo militar com o Paraguai. Paralelamente, os líderes manifestaram desapontamento com o novo adiamento da assinatura do acordo de livre-comércio com a União Europeia, um dos principais objetivos do encontro.
A cúpula, cuja data e local foram escolhidos estrategicamente para a esperada celebração do pacto com os europeus, teve que se contentar com um comunicado de frustração. Após quase 25 anos de negociações, a assinatura foi adiada para janeiro de 2026, principalmente devido à resistência de França e Itália.
Os motivos do adiamento incluem:
Os presidentes do Mercosul descreveram o texto negociado como “um equilíbrio cuidadosamente alcançado” e afirmaram confiar que a UE concluirá seus trâmites internos. O presidente Lula expressou otimismo, acreditando que a Itália poderá resolver seus “constrangimentos políticos” internos em algumas semanas.
O tema que mais polarizou a cúpula foi a resposta à crise venezuelana e à escalada militar norte-americana na região. A falta de consenso levou à divulgação de dois posicionamentos públicos e contraditórios entre os principais líderes do bloco.
Foi nesse clima que um grupo de países, liderado pela Argentina, elaborou um comunicado à parte, sem a menção às tensões com os EUA. O governo brasileiro avaliou que assinar o texto poderia ser interpretado como um aval a uma ação militar norte-americana, motivo pelo qual se recusou a subscrevê-lo, assim como o Uruguai. O comunicado foi assinado por Argentina, Paraguai, Panamá e por autoridades da Bolívia, Equador e Peru.
A divisão no Mercosul reflete uma realidade geopolítica mais ampla. A tensão não é apenas retórica, mas parte de uma reorientação estratégica do governo Trump para a América Latina, que recupera elementos da Doutrina Monroe. A nova estratégia de segurança nacional dos EUA prevê:
Nesse contexto, a assinatura de um Acordo de Estatuto de Forças entre EUA e Paraguai na semana anterior à cúpula ganhou importância crucial. O pacto estabelece as bases legais para a atuação de militares norte-americanos no território paraguaio, formalizando uma presença que preocupa principalmente o Brasil.
A cúpula deixou claro que, além da divergência política, o Mercosul enfrenta o risco concreto de perder uma oportunidade histórica de integração com a Europa. Especialistas avaliam as possibilidades:
A presidência temporária do Mercosul agora passa do Brasil para o Paraguai, que herdará não apenas a agenda comercial pendente, mas também a complexa tarefa de administrar as profundas fissuras expostas em Foz do Iguaçu.
Com informações de: noticias.r7.com, g1.globo.com, poder360.com.br, terra.com.br, cartacapital.com.br, dnoticias.pt, pt.euronews.com, dw.com ■