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Maduro declara que sequestros de petroleiros "não ficarão impunes"
Governo de Caracas classifica ações norte-americanas como "pirataria internacional" e levará caso ao Conselho de Segurança da ONU; Irã declara solidariedade à Venezuela
America do Sul
Foto: https://cdn-images.rtp.pt/icm/noticias/images/4b/4b604ebe177d3721c4ac4c9bdfb9b96d?w=860&q=90&rect=1,0,3710,2034
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■   Bernardo Cahue, 21/12/2025

Apreensões em Águas Internacionais

As tensões no Mar do Caribe atingiram um novo patamar após os Estados Unidos interceptarem um segundo navio petroleiro com carga venezuelana em menos de duas semanas. A operação, confirmada no sábado (20), foi realizada pela Guarda Costeira dos EUA com apoio do Departamento de Defesa em águas internacionais .

O navio apreendido, chamado Centuries, navegava sob bandeira panamenha e não constava na lista formal de embarcações sancionadas pelo Tesouro americano . Autoridades dos EUA investigam se seu registro era válido, suspeitando que ele fizesse parte da chamada "frota fantasma" usada para transportar petróleo de países sob sanções .

A Resposta Veemente da Venezuela e o Caminho até a ONU

O governo venezuelano reagiu com veemência, emitindo um comunicado oficial que descreve a ação como um "grave ato de pirataria internacional", "roubo" e "sequestro" . Caracas também denunciou o "desaparecimento forçado da tripulação" .

O presidente Nicolás Maduro foi enfático ao declarar que "esses atos não ficarão impunes" . Como medida de retaliação diplomática, a Venezuela anunciou que:

  • Apresentará uma queixa formal ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, que deve discutir o tema .
  • Acionará outras organizações multilaterais e governos ao redor do mundo .
  • Implementará escoltas da Marinha para navios petroleiros nacionais para tentar evitar novas interceptações .

O Bloqueio Americano e suas Justificativas

As apreensões são a face mais visível de uma pressão estratégica mais ampla. Na terça-feira (16), o presidente Donald Trump anunciou um "bloqueio total e completo" a petroleiros sancionados que entrem ou saiam da Venezuela . Em suas palavras, o bloqueio "só vai crescer... até que devolvam aos Estados Unidos... todo o petróleo, terras e outros ativos" .

Autoridades americanas justificam as ações como parte do combate ao "narcoterrorismo". A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou que os EUA "continuarão a perseguir o movimento ilícito de petróleo sancionado usado para financiar o narcoterrorismo na região" .

Impacto Imediato: Crise de Armazenamento e Risco Geopolítico

O bloqueio já causa um efeito prático severo na economia venezuelana. Com exportadores temendo novas apreensões, o fluxo de navios diminuiu drasticamente, levando os tanques de armazenamento do país à capacidade máxima. A petrolífera estatal PDVSA pode ser obrigada a interromper parte da produção em até dez dias se a situação não se normalizar .

A crise ganhou rapidamente um contorno geopolítico mais amplo. O Irã declarou "plena solidariedade" à Venezuela e ofereceu cooperação para enfrentar os atos dos EUA . A China, principal destino do petróleo venezuelano, também observa de perto a escalada .

Contexto e Perspectivas

Este conflito marca o ponto mais alto de uma escalada que inclui:

  1. Aumento massivo da presença militar dos EUA no Caribe .
  2. Ataques a embarcações suspeitas de tráfico de drogas, que resultaram em dezenas de mortes .
  3. Um telefonema de Trump para Maduro em novembro, visto como um ultimato para que o líder venezuelano deixasse o poder .

Analistas alertam que a perda sustentada de quase um milhão de barris de petróleo por dia no mercado global, caso o bloqueio persista, pode pressionar os preços da commodity para cima . A reunião marcada no Conselho de Segurança da ONU será o próximo capítulo desta crise, com potencial para redesenhar alianças e acirrar ainda mais os ânimos no Caribe .

Com informações de: UOL, G1, BBC, CNN Brasil, RTP, Revista Oeste, DN ■

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