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Maduro ordena escolta militar a petroleiros venezuelanos após bloqueio de Trump
Medida é resposta ao "bloqueio total" anunciado pelo presidente americano e aumenta tensão no Caribe; EUA consideram novas ações
America do Sul
Foto: https://jb.fm/uploads/noticias/maduro-ordena-escolta-militar-a-petroleiros.png
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■   Bernardo Cahue, 18/12/2025

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou que a Marinha do país escoltasse navios petroleiros que transportam petróleo e derivados, em resposta ao bloqueio total decretado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A informação foi divulgada pelo New York Times e confirmada por fontes anônimas ao jornal.

A ordem foi dada na quarta-feira, 17 de dezembro de 2025, e já resultou na partida de vários navios da costa leste venezuelana entre a noite de terça-feira e a manhã de quarta-feira. As embarcações, que carregavam ureia, coque de petróleo e outros derivados, partiram do porto de José com destino a mercados asiáticos.

Contexto do bloqueio americano

Trump anunciou na terça-feira, 16 de dezembro, um "bloqueio total e completo" a todos os petroleiros sancionados que entram ou saem da Venezuela. Em publicação na rede Truth Social, o presidente americano justificou a medida designando o governo venezuelano como "organização terrorista estrangeira" e acusando-o de financiar narcoterrorismo, tráfico humano e outros crimes.

A decisão ocorre após a apreensão, na semana passada, de um petroleiro sancionado que transportava quase dois milhões de barris de petróleo venezuelano com destino à Ásia. A Venezuela classificou o ato como "ato de pirataria naval" e denunciou o caso ao Conselho de Segurança da ONU.

Reações e tensão crescente

  • Venezuela: O governo de Maduro definiu o bloqueio de Trump como "irracional" e uma "ameaça grotesca" e afirmou que suas exportações continuam normais. A PDVSA, estatal petrolífera, emitiu comunicado garantindo que os navios operam com "total segurança, suporte técnico e garantias operacionais".
  • Estados Unidos: A Casa Branca está ciente das escoltas e considera várias medidas em resposta, mas não detalhou quais. Fontes indicam que o Pentágono apresentou a Trump opções que incluem ataques a instalações militares venezuelanas.
  • China: O ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, assegurou à Venezuela que Pequim se opõe a qualquer tentativa de "intimidação unilateral" e apoia a defesa dos direitos legítimos do país.
  • ONU: O secretário-geral António Guterres pediu moderação e redução imediata das tensões, exortando ambos os países a honrarem suas obrigações perante o direito internacional.

Impacto econômico e militar

Cerca de 40% dos petroleiros que transportaram petróleo venezuelano nos últimos anos estão sob sanções dos EUA, segundo dados do TankerTrackers.com. A Venezuela, que depende do petróleo para mais de 90% de sua receita, tem usado navios "fantasmas" para contornar as sanções e exportar a preços abaixo do mercado.

Nos últimos meses, os EUA deslocaram milhares de soldados, um porta-aviões, destróieres com mísseis guiados, caças F-35 e um submarino nuclear para a região do Caribe, aumentando o risco de um confronto direto. O ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, declarou que as Forças Armadas do país "não se deixam intimidar" pelas ameaças "arrogantes" de Trump.

Com informações de: UOL, Estadão, Veja, O Globo, RTP ■

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