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O presidente russo, Vladimir Putin, reafirmou o apoio do Kremlin ao governo de Nicolás Maduro durante uma ligação telefônica realizada nesta quinta-feira (11). O gesto de solidariedade ocorre em um momento de crescente pressão militar e econômica dos Estados Unidos sobre a Venezuela, incluindo a recente apreensão de um petroleiro com bandeira venezuelana nas águas do Caribe.
Em comunicado, o Kremlin afirmou que Putin "expressou solidariedade com o povo venezuelano e confirmou seu apoio à política do governo de Maduro, dirigida a proteger os interesses e a soberania nacional diante da crescente pressão externa". O governo venezuelano, por sua vez, destacou que os líderes "reafirmaram o caráter estratégico, sólido e crescente de suas relações bilaterais".
A ligação acontece em meio à maior mobilização militar dos EUA na América Latina em décadas. A tensão escalou na noite de quarta-feira (10), quando forças americanas, incluindo a Guarda Costeira e o FBI, apreenderam o petroleiro "Skipper" próximo à costa da Venezuela. A embarcação, que transportava cerca de 1,1 milhão de barris de petróleo bruto, havia sido previamente sancionada pelos EUA por supostos vínculos com o Irã.
A administração do presidente Donald Trump justifica suas ações, incluindo ataques a outras embarcações, como parte de uma campanha contra o narcotráfico, acusando Maduro de comandar um cartel de drogas. Maduro nega as acusações e alega que o verdadeiro objetivo dos EUA é se apoderar das vastas reservas de petróleo da Venezuela.
A relação entre Rússia e Venezuela é antiga e abrange múltiplas áreas. De acordo com análises, os dois países mantêm cerca de 350 acordos bilaterais cobrindo cooperação militar, tecnologia aeroespacial, energia nuclear para fins pacíficos, mineração e integração de sistemas financeiros.
Nos últimos meses, a cooperação militar ganhou novos contornos:
Apesar da "harmonia perfeita" proclamada por Maduro, analistas apontam que a capacidade e o interesse de Moscou em intervir diretamente a favor da Venezuela podem ser limitados. A Rússia enfrenta seus próprios desafios econômicos devido à guerra na Ucrânia e prioriza seus mercados estratégicos.
Economicamente, o comércio bilateral, que gira em torno de US$ 1,2 bilhão (dados de 2024), é modesto se comparado ao volume que a Rússia mantém com outros países latino-americanos, como Brasil e México. Além disso, Moscou não anunciou novos empréstimos de grande vulto ao regime de Maduro nos últimos anos.
O apoio russo tem sido crucial, no entanto, para contornar as sanções ao petróleo venezuelano, com empresas russas como a Rosneft atuando como intermediárias na venda do crude. Para Maduro, demonstrar o apoio de um poder global como a Rússia é um ativo político vital para se sustentar no poder frente à pressão interna e externa.
Com informações de: G1, Folha de S.Paulo, The Moscow Times, Americas Quarterly, CNN Brasil, Fox News, The Washington Post, UOL, NDTV ■