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O governo da Venezuela revogou oficialmente as concessões de operação para seis grandes empresas aéreas internacionais, em uma escalada da crise geopolítica que envolve o país caribeño e os Estados Unidos. A medida, anunciada através do Aviso Oficial nº 43264 em 26 de novembro de 2025, foi uma retaliação direta às companhias que suspenderam seus voos para Caracas seguindo um alerta de segurança emitido pela Administração Federal de Aviação (FAA) dos Estados Unidos.
As empresas afetadas pela decisão do Instituto Nacional de Aeronáutica Civil (INAC) são:
O fundamento legal apresentado pelo governo venezuelano acusa essas companhias de se terem somado a "ações de terrorismo de Estado promovidas pelo governo dos Estados Unidos", ao suspenderem unilateralmente suas operações comerciais com base em um NOTAM (aviso para aviadores) emitido por uma "autoridade aeronáutica sem competência" no espaço aéreo venezuelano. O NOTAM em questão, emitido pela FAA em 21 de novembro, alertava para o "agravamento da situação de segurança e ao aumento da atividade militar na Venezuela ou seus arredores", recomendando que as companhias aéreas extremassem a precaução.
Este conflito aéreo ocorre no meio de uma pressão geopolítica significativamente aumentada dos Estados Unidos sobre o governo de Nicolás Maduro. Nos últimos meses, os EUA realizaram um inédito despliegue militar no Caribe, que inclui o porta-aviões USS Gerald R. Ford e voos de demonstração de bombardeiros B-52H na região como parte da operação "Lanza del Sur".
Além disso, no dia 24 de novembro, o Departamento de Estado dos EUA, sob a liderança do Secretário Marco Rubio, designou o chamado "Cartel de los Soles" como uma organização terrorista estrangeira. Washington alega que este grupo, cujo nome se refere às insígnias solares nas patentes militares, é uma organização de tráfico de narcóticos liderada pelo próprio Maduro. O governo venezuelano rejeitou veementemente esta designação, classificando-a como uma "mentira ridícula" destinada a justificar uma intervenção militar "ilegítima e ilegal".
Antes da revogação, o INAC havia emitido um ultimato de 48 horas para que as empresas aéreas retomassem as operações, uma condição que não foi cumprida. A inclusão da Turkish Airlines na lista de sanções é considerada particularmente significativa, uma vez que a rota para Istambul funcionava como um dos principais hubs de conexão global para a Venezuela fora da esfera de influência ocidental.
Com esta medida, a Venezuela encontra-se virtualmente isolada dos seus principais hubs de conexão direta para a Europa (Madrid, Lisboa), Bogotá, São Paulo e Istambul. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) já havia alertado anteriormente sobre uma crise de conectividade no país. Atualmente, as conexões aéreas internacionais da Venezuela estão majoritariamente reduzidas a voos para Bogotá (operados por Wingo, Avior e Conviasa) e para a Cidade do Panamá (operados por Copa Airlines, Venezolana e Estelar).
A suspensão inicial de voos, que antecedeu a revogação das concessões, já havia afetado mais de 8.000 passageiros de pelo menos 40 voos diferentes, de acordo com dados da Associação Nacional de Agências de Viagens e Turismo da Venezuela. A proximidade das festas de fim de ano agrava o impacto da medida para a diáspora venezuelana.
Enquanto isso, o ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello, reafirmou a posição do governo, declarando que "o Governo nacional, em uma decisão soberana, decide quem voa e quem não voa" e que o país se reserva o direito de admissão. Ele desafiou as empresas aéreas afetadas: "Fiquem com os seus aviões e nós ficamos com a nossa dignidade".
Com informações de: Aviacionline, The Guardian, AS, Guacamaya, Swissinfo, BBC, La Vanguardia, ABC News, Al Jazeera, WFMZ ■