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Guerra psicológica: a estratégia dos EUA para pressão na Venezuela
Operações para minar o governo Maduro buscam fraturar o regime sem uma invasão em larga escala, utilizando demonstrações de força, narrativas e tensões internas como armas principais
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 25/11/2025

A recente declaração do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, de que o país "não é detido por nenhuma guerra psicológica", ocorre em meio a uma escalada de tensões com os Estados Unidos, onde especialistas e autoridades confirmam o uso de operações psicológicas como parte central de uma estratégia de pressão multifacetada.

Uma Estratégia de Pressão Calculada

De acordo com Elliott Abrams, que foi enviado especial do ex-presidente Donald Trump para a Venezuela, a atual movimentação militar norte-americana no Caribe não tem como objetivo final uma invasão em larga escala. Em entrevista à BBC, Abrams descreveu a estratégia como uma "espécie de operação psicológica" cujo propósito é enviar uma mensagem clara aos militares e civis do regime chavista: "Maduro tem que ir, mas vocês não precisam ir; façam algo, salvem-se".

Essa tática visa fraturar a unidade em torno do governo Maduro, estimulando a deserção e a traição entre suas fileiras em troca de benefícios como proteção, dinheiro ou imunidade . A confirmação pública por Trump de que autorizou missões secretas da CIA no país é analisada como um movimento calculado para intensificar essa pressão psicológica sobre a cúpula de poder venezuelana .

Os Múltiplos Instrumentos da Guerra Psicológica

As operações psicológicas (PsyOps) são definidas como um conjunto de técnicas para influenciar emoções, motivações e comportamentos de governos, organizações ou indivíduos, com o objetivo de alcançar objetivos estratégicos sem o uso direto da força . No contexto atual contra a Venezuela, elas se manifestam de várias formas:

  • Demonstração de Força Militar: O envio de porta-aviões, navios de guerra, caças e bombardeiros para o Caribe é visto como desproporcional para o combate ao narcotráfico, funcionando primariamente como um sinal de alerta e uma forma de teste à capacidade de resposta das Forças Armadas venezuelanas .
  • Narrativas e Pretextos Públicos: A acusação de que Maduro lidera o "Cartel de los Soles", classificada pelo governo venezuelano como uma "mentira ridícula", é considerada por analistas um pretexto para justificar ações mais agressivas . Especialistas argumentam que o objetivo real por trás da retórica antinarcóticos seria a apropriação das vastas reservas de petróleo, gás e outros recursos minerais da Venezuela .
  • Tensões Internas em Washington: A política dos EUA em relação à Venezuela parece reflectir uma disputa interna. De um lado, o secretário de Estado Marco Rubio representa uma ala belicista; do outro, há indícios de que o próprio Trump teria considerado uma aproximação e diálogo com Maduro .

Impactos Regionais e a Posição do Brasil

Uma escalada do conflito teria consequências profundas para o Brasil, que compartilha uma extensa fronteira de 2.200 km com a Venezuela. Especialistas apontam quatro impactos principais :

  1. Instabilidade regional e risco de militarização, rompendo com uma tradição latino-americana de não beligerância.
  2. Agravamento da crise humanitária, com um aumento ainda maior do fluxo migratório de venezuelanos para estados como Roraima e Amazonas.
  3. Desafios para a política interna e a diplomacia brasileira, colocando o governo Lula em uma posição delicada às vésperas das eleições de 2026.
  4. Riscos de segurança, com o potencial aumento do crime transnacional e da circulação de armas e drogas na região de fronteira.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já se posicionou, defendendo que "o problema que existe na Venezuela é um problema político que deve ser resolvido na política" e oferecendo-se como interlocutor entre Washington e Caracas .

Uma Estratégia com Raízes Históricas

A guerra psicológica não é um conceito novo. Estratégias para minar a moral do inimigo sem combatê-lo diretamente foram empregadas por figuras históricas como Gengis Cã, que usava táticas de terror e ilusão para forçar rendições, e Sun Tzu, que já pregava na "Arte da Guerra" a ideia de derrotar o inimigo sem disparar uma arma . Nos conflitos modernos, os meios de comunicação e as redes sociais tornaram-se o novo campo de batalha para essas operações, usadas para gerar incerteza, ansiedade e medo na população .

Enquanto Maduro afirma contar com "nervos de aço" e se diz apoiado por uma capacidade dissuasiva fornecida por Rússia e China, a guerra psicológica dos EUA segue seu curso, tentando semear as divisões internas que possam levar, segundo sua análise, a uma mudança de regime sem a necessidade de uma invasão terrestre em grande escala .

Com informações de BBC News Brasil, BBC Mundo, Deutsche Welle, O Globo, Tribuna do Sertão, Wikipedia, Venezuela Analysis, Aglossa Academy, ID Cátedra

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