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A recente declaração do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, de que o país "não é detido por nenhuma guerra psicológica", ocorre em meio a uma escalada de tensões com os Estados Unidos, onde especialistas e autoridades confirmam o uso de operações psicológicas como parte central de uma estratégia de pressão multifacetada.
De acordo com Elliott Abrams, que foi enviado especial do ex-presidente Donald Trump para a Venezuela, a atual movimentação militar norte-americana no Caribe não tem como objetivo final uma invasão em larga escala. Em entrevista à BBC, Abrams descreveu a estratégia como uma "espécie de operação psicológica" cujo propósito é enviar uma mensagem clara aos militares e civis do regime chavista: "Maduro tem que ir, mas vocês não precisam ir; façam algo, salvem-se".
Essa tática visa fraturar a unidade em torno do governo Maduro, estimulando a deserção e a traição entre suas fileiras em troca de benefícios como proteção, dinheiro ou imunidade . A confirmação pública por Trump de que autorizou missões secretas da CIA no país é analisada como um movimento calculado para intensificar essa pressão psicológica sobre a cúpula de poder venezuelana .
As operações psicológicas (PsyOps) são definidas como um conjunto de técnicas para influenciar emoções, motivações e comportamentos de governos, organizações ou indivíduos, com o objetivo de alcançar objetivos estratégicos sem o uso direto da força . No contexto atual contra a Venezuela, elas se manifestam de várias formas:
Uma escalada do conflito teria consequências profundas para o Brasil, que compartilha uma extensa fronteira de 2.200 km com a Venezuela. Especialistas apontam quatro impactos principais :
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já se posicionou, defendendo que "o problema que existe na Venezuela é um problema político que deve ser resolvido na política" e oferecendo-se como interlocutor entre Washington e Caracas .
A guerra psicológica não é um conceito novo. Estratégias para minar a moral do inimigo sem combatê-lo diretamente foram empregadas por figuras históricas como Gengis Cã, que usava táticas de terror e ilusão para forçar rendições, e Sun Tzu, que já pregava na "Arte da Guerra" a ideia de derrotar o inimigo sem disparar uma arma . Nos conflitos modernos, os meios de comunicação e as redes sociais tornaram-se o novo campo de batalha para essas operações, usadas para gerar incerteza, ansiedade e medo na população .
Enquanto Maduro afirma contar com "nervos de aço" e se diz apoiado por uma capacidade dissuasiva fornecida por Rússia e China, a guerra psicológica dos EUA segue seu curso, tentando semear as divisões internas que possam levar, segundo sua análise, a uma mudança de regime sem a necessidade de uma invasão terrestre em grande escala .
Com informações de BBC News Brasil, BBC Mundo, Deutsche Welle, O Globo, Tribuna do Sertão, Wikipedia, Venezuela Analysis, Aglossa Academy, ID Cátedra
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