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A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta terça-feira (18) o julgamento de dez acusados por envolvimento na tentativa de golpe de Estado em 2022. Os ministros vão decidir se eles serão condenados ou absolvidos pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
O grupo, conhecido como Núcleo 3 ou "kids pretos" – militares de forças especiais do Exército –, é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de ser o responsável por planejar e executar as "ações mais severas e violentas" da organização criminosa, que incluía um plano para monitorar e assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes.
Os dez réus que terão o destino decidido pela Primeira Turma são nove militares de alta patente e um agente da Polícia Federal.
Segundo a denúncia, as atribuições do grupo iam desde pressionar o Alto Comando do Exército a aderir ao golpe até a elaboração de planos táticos para desestabilizar a ordem democrática. A PGR acusa alguns dos militares de terem participado de um plano para assassinar autoridades e de terem monitorado figuras públicas.
A Procuradoria-Geral da República sustenta que os réus se reunião em novembro de 2022 para tentar ganhar o apoio da cúpula do Exército para o golpe. Em uma dessas reuniões, ocorrida no dia 28 de novembro na casa do coronel Márcio Resende Jr., foi discutida a elaboração de uma carta para pressionar o chefe do Estado Maior do Exército.
As defesas, que já apresentaram seus argumentos, pedem a absolvição dos acusados. Os advogados contestam as provas, alegam que as mensagens e documentos foram tirados de contexto e negam que seus clientes tenham integrado uma organização criminosa ou participado dos atos de 8 de janeiro.
Este julgamento é mais um capítulo na apuração da tentativa de golpe de Estado que, segundo a PGR, teve início em março de 2021, após a anulação das condenações de Lula, quando o entorno do então presidente Jair Bolsonaro articulou um plano sistemático para deslegitimar o processo eleitoral e manter o poder. A estratégia envolvia a disseminação massiva de notícias falsas sobre as urnas eletrônicas e a pressão sobre as Forças Armadas.
O STF já condenou réus de outros núcleos investigados. Em setembro de 2025, a Primeira Turma condenou os oito integrantes do Núcleo 1, considerado o cerne da organização, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em outubro, foram condenados sete réus do Núcleo 4, acusados de atuar na rede de desinformação e ataques virtuais.
O julgamento de hoje segue com a apresentação do voto do ministro relator, Alexandre de Moraes, que será seguido pelos votos dos demais ministros da Turma. A decisão final será tomada por maioria de votos.
Com informações de G1, Agência Brasil, STF, CNN Brasil ■